11
abr
2016
Pipoca F.A.R. 11# – Filmes passados em um único cenário
Categorias: Pipoca F.A.R. • Postado por: Pedro Bonavita

Filmes Altamente Recomendados está de volta!

No post de hoje, falarei sobre filmes que tem sua história contada toda ou praticamente em um único cenário. Esse tipo de roteiro é sempre um desafio pois precisa contar com direção e montagem eficientes para que não se perca o ritmo da narrativa.

Sidney Lumet e Alfred Hitchcock talvez sejam os dois melhores expoentes desse estilo.

12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men. Sidney Lumet, 1957) 

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É o meu filme preferido da vida. Talvez não seja uma escolha muito comum (na verdade não é!), mas a forma como Lumet conseguiu contar essa história é invejável. Dentro de um único cenário, uma sala dentro de um fórum, 12 Homens e Uma Sentença não é a respeito somente do julgamento daquele réu, mas julga também a sociedade como um todo. Cada personagem com sua personalidade, com seu preconceito, em um debate que dura cerca 96 minutos e que faz não só os que estão dentro da tela, mas todos os espectadores a reverem seus pré-julgamentos. Além do ótimo roteiro, contamos também com uma direção cirúrgica, principalmente no que diz respeito ao posicionamento de câmera.

Festim Diabólico (Rope. Alfred Hitchcock, 1948)

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Mestre Hitchcock (e de pensar que tem gente que não conhece seu trabalho). O filme é passado todo dentro de um apartamento, em uma festa. Mostra-se a preparação, a festa e o pós-festa. O roteiro gira em torno de um jovem que não aparece na festa, mas o espectador sabe desde a primeira sequência que o jovem está morto, como ele morreu, quem o matou e onde está o corpo. O interessante, porém, é notar como o diretor consegue mesmo assim manter o suspense e nos deixar imerso naquela história. Além, é claro, do notável falso plano sequência. Filmaço!

Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon. Sidney Lumet, 1975) 

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Quando junta um diretor espetacular com um ator do gabarito de Al Pacino, sabemos que dificilmente sairá um filme ruim. Um Dia de Cão é passado todo durante um assalto a um banco. Os assaltantes aqui são inexperientes, tratam bem os reféns e se assustam facilmente com a polícia. O motivo do assalto? Vai te surpreender e pode inclusive emocionar muita gente. Lumet ao lado de Pacino transformou uma história simples em uma obra de arte. A montagem é o principal elemento técnico para a construção do ritmo da narrativa, mas o que realmente faz com que o longa seja especial é a atuação de Al Pacino.

Deus da Carnificina (Carnage. Roman Polanski, 2011) 

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É um exercício de diálogo. Duas crianças brigam no playground e os pais vão conversar para tentar resolver a situação. A partir daí, vemos uma sucessão de feridas abertas e doídas nos dois casais. O que vale aqui é a força dos diálogos, do cinismo e da atuação do elenco, todos bem em cena. A direção ajuda a dar o ritmo, já que consegue explorar todo o apartamento onde o longa se passa. Polanski ironiza a sociedade hipócrita que tanto o condena.

Dogville (Idem. Lars von Trier, 2003) 

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Dogville é uma cidadezinha, eu sei. Mas é um cenário. Não é segredo pra ninguém que a cidade foi toda “construída” em um estúdio. A cenografia é de suma importância para a narrativa do longa. É teatral. Lars von Trier em sua melhor forma. Constrói um filme que faz com que o espectador encare seu lado mais egoísta de frente, mostrando como o ser humano é animalesco.



Paulista radicado no Rio de Janeiro, produtor e futuro diretor; formado em cinema e amante da sétima arte. Fã de Kubrick, Tarantino, Fincher e defensor do cinema nacional. Eterno sonhador: sonho tanto que acredito fielmente que um dia nosso cinema será reconhecido por aqui.