14
mar
2016
Crítica: “Amy”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2016 • Postado por: Matheus Benjamin
Amy

Amy (Amy)

Asif Kapadia, 2015
Roteiro: Asif Kapadia
M3 Film

4.5

Amy Winehouse foi uma cantora, que, com uma breve carreira e com pouca idade conquistou diversos fãs, prêmios, sites de fofocas, sua família e muitas outras pessoas simplesmente por conta de seu estilo e de sua potência vocal. Suas letras eram carregadas de algo muito íntimo e sua maneira de se vestir, de se maquiar e de conversar com o público eram simples. E, talvez buscando inspirações na forma de Winehouse, o documentário Amy, dirigido por Asif Kapadia, é também feito de maneira simples, mas muito profunda. A trajetória da cantora que conquistou o mundo e que morreu aos 27 anos é contada por uma outra perspectiva, não se esquecendo de também fazer uma crítica à sociedade atual.

Montado com imagens de arquivos e entrevistas que quase narram tais imagens, além das músicas que aparecem na tela em alguns momentos precisos, o documentário inicia mostrando uma jovem sonhadora, cantando pra família, que gostaria muito de poder viver de sua arte; aquilo que gostasse, ela até diz em determinado momento que achava isso muito bom. Com o passar do tempo de projeção, o espectador conhece a ascensão de Amy por vários lugares, mostrando seu talento como cantora e compositora e tendo um carisma inigualável. É notável observar que suas influências eram as mais variadas, passando por diversas cantores e cantoras do soul, do pop e do rock. A narrativa avança de forma linear mostrando através de fotos de paparazzis várias passagens importantes na vida desta; seu estilo característico montado com seu penteado, sua maquiagem nos olhos, suas tatuagens e sua forma de encarar a fama são mostrados de forma interessante, sobretudo pelo olhar da mídia. As imagens de Amy na televisão, seja ganhando prêmios, dando entrevistas ou apenas vivendo mostram como este jeito de ser fora explorado em todos os sentidos por esta mídia para mais tarde, então, massacrá-la com seus problemas. Problemas estes que são bem colocados durante o filme, mostram as pessoas por traz do nome Amy Winehouse e o que queriam dela.

Durante o filme conhecemos companheiros, pais, amigos e produtores. Apesar de não querer culpar ninguém pelas imagens e relatos, fica claro a influência de alguns e de outros para o declínio da artista. Esta teve diversos problemas recorrentes com drogas e alcoolismo, que quando precisavam ser tratados, alguns se opunham dizendo que o show precisava continuar de qualquer forma; na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. É interessante ainda observar que Amy quisera muito viver de sua arte e que, talvez, não soubesse lidar com as consequências de tudo que isso viria a seguir. Todos os holofotes, toda a fama adquirida e de ser notícia a todo momento. Uma coisa triste de se pensar; os dois lados da moeda. Além de imaginar muito todas as essas situações difíceis, melancólicas e quase sem escapatórias, Amy tem passagens muito bonitas e que reforçam a doçura de uma menina que quer apenas cantar. Tony Bennett é o seu maior ídolo e os momentos em que se junta a ele para cantar são emocionantes, pois mostram o lado mais íntimo e verdadeiro da cantora, quando esta está tremula e nervosa por estar frente a frente uma das pessoas que mais admira.

Além deste encontro mostrado com muita delicadeza por parte da direção, quando Amy recebe a notícia de que vencera o grammy (enquanto se prepara para um show) o diretor apenas fornece ao público um dos momentos mais bonitos e felizes do longa e da carreira da cantora. O conjunto que o documentário entrega ao espectador é o que faz dele tão especial. Mostra muito sobre a vida particular da cantora (que não diferia muito da pública); da vida carregada de problemas com drogas, com a família; mostra também muito da relação dela com a fama, com o público e com as notícias, mas acima de tudo, mostra um lado que muitas pessoas ignoram: de que artistas, apesar de serem famosos, também tem o direito de viverem suas vidas em paz. Muito do que acontecera com Amy, também se deve ao que era noticiado pela mídia e comprado pelo público. Notável observar que o filme entrega muito disso para o público com êxito.

Com a narração da própria protagonista em determinados momentos muito delicados e felizes, o filme ainda reforça que mesmo que ela já tenha partido há algum tempo sua música se faz presente, sua arte ainda está viva e que sua figura ainda é icônica; a arte mais uma vez imortalizando o artista. Pois bem, ao terminar este filme com tudo o que ele oferece refaço o início de minha crítica: “Amy Winehouse É uma cantora […]”.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.