25
fev
2016
Crítica: “Joy: O Nome do Sucesso”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2016 • Postado por: Matheus Benjamin
Joy

Joy: O Nome do Sucesso (Joy)

David O. Russel, 2015
Roteiro: David O. Russel
Fox Filmes

2

A história da empreendedora Joy Mangano foi trazida às telas pelo diretor David O. Russel no ano passado contando com um elenco que ele já está acostumado a trabalhar: Jennifer Lawrence (como Joy Mangano), Bradley Cooper (como Neil Walker) e Robert De Niro (como Rody, pai de Joy). O elenco, ainda que carismático e a arte muito competente, não são suficientes para carregar o longa nas costas; a direção é fraca aliada a um roteiro confuso e mal desenvolvido.

Com uma trama aparentemente simples, o espectador é apresentado à sua protagonista: uma moça com dois filhos pequenos, divorciada e lidando com o ex-marido Tony (Edgar Ramírez), vários problemas em casa (e que já fazem parte de sua rotina), uma família um tanto quanto disfuncional, com muitas discussões, sarcamos e ironias; brigas que estressam qualquer pessoa. Joy Mangano parece não ter paz em meio a tanta confusão. Eis que um dia ela tem uma ideia que pode mudar sua vida e deixa-la mais confortável: desenha um modelo de esfregão (com muitas facilidades para quem está limpando sujeira) e resolve torna-lo um produto para vender. Para tanto recorre à ajuda de Trudy (Isabella Rossellini), uma investidora que promete zelar pelo dinheiro do marido falecido e que quer lucros quase imediatos com a ideia, mesmo não achando-a inicialmente rentável; a firmeza e força de vontade de Joy é que são o motivo para que ela faça o investimento.

Uma coisa a ser ressaltada é que trata-se de uma história real, Joy Mangano realmente é uma empreendedora estadunidense e que passou por todos esses problemas para fazer com que sua ideia e, consequentemente, seu produto final chegasse à casa de várias pessoas, facilitando suas vidas de alguma forma. O problema, como já mencionado, está na falta de propósitos e condução que o filme recebe pela direção. O roteiro com várias passagens soltas (como uma avó que Joy tem grande admiração) e falta de desenvolvimentos em pontos, que ele próprio considera como importantes e interessantes. Contudo, o roteiro e a direção, que caminham lado a lado, parecem estar perdidos e deixam o filme confuso ao espectador; há vários cortes bruscos em determinados momentos da trama para um possível desenvolvimento de um outro momento e logo em seguida este não é desenvolvido como deveria. Parece que várias situações foram simplesmente jogadas para que o público digerisse e de forma muito rápida; um espetáculo vazio.

A direção de arte tem um trabalho muito interessante, contando com cores muito bem trabalhadas (diversos tons neutros que contrastam com diversos tons de azul), detalhes bem feitos, figurinos bem trabalhados e chamativos, além de cenários bacanas. Ainda há de se ressaltar as atuações de Jennifer Lawrence, mesmo que ela pareça muito nova para uma mulher com dois filhos e todos esses problemas para lidar, que soube aproveitar todas as nuances e desafios de sua personagem com êxito. A atriz não consegue carregar o filme sozinha nas costas, mas consegue deixa-lo mais divertido. A saga de Joy e suas motivações são interessantes e até cativantes de serem acompanhadas, sua determinação é o que chama a atenção na história. As participações de Bradley Cooper, Robert De Niro, Isabella Rossellini, Virginia Madsen (que interpreta a mãe de Joy) e Edgar Ramírez são muito boas; o elenco tem bons momentos em cena, mesmo com a maioria deles não tendo um desenvolvimento tão bom junto à protagonista.

Apesar de parecer divertido em alguns momentos, contar com uma protagonista relativamente forte e marcada com uma boa atuação (além de todo o restante do elenco estar muito bom), Joy: O Nome do Sucesso é um filme quase esquecível e que parece não fazer jus à história da real empreendedora que precisou passar por cima de diversos preconceitos, falta de crédito e entre outros problemas para conseguir vender sua ideia para o público. A direção é fraca, o roteiro é fraco e o resultado é um filme mediano e que só vale para se conhecer uma personagem quase totalmente desconhecida para o público.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.