08
maio
2016
Pipoca F.A.R. 13# – Filmes Sobre Mães
Categorias: Pipoca F.A.R. • Postado por: Matheus Benjamin

Hoje é dia das mães e para comemorar o Pipoca Radioativa resolveu indicar filmes sobre mães (ou filmes onde as mães têm grande influência sobre seus filhos protagonistas). Nessa lista três membros do site relembraram alguns longas interessantes que retratam de diversas formas as mães que passam por diversas situações a favor de seus filhos. São tramas fortes, com personagens fortes e situações muito diferentes para se apreciar. Abrace sua mãe e venha conferir nossas dicas!

Psicose (Psycho. Alfred Hitchcock, 1960) – Por Raphael Cancellier

Janet Leigh in Psycho

Marion (Janet Leight), na clássica cena do chuveiro.

Se tem uma mãe que não soube muito bem educar a sua cria, essa mãe foi dona Norma Bates, no clássico suspense do mestre do horror, Alfred Hitchcock. No filme, Marion Crane (Janet Leight) rouba uma quantia em dinheiro do seu chefe, acreditando que esse é o melhor caminho para se casar com o seu amante. A secretária foge da cidade em que morava e se esconde em um motel decadente, o icônico Bates Motel. Lá, Crane se depara com o dono do local, Norman Bates (Anthony Perkins), que mantém o hábito sombrio de empalhar pássaros. A jovem é assassinada pela suposta senhora Bates, após ouvirmos uma discussão entre o filho e ela, em que a mãe mostra o seu descontentamento e a superproteção com que trata Norman, principalmente por ele ter contato com outra mulher. Durante as investigações e o desenrolar do filme, regado a muito suspense, nos deparamos com uma história mórbida e conhecemos a doentia relação entre Norman e Norma. A produção foi indicada ao Oscar em 1961 nas categorias de melhor direção, atriz coadjuvante (Leigh), direção de arte e fotografia. Leigh ganhou o Globo de Ouro pela sua personagem. Para quem ainda não conhece, não deixe de prestar atenção na clássica cena do assassinato de Marion no chuveiro.

O Óleo de Lorenzo (Lorenzo’s Oil. George Miller, 1992) – Por Marcelo Silva

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Augusto (Nick Nolte), Lorenzo (Billy Ammam) e Michaela (Susan Sarandon); filme foi indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Sarandon) e Roteiro Original.

O pequeno Lorenzo Odone (Billy Amman) levava uma vida normal até começar a apresentar alguns comportamentos estranhos e ser diagnosticado com uma doença terminal. Porém, essa dura notícia não desanima os pais do garoto, que se lançam em uma incansável jornada atrás da cura, desafiando médicos, cientistas e grupos de apoio. Interpretada por Susan Sarandon, Michaela Odone, mãe de Lorenzo, tem uma papel crucial na trama. Junto com o marido (vivido pelo excelente Nick Nolte), ela mostra-se determinada a lutar pela vida do filho e passa por uma montanha-russa de emoções – da dor da terrível descoberta à expectativa de uma cura, somos levados a sentir na pele tudo o que a personagem enfrenta. É interessante observar que, em momento algum, ela se vitimiza e se entrega ao desânimo. Muito pelo contrário: Michaela vai além dos seus próprios limites pelo filho. Quer um exemplo de mãe melhor que essa?

Dançando no Escuro (Dancer in the Dark. Lars von Trier, 2000) – Por Matheus Benjamin

Björk, intérprete da operária Selma.

Björk, intérprete da operária Selma.

Um dos filmes mais tristes que eu já assisti na vida, Dançando no Escuro ou Dancer in the Dark – no original – é dirigido pelo polêmico e incrível dinamarquês Lars von Trier. Protagonizado pela cantora Björk e se passando nos Estados Unidos, o longa conta a história de Selma, uma operária humilde que possui problemas na visão e que a deixam cega dia após dia, sendo essa doença hereditária, ou seja, pode ser que seu filho acabe ficando cego também. Para evitar isso, a operária guarda todo o seu dinheiro para a cirurgia do filho que é bastante cara. Certo dia, um amigo de Selma acaba roubando seu dinheiro e fazendo-na cometer uma atrocidade em favor do dinheiro e do futuro de seu filho. O filme tem momentos brutais durante sua narrativa, que são contrastados com as músicas que Selma canta para fugir da realidade, como se sonhasse. Dá um aperto no peito acompanhar esta história sobre egoísmo, que nos deixa aflitos e com os olhos vidrados quando acaba. Vale a pena conferir o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes!

Transamerica (Idem. Duncan Tucker, 2005) – Por Matheus Benjamin

Bree (Felicity Huffman) e seu filho Toby (Kevin Zegers).

Bree (Felicity Huffman) e seu filho Toby (Kevin Zegers).

Para poder conseguir a assinatura de um psicólogo em seu laudo para realizar sua cirurgia de readequação sexual, uma mulher trans precisa conhecer um filho do qual nem sabia da existência e que aparentemente tem todos os problemas do mundo e que precisa de sua ajuda. Para isso, Bree (interpretada por Felicity Huffman – uma mulher cisgênero) encontra seu filho e os dois embarcam em uma viagem até Los Angeles, transformando o longa em um road movie muito divertido e interessante de se conferir, onde os personagens unem seus laços através de diversos desentendimentos, confusões e quebras de tabus. É notável ressaltar que a intérprete de Bree foi indicada a diversos prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Atriz. Vale a pena conferir essa história!

Juno (Idem. Jason Reitman, 2007) – Por Raphael Cancellier

juno

 Paulie (Michael Cera) e Juno (Ellen Page).

Juno (Ellen Page) também não foi uma mãe muito dedicada ao seu filho. Neste drama canadense, Juno é uma adolescente que engravida do seu melhor amigo (Michael Cera). A partir daí, o filme se desenvolve por meio dos dramas e questionamentos da protagonista, que conta com a ajuda dos pais para conseguir um casal que adote a criança. Um dos grandes destaque do filme é a personalidade sarcástica e questionadora de Juno, incomum a uma jovem de 16 anos. A produção tem uma aura folk por conta da inspiradíssima direção de Reitman e pelas ótimas canções que compõem a trilha sonora. O filme rendeu o Oscar 2008 de Melhor Roteiro Original a Diablo Cody (pseudônimo de Brook Busey).

Incêndios (Incendies. Denis Villeneuve, 2010) – Por Matheus Benjamin

Lubna Azabal intérprete de Nawal Marwan.

Lubna Azabal intérprete de Nawal Marwan.

Um dos melhores filmes assistidos no ano passado (e nos últimos dias do ano), Incendies foi uma grata surpresa. Um filme do qual eu não sabia nada da história e foi me surpreendendo a cada cena. Denis Villeneuve é um diretor incrível, com um estilo de se fazer cinema muito interessante tanto estética, quanto tecnicamente. A história deste filme, no entanto, é baseada em uma peça de Wajdi Mouawad e conta a história de dois irmãos gêmeos, Jeanne e Simon, lendo o testamento de sua mãe, Nawal Marwan e recebendo uma tarefa da mesma para entregar uma carta ao pai e ao irmão. Os dois se questionam sobre isso já que não têm contato com nenhum dos dois (inclusive nem sabiam de um irmão) e partem em direção a reconstrução da história da mãe libanesa para saber o que aconteceu em sua vida.

Precisamos Falar Sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin. Lynne Ramsay, 2011) – Por Marcelo Silva

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Eva (Tilda Swinton).

Perturbador, chocante, realista, melancólico. Precisamos Falar Sobre o Kevin não é um filme de terror, mas causa mais impacto que muitas obras desse gênero. A obra explora o lado sombrio da maternidade a partir da história do complicado relacionamento de Eva (Tilda Swinton) com Kevin (Ezra Miller), seu filho mais velho. Por mais que soubesse do comportamento problemático do adolescente, ela não poderia imaginar o que ele seria capaz de fazer. Contando com atuações irretocáveis de Tilda Swinton e Ezra Miller, o filme deixa qualquer espectador incomodado. Se estávamos acostumados a ver o papel da mãe de modo idealizado no cinema, somos levados a repensar nossos conceitos. No fim, uma pergunta fica no ar: como Kevin chegou a esse ponto?

Claro que tem vários outros filmes sobre mães que são igualmente recomendáveis e incríveis como Tudo Sobre Minha Mãe (Pedro Almodóvar, 1999), Eu Matei a Minha Mãe (Xavier Dolan, 2009), Valente (Brenda Chapman e Mark Andrews, 2012) e Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert, 2015). E você? Qual seu filme sobre mãe favorito?



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.