11
maio
2016
Livro e Filme: O Mágico de Oz
Categorias: Livro e Filme • Postado por: Matheus Benjamin

Um clássico do cinema hollywoodiano é baseado em um clássico da literatura infantil. O Mágico de Oz, de L Frank Baum foi publicado em 1900 e com o sucesso publicou diversas continuações para a história (cerca de 13 no total, antes de sua morte, deixando várias ideias anotadas pra trás), que inspiraram outras histórias de outros escritores sobre a lendária terra de Oz (como Gregory Maguire com a série Wicked) e diversos filmes (animações, livre atuação e etc). Nesse post teremos diversas curiosidades sobre o livro e o filme, além de algumas coisas inspiradas na história de Baum.

Zahar

Livro: O Mágico de Oz, de L Frank Baum. Zahar. 224 páginas. Skoob.

Filme: O Mágico de Oz, de Victor Flaming (1939). Roteiro de Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf, MGM.

A História

Considerado um conto de fadas genuinamente estadunidense, a narrativa conta a história de Dorothy, uma garota simples moradora do estado do Kansas que vive com seus tios e seu cachorro. Certo dia, um tornado ocorre e Dorothy acaba batendo a cabeça e indo parar na maravilhosa terra de Oz com sua casa esmagando uma bruxa má que oprimia os moradores da região onde ela está, sendo festejada. Mas a menina gostaria de voltar pra casa e para isso ela precisa recorrer ao mágico de Oz, na cidade das esmeraldas, seguindo o caminho dos tijolos amarelos. No caminho, Dorothy e Totó se unem a um Espantalho que quer ter um cérebro, um Homem de Lata que quer ter um coração e um Leão que quer ter coragem para irem pedir seus desejos a Oz. Quando chegam lá são surpreendidos e a história se torna ainda mais interessante a partir daí.

O Livro

O romance de Baum é incrível e delicioso de se ler. A edição da Zahar traz as ilustrações originais e com a leitura podemos perceber claramente as diferenças entre o livro e o filme. Para se ter uma ideia, há muito mais aventuras e desafios (e personagens) a serem explorados no livro, coisa que o filme deixou de lado para focar na história principal. A prosa do autor é viciante e merece ser lida. Fiquei com muita vontade de reler o livro (que passou rápido, de certa forma) assim que terminei. O leitor embarca em uma aventura junto dos protagonistas para alcançar seus objetivos que já estão, de certa forma, conquistados. Dorothy é uma menina inocente e sonhadora que desejava viver em um lugar melhor que o Kansar, mas aprende uma lição primorosa com sua jornada; assim como o Espantalho que percebe toda a sua esperteza e inteligência, mesmo sem ter um cérebro; o Homem de Lata também percebe que possui um coração e que é capaz de amar e o Leão demonstra toda sua coragem que pensava não existir para com seus amigos.

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Os pequenos desafios que a turma precisa realizar para conseguir a ajuda de Oz são incríveis e divertidos. Por tratar-se de uma história para crianças algumas coisas podem soar corridas e rápidas demais para algum leitor mais crítico, mas vestindo nossa capinha de criança (que já fomos um dia) podemos apreciar a narrativa em toda a sua bela forma; aliás a narrativa do autor, mais uma vez, é maravilhosa de ser lida.

Há dois textos de apoio nessa edição da Zahar (que não estão presentes na edição de bolso – que possui uma capa um tantinho diferente), uma delas falando sobre o autor e outra falando sobre as alegorias políticas que Baum poderia ter introduzido na história; interpretações acerca dos personagens e de diversas situações da trama com a história dos Estados Unidos. Um exemplo para ser citado é o populismo e as formas de manipulação para com a sociedade de massa. Na cidade das esmeraldas é lei usar óculos verdes; não necessariamente tudo na cidade era verde, mas as pessoas (inocentes) acreditavam nisso por sempre terem que usar os tais óculos para se locomoverem por lá. Todas essas interpretações são fascinantes de serem descobertas e oferecem ao leitor novas perspectivas para se pensar uma história que era aparentemente tão simples.

O Filme

Produzido pela MGM em 1939, dirigido por Victor Fleming e protagonizado por Judy Garland, no papel de Dorthy, possui diversas histórias curiosas de produção; além de ser um filme incrível visual e tecnicamente (pra época). Foi um dos pioneiros em longa-metragem, na história do cinema, a serem filmados em technicolor, mesmo com algumas cenas em preto e branco.

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Em janeiro de 1938, a MGM comprou os direitos de adaptação sobre o livro e o roteiro adaptado por Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf já estava pronto em outubro daquele ano, mesmo depois de passar por vários tratamentos até chegar no resultado que conhecemos. As filmagens se iniciaram em 13 de outubro de 1938 e foram concluídas apenas em 16 de março de 1939, sendo um filme quase completamente filmado dentro de um estúdio e contando com a estreia em 25 de agosto daquele ano. Alguns historiadores reportam que O Mágico de Oz serviu de teste para um outro filme dirigido por Fleming (E o Vento Levou, também lançado em 1939).

Judy Garland (que também é a mãe da cantora Liza Minelli) tinha apenas 17 anos quando foi escalada para viver Dorothy e para esconder seus seios, dando a entender de que era realmente uma criança, a atriz usou um espartilho durante as filmagens. Ela também quis adotar seu companheiro de cena, o cachorro Totó, conhecido como Terry, mas seu dono não permitiu, fazendo o cão ficar ainda mais famoso e trabalhar em mais alguns outros filmes. Aliás, os sapatinhos de Dorothy são vermelhos no filme (mas no livro são dourados), essa troca foi feita pois os produtores acreditavam que em technicolor o vermelho seria uma cor mais chamativa.

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Uma outra curiosidade sobre o elenco é com relação ao ator Buddy Ebsen, escalado inicialmente para viver o Espantalho. O ator Ray Bolger queria interpretar o Espantalho, por tratar-se de seu personagem favorito e acabou ficando com o papel. Ebsen foi remanejado para o Homem de Lata, mas acabou sofrendo com os produtos utilizados na maquiagem e indo parar no hospital. O ator foi substituído (junto da maquiagem tóxica) por Jack Haley. Suas cenas foram todas regravadas, com exceção das músicas. Outro caso de substituição foi da atriz Gale Sondergaard, escalada para viver a bruxa má (e bonita), mas acabou abandonando o projeto porque os produtores decidiram que a bruxa deveria ser feia, deixando o papel para Margaret Hamilton.

A cena em que Dorothy abre a porta de sua casa e se depara com Oz foi feita de uma forma muito interessante. Os produtores cogitaram fazer a cena toda em preto e branco e depois pintar a mão a película com as partes que deveriam ser coloridas. Mas o resultado não foi muito bom e além do mais, era muito trabalhoso. Como alternativa foi pensado que todo o cenário da casa seria o mais próximo possível da sépia, incluindo o vestido de Dorothy, para ser filmado em technicolor e dar a impressão de que eram ambientes diferentes. Nas cópias originais não fazia muito sentido já que o começo era todo em preto e branco e não em sépia, porém mais tarde tudo foi consertado e o começo do filme até o momento em que Dorothy chega em Oz foram convertidos para a sépia.

O longa venceu em duas categorias musicais no Oscar de 1940. Somewhere Over the Rainbow é uma das canções icônicas que marcaram a história do cinema.

Lendas Urbanas

A mais famosa lenda urbana acerca do filme de 1939 é a de que o álbum da banda britânica Pink Floyd (a partir do terceiro rugido do leão da MGM) casaria com todas as cenas durante o tempo do álbum Dark Side of the Moon, de 1973. Nada foi comprovado a respeito disso, são apenas ideias e conspirações sobre o filme e as músicas da banda para aguçar a curiosidade das pessoas. Se procurarem no YouTube possivelmente poderão encontrar algum vídeo que faz o casamento do filme com as músicas deste álbum icônico, diga-se de passagem.

Outra lenda urbana é a de que um figurante anão teria se suicidado durante as filmagens do longa e seu cadáver ou seu espírito estaria presente em uma das cenas do filme. Essa aqui da foto abaixo:

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Mas essa lenda foi contestada posteriormente e essa coisa vista no fundo da cena nada mais era do que um pássaro abrindo suas asas.

Concluindo

Há ainda o longa O Mundo Fantástico de Oz (Walter Murch, 1987), o longa em animação Mundo Maravilhoso de Oz – O Regresso (Hal Sutherland, 1974), a série animada para a televisão de 1990 e o blockbuster recente Oz, Mágico e Poderoso (Oz: The Great and Powerful. Sam Raimi, 2013) que seria uma espécie de prequel à trajetória de Dorothy.

E você? Sabia de todas essas curiosidades sobre o filme? Já leu o livro de L Frank Baum? Deixe aqui suas interpretações e impressões a respeito do filme.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.