25
mar
2016
Crítica: “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”
Categorias: Críticas • Postado por: Marcelo Silva
20150529160625

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman vs Superman: Dawn of Justice)

Zack Snyder, 2016
Roteiro: Chris Terrio e David S. Goyer, baseados nos personagens de Bob Kane, Bill Finger, Jerry Siegel e Joe Shuster
Warner Bros

2.5

O mundo das adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos mudou em 2012. Pela primeira vez, um estúdio mostrou que é possível unir diferentes heróis em um filme de qualidade. Sim, estamos falando de Os Vingadores (Joss Whedon, 2012), sucesso de crítica e público. Logicamente, a Warner Bros e a DC Comics não poderiam assistir a tudo isso de braços cruzados. Trataram, então, de se planejar para lançar um projeto à altura dos da concorrente Marvel – e, depois de muitos boatos e surpresas durante a produção, Batman vs Superman: A Origem da Justiça finalmente chega aos cinemas.

A trama se passa pouco mais de um ano depois dos eventos de O Homem de Aço (Zack Snyder, 2013). Assustada com a destruição causada pelo combate entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon), a população se divide em relação ao papel do herói. Entre os que o enxergam como uma potencial ameaça, está Bruce Wayne (Ben Affleck), que, vestindo o uniforme de Batman, decide enfrentá-lo. Porém, enquanto os dois brigam, uma nova ameaça ganha força.

Mesmo experiente em adaptações de quadrinhos, Zack Snyder não deixa de ser um diretor bastante limitado, que, ao mesmo tempo em que demonstra cuidado especial na parte técnica dos seus filmes, possui uma enorme dificuldade na hora de desenvolver narrativas e personagens com coerência. Em Batman vs Superman, isso se torna ainda mais visível. Tendo uma carga excessiva de conteúdo em mãos, Snyder não consegue ditar ritmo ágil, o que acaba resultando em um filme cansativo, prolixo (há longas cenas de flashbacks e sonhos totalmente descartáveis) e cheio de pontas soltas que denotam uma preocupação desesperada em desenvolver grande parte do universo DC em apenas um filme.

O roteiro, assinado por Chris Terrio (de Argo) e David S. Goyer (da trilogia Cavaleiro das Trevas), também deixa a desejar, à medida que se mostra repleto de situações mal explicadas e ilógicas. Se acertam na construção dos protagonistas, os roteiristas erram feio com Lex Luthor (Jesse Einsenberg) e a Mulher-Maravilha (Gal Gadot). Enquanto o primeiro acaba se tornando um vilão extremamente ridículo e bobo com seus vícios, tiques e discursos excêntricos (afinal, aquele era o Charada ou o Luthor?), a personagem de Gadot fica totalmente deslocada da trama – sem nenhuma função relevante, ela poderia ter ficado de fora, caso o estúdio não tivesse pressa de unir os heróis em um filme da Liga da Justiça.

Apesar de todos os seus defeitos, é preciso reconhecer que a dinâmica entre os dois protagonistas realmente funciona. Ben Affleck está excepcional na pele de Bruce Wayne/Batman, calando a boca de todos aqueles que questionaram a sua escalação. Em uma performance acima da sua média, o ator compõe um homem-morcego mais velho, violento e desequilibrado do que o de Christian Bale.

Do outro lado, Henry Cavill mantém a boa atuação de O Homem de Aço e convence tanto como herói quanto como homem simples do Kansas. Seu romance com Lois Lane (a excelente Amy Adams) é, de fato, comovente e serve para mostrar o lado mais sentimental do kryptoniano.

O confronto entre Batman e Superman é o ponto forte do filme, um daqueles momentos capazes de fazer qualquer um vibrar e saltar da cadeira. É só uma pena que a intriga entre os dois seja resolvida de modo tão superficial, rápido e preguiçoso – sem dúvida, o roteiro deveria ter reservado algo melhor para o desfecho do combate que dá título ao longa.

A trilha sonora de Hans Zimmer cumpre bem o seu papel, apesar de estar longe dos melhores trabalhos do compositor. O destaque aqui é o tema da Mulher-Maravilha, uma composição bastante energética que contribui para criar um clima de força e valentia em torno da personagem.

Em suma, Batman vs Superman: A Origem da Justiça não chega a ser um filme medíocre, mas fica aquém do seu verdadeiro potencial. Diretor irregular, personagens mal desenvolvidos e roteiro pouco criativo são problemas que afetam a qualidade da obra. Contudo, como confronto épico entre dois ícones dos quadrinhos, ela merece, ao menos, ser assistida.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!