18
jun
2016
Crítica: “Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar”
Categorias: Críticas, Maratona Studio Ghibli • Postado por: Matheus Benjamin
MPW-42323

Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar (Gake no Ue no Ponyo)

Hayao Miyazaki, 2008
Roteiro: Hayao Miyazaki
Walt Disney Pictures

4

O diretor e roteirista Hayao Miyazaki, desta vez, junto de seus animadores competentes e incríveis do Studio Ghibli, conseguiu transpor para a tela uma mistura de cores sensacional e talvez mais deslumbrante que qualquer outro de seus filmes até então. A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado são filmes incríveis com designs de produção igualmente incríveis, mas em Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar tudo funciona tão bem, quanto nesses dois outros sucessos, apesar de ser uma história um pouco mais acessível para crianças que nesses outros casos. A arte, inclusive, parece ter adquirido uma grande evolução no quesito cores.

A amizade ainda é tema recorrente do roteiro e ainda falando sobre cores, elas predominam em todos as cenas deixando o espectador completamente motivado a conhecer melhor a história que está sendo contada. As imagens são extremamente bem cuidadas, fazendo um deslumbre nos olhos dos espectadores. Além de uma bela história de amizade e coragem, temos uma crítica à poluição ambiental, como sempre se vê na maioria dos filmes de Miyazaki, mas com uma suavidade ainda maior e delicadeza fluida.

O filme conta a história de Sosuke, um garotinho de cinco anos de idade que em um belo dia encontra um peixinho dourado na costa da praia e que, de certa forma, o menino havia salvo tal peixinho da sujeira e cobiça humana e o colocou em um balde para que este não morresse, aliás ela não morresse. Acontece que a peixinha, na verdade, não era uma peixinha comum como vemos por aí e sim uma criatura mágica com uma aparência diferente de algum simples animal marinho. Sosuke logo lhe batiza de Ponyo e a amizade dos dois começa nesse instante, sendo que Ponyo acaba tendo contato com o sangue do garoto e o curando, dando mais indícios de tratava-se de um ser fantástico com poderes mágicos.

Acontece que Ponyo não deveria ter entrado em contato com humanos e seu pai logo acha que ela fora raptada por eles, saindo a procura de sua filha desesperadamente. É bastante interessante observar que os pais da Ponyo também são seres fantásticos e com aparências diferentes, espécies de mãe/pai-natureza. Logo, o pai de Ponyo a encontra e obviamente a força a voltar com ele, mas esta não queria mais se separar de seu novo amigo e, portanto, dá um jeito de escapar para viver com ele. Como entrara em contato com os humanos, até com o sangue de Sosuke, a peixinha agora consegue se transformar em humana e, após isso, foge para a casa de seu mais antigo-novo-amigo provocando uma séria e forte tempestade enquanto esse evento ocorre.

Como já mencionado anteriormente, a fotografia do longa é bem colorida, realçando todos os pequenos detalhes do fundo do oceano, como também dando leveza aos personagens terrestres. A casa de Sosuke possui uma grande paleta de cores quentes e frias que se unem. Aliás, tudo isso contribui para contar a história que corre em paralelo de sua amizade com Ponyo, já que seu pai é um marinheiro que fica grande parte do tempo distante de casa. A trilha sonora também possui grande harmonia com as cenas e o desenvolvimento do roteiro. A animação é de uma qualidade ímpar, os personagens tem ações tão singelas e detalhistas que quando reparadas dão ainda mais leveza ao restante do filme.

Embora pareça ser um filme muito infantil (mas que eu acredito ser só uma ideia de acessibilidade para crianças menores), tem um enredo consistente, com mensagens bonitas de serem vistas e criativas, talvez inspirado no conto da Pequena Sereia (que muita gente já deve conhecer por conta do longa em animação da Disney de 1989) sob uma nova perspectiva de se enxergar a história, já que entre as motivações de Ponyo para se transformar em uma humana está a amizade com um terrestre. Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar tem roteiro muito bem construído e dirigido, além de imagens deslumbrantes, de qualidade e que fazem da história ainda melhor. É um longa sutil, doce e delicado deixando o expectador (minha irmã pequena, por exemplo) emocionado com seu belíssimo acabamento e desenvolvimento.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-MA-LA" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta Produções.