08
abr
2016
5 Séries Brasileiras para conhecer!
Categorias: Listas Radioativas, Séries de TV • Postado por: Matheus Benjamin

Primeiramente preciso dizer que não sou uma pessoa de séries. Aliás, da maioria das coisas seriadas (mas sobre isso a gente conversa em uma outra ocasião). Isso se deve à minha falta de paciência por acompanhar uma história por muito tempo (afinal são vários episódios e várias temporadas) e pela minha falta de disciplina. Pra vocês terem uma ideia da minha falta de disciplina, ano passado a Warner resolveu reprisar a primeira temporada de Gotham e Flash, duas séries que eu queria muito assistir. Mas só de lembrar que eu teria que separar todos os dias cerca de 40 minutos pra assisti-las acabei desistindo, se eu assisti mais que 3 episódios foi muito (se bem que Flash eu abandonei na metade do primeiro episódio). De certa forma, uma falta de interesse acabou me pegando e eu acho que se fosse assistir de outra forma fosse acabar gostando mais. Por isso eu sempre opto por assistir uma série só quando ela me chama MUITO a atenção, ou quando ela é curtinha e parece valer a pena.

Antigamente eu assistia algumas séries com mais regularidade, mas sempre optava por acompanhar os episódios semanalmente do que assistir 10 temporadas infinitas por um grandioso tempo; imagina se quando chegasse no final e tudo fosse horrível? Esse também era um dos meus medos de achar ter perdido tempo com algo que no fim das contas não valeu a pena (se bem que o meio do caminho poderia ser agradável, mas enfim).

aline

“Aline”, série exibida na tv aberta.

Dito isso, posso começar a falar um pouquinho sobre o assunto do post: Séries Brasileiras. Você provavelmente já assistiu pelo menos um episódio de alguma série brasileira na vida. Crescemos na tv aberta com diversas delas como Sai de Baixo, Os Normais, Aline, A Grande Família, A Diarista, Toma Lá Dá Cá e Confissões de Adolescente. Esses são só alguns exemplos de séries exibidas pela Tv Globo em algum momento das décadas passadas e que certamente marcaram muita gente (seja positiva ou negativamente). Atualmente alguns canais de tv aberta ainda exibem suas séries e conseguem arrancar alguns bons números de audiência com elas. O fato é que, por conta das novelas serem o principal carro chefe das emissoras brasileiras, a maioria das séries e/ou minisséries são deixadas um pouco de lado e ficando em segundo plano. Felizmente o mercado de séries brasileiras vem crescendo gradativamente e, apesar de eu não assistir muito a tantas séries, digo felizmente por trabalhar com audiovisual e este ser um novo nicho de possibilidade para trabalho.

Vocês devem saber que a Netflix resolveu investir mais nas séries brasileiras (e também em vários profissionais brasileiros, vide Narcos, com Wagner Moura, José Padilha e Fernando Coimbra). A série distópica 3% que ficou durante muito tempo no Youtube com episódios pilotos aguardando o interesse de alguma emissora foi comprada pela empresa e está sendo produzida com previsão de lançamento para ainda este ano. Sobre a Netflix a gente conversa em uma outra ocasião sobre seus prós e contras de um serviço novo e interessante para o audiovisual. Pois bem, trago aqui esta lista com algumas séries (da tv fechada e internet) que talvez muita gente não conheça e que merecem ser assistidas.

Do Amor (2012-2013)

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Sou fã de uma das idealizadoras da série, a atriz e diretora Maria Flor (que eu citei por tabela, acima, com Aline, da Globo) e fiquei sabendo desta produção por uma amiga que também gosta muito da atriz e me disse que ela tinha duas séries originais disponíveis na íntegra no canal de sua produtora no Vimeo. Logo, fui conferir Do Amor, que é incrível, com um ótimo elenco, direção, texto e trilha sonora. A história, contada em duas temporadas bem diferentes entre si, segue o acadêmico Pio e a fotógrafa Lulu. Os dois se conhecem em uma festa e por conta das circunstâncias acabam se apaixonando e morando juntos. Desde o primeiro episódio nós sabemos que o relacionamento dos dois não deu muito certo e que é cheio de idas e vindas, contudo vale a pena conferir não só por estes protagonistas bastante diferentes, mas também pelos coadjuvantes (os amigos deles) que também possuem tramas muito interessantes e reflexivas. A segunda temporada sofreu algumas mudanças no elenco, mas tudo deixou a série ainda mais interessante. A boa notícia é que vai sair um filme que continuará a história da segunda temporada. Vamos ver como vai ser! Você pode conferir Do Amor e Só Garotas no canal da Fina Flor aqui.

Vizinhos (2015)

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Sabe quando você está de bobeira na sua casa em pleno domingo de manhã passando pelos canais da tv procurando algo de bom pra assistir e se depara com o finalzinho do último episódio de uma série que aparentava ser incrível? Pois bem, foi assim que conheci Vizinhos em um domingo passando pela GNT. Logo de cara reconheci alguns dos atores: Bianca Byinton, Marcello Airoldi, Francisco Miguez e Gabriela Rocha (esses dois últimos participaram de um dos meus filmes favoritos da vida dirigido pela Laís Bodanski). Em apenas uma temporada com 13 episódios, que eu acho mais que suficiente para esta história, assistimos o encontro de duas gerações convivendo lado a lado e dividindo dilemas, dúvidas, incertezas e experiências. Acho que a maior virtude de Vizinhos é justamente sua honestidade para com o espectador, por tudo parecer tão palpável e identificável; isso fez com que a série entrasse na lista das minhas coisas favoritas da vida. Com um texto espetacular, personagens muito bem desenvolvidos, situações maravilhosamente bem escritas e um elenco carismático, VOCÊ merece assistir essa série para chorar e viver junto com essas pessoas tão humanas.

Lili, A Ex (2014)

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Deixando agora um pouco de lado a dramaticidade, o texto, de certa forma, pesado e bem realista das duas séries anteriores, Lili, A Ex é exibida pelo GNT e está em sua segunda temporada. Esse é mais um caso de conhecer um trabalho de uma de suas atrizes favoritas, nesse caso a Maria Casadevall, protagonizando uma história hilária, despretensiosa, repleta de boas sacadas, bom desenvolvimento e boa estrutura narrativa. A série brinca quase que o tempo todo mostrando visualmente algumas das coisas que se passam na cabeça de Lili, uma ex-esposa maníaca e quase psicopata por seu ex-marido, Reginaldo (Felipe Rocha) que quer apenas seguir em frente depois do término e viver em paz. Mas Lili, quase sempre acompanhada de sua mãe compulsiva por compras (vivida por Rosi Campos) e de sua amiga paranoica com seu peso Cintia (interpretada por Daniela Fontan e que possui um avô muito carismático vivido por Milton Gonçalves) promete fazer dos dias de seu ex-marido um inferno, principalmente agora que se mudou para o apartamento ao lado do dele. Vale a pena conferir e dar boas risadas nessa história um pouco mais fantasiosa e divertida.

A Menina Sem Qualidades (2012)

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A atmosfera pesada aliada ao texto frio faz dessa série muito melancólica. Exibida pela MTV Brasil em 2012, A Menina Sem Qualidades possui personagens muito complexos, com diversos lados a serem explorados, pensamentos que vão da extrema inteligência à negligência; uma trama repleta de momentos de tensão, os espectadores provavelmente irão se decepcionar muitas vezes com as atitudes quase impensadas (e as vezes muito bem planejadas) de Ana, vivida pela excelente atriz Bianca Comparato, uma adolescente problemática que já deu diversos problemas para sua família. É quando esta conhece Alex (interpretado por Rodrigo Pandolfo) que as coisas passam a ficar cada vez piores, pois ele a desafia de diversas formas. Além da mente perigosa de Ana, da atmosfera nua e crua e do elenco incrível (inclui aqui o ator argentino Javier Drolas, do filme Medianeras) temos um texto afiado e planos muito bem desenvolvidos pelo diretor Felipe Hirsch, baseado no livro de Juli Zeh (que eu ainda não consegui ler). Vale muito a pena conhecer esta menina sem qualidades.

Magnífica 70 (2015)

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Durante a ditadura militar, no Brasil, anos 70, um censurista (aquele rapaz encarregado de assistir a diversos filmes e censurá-los caso não estivessem de acordo com as “normas”) acaba ajudando uma produtora da Boca do Lixo, em São Paulo, a readequar um filme que ele mesmo havia censurado anteriormente. Com isso, ele acaba se envolvendo com a produção de novos filmes e relembrando uma história do passado marcada pela loucura. A atriz principal, os produtores, o companheiro dessa atriz e a esposa do censurista também são personagens recorrentes na trama que se desenrola de forma muito interessante e bem amarrada. Magnífica 70 é dirigida por Carolina Jabor e Cláudio Torres e foi exibida pela HBO, a série muito bem feita e com um elenco de nomes de peso como Marcos Winter, Simone Spoladore, Maria Luisa Mendonça, Adriano Garib, Stepan Nercessian, Joana Fomm, Leandro Firmino e Pierre Baitele. A direção de arte é caprichada para recriar a época com maestria e diversas referências do cinema da época são mostradas ao espectador que pode conhecer um pouco mais do trabalho da censura durante o período militar. Vale a pena conferir, ainda mais sabendo que a série ganhará uma segunda temporada em agosto deste ano.

Algumas Menções Honrosas da tv aberta e fechada: Zé do Caixão (exibida pelo Space), Só Garotas (disponível no canal Fina Flor), Capitu (exibida pela Rede Globo), Amorteamo (exibida pela Rede Globo), Pedro & Bianca (exibida pela Tv Cultura), Doce de Mãe (exibida pela Rede Globo), Três Teresas (exibida pelo GNT).

Para finalizar esse post, preciso ainda comentar um pouco sobre as minisséries, que se diferem destas séries aqui recomendadas por conta de seus formatos. Geralmente um seriado é exibido uma vez por semana e possui diversos personagens e arcos para serem desenvolvidos, enquanto a minissérie possui apenas um arco em questão com poucos episódios e uma certa sequência na exibição. Algumas emissoras inclusive compram (ou produzem) suas minisséries como uma história fechada, ou seja, sem novas temporadas para a história. É o caso de algumas que já conhecemos da tv aberta como Felizes para sempre?, Amores Roubados, Ligações Perigosas e etc.

Fica o aviso de que caso eu assista mais algumas séries brasileiras bacanas pode ser que role uma segunda parte deste tipo de post. O que acharam? Já assistiram algumas das séries citadas? Deixe nos comentários suas recomendações de séries brasileiras.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.