29
abr
2016
Pipoca Clássicos: “Perfume de Mulher”
Categorias: Pipoca Clássicos • Postado por: Marcelo Silva
20150529160625

Perfume de Mulher (Scent of a Woman)

Martin Brest, 1992
Roteiro: Bo Goldman
Prêmios: vencedor do Oscar de Melhor Ator (Al Pacino) e do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama, Ator (Al Pacino) e Roteiro
Universal Pictures

5

Certos personagens exigem dedicação total dos atores que os interpretam. Muitas vezes, o profissional vai além do que é esperado para alcançar a perfeição. Em 1992, Al Pacino conseguiu isso. Ele é, sem dúvida, o grande atrativo de Perfume de Mulher, refilmagem do longa italiano homônimo de 1974, que teve direção de Dino Risi.

Na história, Frank Slade (Al Pacino) é um ex-coronel cego que contrata o jovem estudante Charlie Simms (Chris O’Donnell) para ser seu acompanhante durante um fim de semana inesquecível em Nova York. Durante a viagem, os dois passam a se envolver com os problemas um do outro e têm suas vidas transformadas.

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que Pacino tem uma atuação estrondosa. Cada gesto, cada movimento de cabeça, cada palavra, tudo parece ser minuciosamente calculado e projetado pelo ator – fica até difícil acreditar que o homem que vemos em cena não é cego na vida real. Ele consegue como poucos transformar um sujeito extremamente ranzinza e grosseiro em um personagem digno do carinho do espectador.

Oscilando entre acessos de raiva, discursos irônicos, desabafos sinceros e momentos de puro charme com mulheres, Pacino protagoniza também uma das cenas mais bonitas da história do cinema: a dança de tango com a jovem Donna (Gabrielle Anwar). A música, os passos e as expressões dos atores compõem o que há de melhor nesse trecho.

Apesar de um pouco ofuscado pelo talento arrebatador do protagonista, Chris O’Donnell (o Robin dos filmes de Joel Schumacher) consegue bons momentos. O fato de o seu personagem estar passando por um complicado dilema em sua vida acadêmica e pessoal aproxima-o do público e colabora para uma boa química com o velho Frank Slade. Um exemplo disso é a cena do discurso no terceiro ato. Confrontado por um realismo de arrepiar, o espectador sente-se na pele de qualquer um dos presentes no auditório da tradicionalíssima Baird.

Apoiado pelo roteiro de Bo Goldman, que acerta ao não vitimizar em demasia o protagonista e evitar possíveis clichês (como o surgimento de um interesse amoroso que levaria Frank à sua redenção), o diretor Martin Brest consegue ditar um ritmo contínuo ao filme, que, em nenhum momento dos seus 156 minutos, torna-se cansativo ou lento.

A construção de Nova York como a cidade do glamour e dos prazeres também se mostra adequada – é o cenário ideal para o transformador fim de semana dos personagens.

Desse modo, Perfume de Mulher é um daqueles filmes que ficam na história da sétima arte não apenas por apresentar uma das melhores atuações já vistas em mais de cem anos de cinema, mas por ser uma fábula sobre amizade e integridade. Que o discurso do coronel Frank Slade sirva não só para os estudantes de Baird – que sirva, também, para qualquer pessoa, onde quer que ela esteja.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!