12
jun
2016
Crítica: “The Beauty Inside”
Categorias: Críticas • Postado por: Andressa Gomes
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The Beauty Inside (뷰티 인사이드)

BaekJong-yeo, 2015
Roteiro: Seon-Jeong Kim, Jeong-Ye Park, Kyung-Hee Noh
Next Entertainment World (Coreia do Sul) e  Well Go USA (Estados Unidos)

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O que define quem somos? Onde está a essência de cada ser humano? A beleza interior é realmente o mais importante? São questões como essas que permeiam a obra The Beauty Inside, produção do ano de 2015, dirigida por BaekJong-yeo. Trata-se de um remake de uma produção americana de 2012 produzida pela Intel e pela Toshiba. O filme conta a historia de Woo-jin, um designer de móveis que desde os 18 anos possui o dom (ou a maldição) de acordar todo dia em um corpo diferente, transcendendo barreiras de gênero, idade e nacionalidade. Sua rotina muda quando se apaixona pela vendedora Yi soo (Han Hyo Joo).

Primeiro, é importante estabelecer que se trata de uma comédia românica. Aqueles que procuram uma explicação racional ou científica para esse poder do personagem irão se decepcionar, não se trata também de um filme denso ou angustiante para o espectador. No momento em que o filme começa, Woo-jin, assim como seu melhor amigo e sua mãe, se mostra acostumado com as particularidades que o seu dom implica na sua rotina. Os questionamentos existenciais estão presentes na história, mas o que mais prende e emociona é a historia de amor.

Os fãs do gênero comédia romântica não irão se decepcionar. A fórmula está presente junto com seus clichês. Um casal se apaixona, se desentende para mais tarde se reconciliar. O roteiro fez bem em dar nuances à personagem Yi soo que tinha tudo para ser mais uma típica mocinha chata e perfeita demais.

O publico vai fundo no dilema dos personagens, sentindo apatia por ambos. No caso de Yi Soo, existe o medo e a incerteza com relação ao corpo de seu namorado todos os dias além da preocupação com a opinião daqueles que a cercam, no caso de Woo-Jin existe o sentimento de culpa pelo constante stress que Yi Soo sente enquanto tenta se acostumar com aquela situação.

Em determina cena, o personagem Woo-jin declara que prefere ser bonito, alto e jovem, pois, mesmo sabendo  que a beleza vem de dentro, tem consciência que a primeira impressão é muito importante. Quantas vezes não desejamos alterar nossa aparência em prol da estética? O padrão de beleza imposto pela mídia e pela sociedade tem grande influencia na vida das pessoas, muita vezes, sem que elas percebam.

A personagem Yi Soo em um primeiro momento cede às investidas de Woo-jin devido à beleza do corpo que ele habitava naquele momento. O personagem tem plena experiência empírica de que seu interior não se altera, mas mesmo assim prefere se apresentar às pessoas quando está dentro dos “padrões”. A aparência não define quem somos ou quem podemos vir a ser quando acordamos todos os dias.

Em nenhum momento Woo-Jin altera sua essência (homem, masculino, heterossexual) ou sua personalidade. O filme também convida o espectador a realizar outra reflexão pois a transformação física pode ser vista como uma metáfora da própria natureza humana. Enquanto seres humanos, todos estamos em constante transformação ou amadurecimento, hoje estamos mais velhos e mais experientes do que ontem e amanhã estaremos ainda mais velhos e experientes, por tanto diferentes. Umas das frases mais marcantes do filme vem da personagem Yi soo, quando ela reflete: “Eu sou a mesma pessoa que era ontem ?”

O diretor faz um excelente trabalho na direção de atores. O personagem Woo-jin manteve coerência e uma certa aura, com certo maneirismo e delicadeza que todos os atores mantiveram com excelência. Destaque para as atrizes Juri Ueno e Chun woo hee. Ambas realizaram cenas importantíssimas com a personagem Yi Soo, e o fizeram de forma magistral. Percebe-se apenas no olhar todo amor sentido pelo personagem. Cabe também destacar a interpretação da atriz Han Hyo joo, que demonstrou competência como protagonista e sintonia com a maior parte dos atores e atrizes que interpretaram Woo-jin. Outro ponto notável é o gosto do diretor de fotografia por iluminações realistas e são constantes e admiráveis as cenas de interior cuja única fonte de luz para os personagens é o sol.

O roteiro possui vários pontos positivos, mas peca pela “barriga” do meio para o final, com monólogos interiores repetitivos e desnecessários para o entendimento do publico e desenrolar da trama. O enredo poderia ter sido facilmente desenvolvido em 80 ou 90 minutos. Uma curiosidade é a quantidade de atores que interpretaram o personagem principal: 123, sendo 21 com maior destaque. Os outros, assim como parte da equipe de produção atuaram nas cenas de montagens (de flashback e passagem de tempo) dos momentos de Woo-jin.



Não lembro de uma época em que os filmes ou a TV não fossem parte da minha vida. Considero o Cinema mais do que entretenimento, uma das mais completas formas de arte e de registro da humanidade. Estudante de Cinema e Audiovisual. Dentre os diretores/roteiristas favoritos estão: François Ozon, Lars Von Trier, Michael Haneke, Satoshi Kon e Vincent Minneli. Sem vergonha de gostar de consumir/discutir cultura pop, viciada em “The Big Bang Theory”, alguns reality shows (Master Chef, The Bachelor) e séries coreanas.