01
jan
2016
Clipe: Amor Marginal – Johnny Hooker
Categorias: Especiais • Postado por: Pedro Bonavita

Quando falamos em cinema, não podemos ficar restritos somente ao que se passa na telona de cinemas espalhados por todo o mundo. Existem também as séries, web séries, novela (por que não?), e vídeo clipes.

Mesmo que não esteja mais na moda, como antigamente, existem diversos clipes que são verdadeiras obras de arte e que trazem todo o conceito cinematográfico para o ambiente musical.

O destaque de 2015 pra mim foi o clipe da música “Amor Marginal” do cantor pernambucano Johnny Hooker. Chama a atenção pelo lindo trabalho visual e poético, que o transforma pra mim em um curta metragem de belíssima fotografia e grande direção.

O Pipoca Radioativa bateu um papo rápido com o diretor Matheus Senra sobre seu processo criativo e quais suas influências para a realização desse lindo trabalho.

“O clipe foi dirigido por mim e escrito por mim e pelo próprio Johnny, num processo tão livre e intenso, que é difícil pontuar o que, no roteiro, vem de um ou vem de outro. O ponta-pé inicial, no que diz respeito à direção, foi o verso que diz: “eu temo que não amanheça se você se for”, da própria música Amor Marginal. Este verso é a maior referência que tivemos, mais que qualquer outro filme ou outro clipe. Foi a partir desse verso que pensei na cidade de Atafona como a locação perfeita para traduzir esse estado de espírito apocalíptico de um amante que teme o fim de sua história. Eu havia passado alguns verões lá quando era muito criança, algo em torno de 5 a 7 anos de idade e me lembrava dessa atmosfera tão lúdica e real ao mesmo tempo.

Antes de qualquer coisa, de ter uma história a se contar, de ter alguém no elenco ou de ter qualquer linha a se seguir, pegamos o carro, seis horas na estrada, e chegamos à cidade. Caminhamos pela orla destruída de manhã, de tarde e de noite e, a cada oportunidade, ouvíamos mais e mais a música – agora com o olhar de quem acabara de visitar um cenário absolutamente potente. E assim seguimos.

A música fala de uma história de amor, portanto chegar a um triângulo foi um processo natural. A ideia também era fazer algo simples, que pudesse chegar aos fãs sem muito esforço. Acho que chegamos aos fãs, mas devo ter falhado na questão do esforço porque levar 25 pessoas para outra cidade e filmar tudo em dois dias não foi nada simples!

Não sei dizer até que ponto minha formação em cinema influenciou diretamente no clipe, mas sei que ele não poderia ter saído de outra forma, vindo de mim. Ele ficou cinematográfico talvez pela minha ideia de imagem construída ao longo da faculdade. A cada plano do filme eu busquei uma potência, uma alma, uma força que fosse capaz de traduzir a história a partir da própria imagem e não do roteiro em si. É difícil falar sobre isso, mas creio que a compreensão da imagem enquanto fenômeno é o que de maior eu levo da universidade. De qualquer forma, infelizmente, preciso tirar um pouco o foco da faculdade. Fazer cinema, filmar é algo que só existe na prática, bem longe das teorias. A minha visão de mundo enxerga tudo como uma aventura – quando o Johnny me convidou para dirigir o clipe, internamente me veio um leve sorriso e um frio na barriga. Pra mim, a arte se trata disso.”

Pra quem ainda não conhece, confira abaixo:



Paulista radicado no Rio de Janeiro, produtor e futuro diretor; formado em cinema e amante da sétima arte. Fã de Kubrick, Tarantino, Fincher e defensor do cinema nacional. Eterno sonhador: sonho tanto que acredito fielmente que um dia nosso cinema será reconhecido por aqui.