18
fev
2016
Crítica: “Shaun, o Carneiro – O Filme”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2016 • Postado por: Pedro Bonavita
Cartaz_Shaun_Carneiro

Shaun, o Carneiro – O Filme

Mark Burton, Richard Starzack, 2015
Roteiro: Mark Burton, Richard Starzack
Universal Pictures

3

Stop Motion é uma técnica de animação que utiliza modelos reais normalmente feitos com materiais como madeira e massa de modelar. Os modelos são fotografados quadro a quadro e posteriormente os quadros são montados para dar sensação de movimento. Trabalhosa, as animações que utilizam a técnica costumam ter reconhecimento da crítica, mas nem tanto do público, principalmente o infantil, que está cada vez mais viciado com o 3D computadorizado. Sempre fui bastante fã do stop motion e é interessante notar que na edição desse ano do Oscar, temos dois concorrentes em animação que o utilizam. Anomalisa (Charlie Kaufman, 2015) e Shaun, o Carneiro – O Filme, novo filme do estúdio Aardman Animations e que falarei um pouquinho agora.

Shaun é uma ovelha (carneiro?) que vive na fazenda do Fazendeiro e segue uma rotina junto dos outros animais: acordam, trabalham, dormem. Certo dia, entediada, resolve quebrar a rotina por um dia, mas o tiro sai pela culatra e então começa a aventura dos animais da fazenda. Acontece que ao resolver sair da rotina, Shaun dá um jeito de seu dono dormir dentro de um trailer, que acaba andando sozinho rumo à cidade grande, onde o Fazendeiro acaba perdendo a memória.

É interessante perceber que o longa oriundo da série de televisão de mesmo nome não está interessado em nenhum momento em mostrar maus tratos animais, a rotina que eles levam é algo natural da vida no campo e o que os motiva em quebrar a rotina é simplesmente o tédio de fazer aquilo todos os dias. Não muito diferente do que acontece conosco no ambiente de trabalho, por exemplo.

Trata-se de um filme universal, já que não conta com nenhum diálogo, a legenda é necessária apenas para nomear os locais, e assim fica mais acessível ainda às crianças do mundo todo. E diante dessa premissa universal, o fazendeiro se chama “Fazendeiro”, a cidade se chama “Cidade Grande”, etc. Dessa forma, os diretores fazem com que aquele universo seja palpável.

Diante de um roteiro batido, porém bem objetivo, o longa acerta em trazer referências cinematográficas, como por exemplo, ao aproveitar do fato de ser mudo para utilizar o humor do cinema mudo. Indo além, os diretores homenageiam também obras cultuadas atualmente como O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991) e Breaking Bad, em duas sequências hilárias.

Shaun, o Carneiro  é uma obra divertida que consegue agradar tanto as crianças quanto os adultos, mas está longe do brilhantismo de Divertida Mente e O Menino e o Mundo.



Paulista radicado no Rio de Janeiro, produtor e futuro diretor; formado em cinema e amante da sétima arte. Fã de Kubrick, Tarantino, Fincher e defensor do cinema nacional. Eterno sonhador: sonho tanto que acredito fielmente que um dia nosso cinema será reconhecido por aqui.