14
jun
2016
Crítica: “O Castelo Animado”
Categorias: Críticas, Maratona Studio Ghibli • Postado por: Matheus Benjamin
O Castelo Animado

O Castelo Animado (Howl no Ugoku Shiro)

Hayao Miyazaki, 2004
Roteiro: Hayao Miyazaki
Walt Disney Pictures

4.5

Baseado no romance homônimo da escritora britânica Diana Wynne Jones (publicado em 1986, sendo o primeiro de uma trilogia), o Studio Ghibli lançou O Castelo Animado, sendo mais uma adaptação feita por Hayao Miyazaki. O longa traz questões muito interessantes durante a narrativa, tem críticas sutis às formas sociais da vida moderna e contemporânea e muita magia e fantasia, é claro. O que parecia ser um singelo conto de fadas com questões mais profundas torna-se um grandioso filme sobre redenção, mistério e formação.

Sophie é uma jovem moça chapeleira, sem grandes ambições na vida, que trabalha na loja de sua família durante, ao que parece ser, a era vitoriana na Inglaterra (período que abrange o reinado da rainha Vitória entre e 1837-1901). Certo dia, passando pelo lugar onde mora é atormentada por dois membros da guarda e é salva por um misterioso rapaz que em seguida revela-se um poderoso mago. Por conta disso, uma feiticeira, a Bruxa das Terras Desoladas, muito invejosa e ambiciosa resolve jogar uma maldição na pobre jovem e ela acaba ficando com uma aparência de velha. Contudo, sua maldição não pode ser divulgada e ela resolve se isolar nos campos. Por lá, conhece um espantalho que a guia até um misterioso e mágico castelo andante e dentro dele Sophie conhece muito mais sobre o mago Howl e toda a sua magia. No castelo existe um fogo encantado chamado Calcifer, que ao que tudo indica é o responsável pela manutenção do castelo e de fazê-lo se mover. Sophie logo se incomoda com a bagunça do local e resolve limpa-lo.

No castelo a jovem velha conhece Marco, um garoto que ajuda Howl nos afazeres mágicos do castelo, vendendo poções para populações diferentes e o próprio Howl, a quem se apresenta como uma empregada disposta a dar um jeito em toda a bagunça que todos os moradores daquele lugar fazem. Sophie logo descobre que a porta do local é carregada de mudanças; as cores de um painel que fica a seu lado é que determinam onde essa porta vai abrir. E nela, a jovem velha encontra uma cidade litorânea, a cidade da realeza, o campo onde fora encontrada e um local todo preto ao qual só Howl pode entrar. Conforme a história avança percebe-se uma guerra maligna que assola os personagens como pano de fundo, uma vilã Madame Suliman que quer que Howl seja seu sucessor e os problemas pessoais e mistérios que envolvem Howl e sua família.

Durante a trama, diversos personagens, muito bem construídos na trajetória dos protagonistas são inseridos; são todos multidimensionais, com grandes tramas pessoais. O espantalho, chamado por Sophie de Cara-de-Nabo, mostra-se um grande companheiro para todos eles, sempre disposto a ajudar, mesmo que não consiga falar uma palavra sequer; parece que o mesmo também fora amaldiçoado por algum feiticeiro e busca ajuda. O cachorrinho Heen também um personagem companheiro, que mesmo sendo um cachorro livre de malícias e poderes, consegue ajudar seus amigos do jeito que pode. O mesmo era o mascote de Madame Suliman, que é uma maga poderosíssima e fora mestre de Howl no passado. Até a Bruxa das Terras Desoladas mostra-se uma personagem encantadora e mesmo com sua mudança física e mental, ela ainda mantém uma ambição de conquistar e guardar o coração de Howl para si.

O longa é incrivelmente bem montado, estruturado em seu roteiro e dirigido de forma encantadora e capaz de deixar o espectador em constante euforia; as aventuras que o castelo traz para a tela são interessantes ao mesmo tempo que comoventes, com um drama gostoso de ser acompanhado. A trilha sonora do incrível Joe Hisaishi também tem um papel fundamental na construção narrativa e ajudam as cenas a serem mais leves e bonitas, diga-se de passagem. Outro ponto muito curioso e interessante é a riqueza de detalhes que a animação leva em consideração na construção de cenários, design de personagens e tudo que esteja visível em tela. A qualidade é impecável (dizer isso do Studio Ghibli é chover no molhado), mas para este filme tudo parece se encaixar ainda mais perfeitamente. As cores utilizadas são riquíssimas e ajudam muito na elaboração e sentimentos e personalidades dos personagens; mostrando suas evoluções pessoais, amadurecimentos e coisas do tipo.

Sendo um dos maiores sucessos de Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli, O Castelo Animado é um filme para os apaixonados em fantasia deixarem se guiar pela magia encantadora, pelas belas imagens de paisagens, da época que o filme retrata e por personagens-guia que são maravilhosamente bem incrementados à uma trama fácil e única a ser seguida. Merece ser visto ainda por muito tempo.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-MA-LA" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta Produções.