17
jun
2016
Top 11 – Nossos Filmes Brasileiros Favoritos!
Categorias: Top 11 • Postado por: Matheus Benjamin

O Cinema Brasileiro é um dos cinemas mais subestimados pelos próprios brasileiros. Mas como a galera do Pipoca Radioativa gosta muito e apóia este cinema, resolvemos fazer uma lista com os nossos filmes nacionais favoritos mostrando que “nacional” não é um gênero como muitos o colocam e sim como um cinema forte e rico com vários estilos, diretores, histórias e ícones. Não deixe de comentar pra gente qual os seus filmes brasileiros favoritos e aqueles que você acha que todos devem assistir na vida pra parar de falar besteira sobre o nosso amado cinema!

OBS: As críticas dos filmes que estiverem no site estarão linkados em seu título.

Lista por: Matheus Benjamin

Matheus

11º Lugar – Madame Satã (Karim Aïnouz, 2004)

João Francisco dos Santos foi um transformista brasileiro, referência presente na cultura marginal e urbana do comecinho do século XX no bairro boêmio da Lapa, no Rio de Janeiro. O artista frequentador era conhecido por Madame Satã. Negro, capoeirista, pobre, homossexual e ex-presidiário, João fora célebre e muito importante. O longa de Aïnouz é um dos melhores do cinema brasileiro não só por ilustrar a vida de um grande artista (interpretado por Lázaro Ramos) que precisou superar diversas barreiras que o impediam de se expressar e ser feliz, mas também por seu jeito de contar essa história. Aïnouz é um diretor muito estiloso e com uma personalidade interessante; seu distanciamento e ao mesmo tempo imersão em seus personagens é algo bonito de ser visto na tela. O filme ainda ganhou projeção internacional por vários festivais.

10º Lugar – O Lobo Atrás da Porta (Fernando Coimbra, 2014)

No ano de 2014, o Brasil celebrou diversas produções excelentes e entre as mais incríveis está O Lobo Atrás da Porta dirigido por Fernando Coimbra, sendo seu primeiro longa de ficção, o mesmo até então só havia dirigido curtas-metragens. Protagonizado por Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabíula Nascimento, o filme conta a história de um crime passional sob diversos pontos de vistas colhidos por um delegado. A narrativa inspirada em um crime real é incrível e a direção de Coimbra aliada às atuações do elenco fazem do longa um dos filmes brasileiros favoritos.

9º Lugar – Pixote: A Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1980)

A concepção e desenvolvimento de Pixote se deu de forma bastante incomum. O elenco fora escolhido pelo diretor entre vários meninos que viveram na rua. O protagonista (Fernando Ramos da Silva) que era um garoto de rua e que cometera alguns crimes no passado queria sair desta vida e seguir na carreira de ator; fazendo grande sucesso com seu primeiro longa, mas infelizmente morreu assassinado e sua história resultou o documentário Quem Matou Pixote? (José Joffily, 1996). História trágica à parte, Pixote é um retrato de meninos que instigados pela boa vida que os crimes lhe trazem resolvem se arriscar nas mais diversas formas de se dar bem. Destaque para Marília Pêra interpretando a prostituta Sueli, um de seus maiores e icônicos personagens.

8º Lugar – Bicho de Sete Cabeças (Laís Bodanzky, 2001)

Com roteiro de Luiz Bolognesi e dirigido pela maravilhosa Laís Bodanzky, o filme é baseado no livro Canto dos Malditos de Austregésilo Carrano Bueno. Algumas das cenas pesadas desse filme ficaram na minha cabeça por muito tempo, sobretudo uma em específico: da solitária aliada à fumaça. Protagonizado por Rodrigo Santoro, Othon Bastos e Cássia Kiss, o longa mostra a vida de um jovem que é internado à força em uma clínica psiquiátrica porque seus pais acreditam que ele esteja viciado em drogas, já que seu pai encontrara um cigarro de maconha no meio de suas coisas. A partir daí, vemos o cotidiano da clínica, com todos os métodos abusivos de se cuidar dos pacientes, além da relação turbulenta entre pais e filhos. É um dos grandes filmes brasileiros por essa trama forte muito bem construída e do maravilhoso elenco.

7º Lugar – Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)

Raduan Nassar é um de nossos maiores escritores e seus livros já ganharam algumas adaptações para o cinema. A mais célebre em minha opinião (embora ainda não tenha tido a oportunidade de ler este título em questão) é Lavoura Arcaica, dirigido pelo incrível Luiz Fernando Carvalho (que você deve conhecer de alguns trabalhos memoráveis na televisão como Hoje é dia de Maria, Capitu, A Pedra do Reino e Meu Pedacinho de Chão). O drama familiar e um tanto quanto político conta a história de André (Selton Mello) que se rebela contra as regras estabelecidas por seu pai na vida da fazenda e resolve fugir pra cidade. É um longa com uma montagem muito interessante, com dramas latentes e histórias incríveis que se cruzam através da história pessoal de seu protagonista. Merece ser visto pela incrível direção de Luiz Fernando Carvalho, pelas atuações e por todos os outros fatores cinematográficos que fazem deste um dos melhores longas que eu já vi.

6º Lugar – Elena (Petra Costa, 2012)

O documentário de Petra Costa merece estar na lista por tudo o que representa. Elena foi um dos melhores filmes vistos no ano passado, daqueles que não saem da cabeça mesmo depois de tanto tempo. O longa tenta fazer uma reconstrução da memória de Elena de Andrade, irmã mais velha de Petra, que sonhava em ser atriz em Hollywood, que gostava de filmar o cotidiano com uma filmadora caseira dada de presente por seus pais em seu aniversário de 13 anos (aniversário este que precedeu o nascimento de Petra). A diretora faz uma jornada muito íntima e pessoal por sua própria história para descobrir quem de fato fora sua amada e desconhecida irmã. É um filme melancólico, lindo e extremamente tocante. Merece ser visto e merece estar nessa lista!

5º Lugar – Terra em Transe (Glauber Rocha, 1967)

Não poderia deixar um dos maiores cineastas brasileiros de fora desta lista. Glauber Rocha (que tem o mesmo sobrenome que eu, olha só) influenciou grandes cineastas do mundo, entre eles, o incrível Martin Scorsese. Terra em Transe é meu filme favorito dele e conta a história de um país fictício chamado de Eldorado, onde a política é bem próxima da que conhecemos no Brasil. Em meio a diversos jogos políticos, corrupções e golpes, as críticas ferrenhas e alegóricas elaboradas pelo longa são incríveis e faz um do filme um dos melhores do nosso cinema. Merece ser visto para conhecer a estética de Glauber Rocha (embora muita gente insista em recomendar Deus e o Diabo na Terra do Sol para tal feito), as motivações do Cinema Novo brasileiro e para refletir sobre diversas questões relevantes para a sociedade.

4º Lugar – Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

Recordista em indicações a prêmios, menções honrosas e afins, o longa de Fernando Meirelles ganhou o mundo. Baseado no livro homônimo de Paulo Lins e com roteiro de Bráulio Mantovani, conta a história de diversos personagens moradores da então jovem Cidade de Deus, no Rio de Janeiro na década de 60. O crime organizado no local é o tema principal e que une todos esses personagens que vão sendo apresentados, entre eles, o ícone Dadinho (na verdade, Dadinho o caralho, o nome dele é Zé Pequeno). Narrado pelo menino conhecido como Buscapé, o filme vai mostrando também como esse lugar se tornou até os anos 80 um dos mais perigosos para se estar. Além de uma história e narrativa muito bem construídas e memoráveis, o filme também se tornou um dos mais importantes de todos os tempos no Brasil por sua estética completamente naturalista e bem próxima da realidade. É importante ser visto por todos aqueles que gostam de cinema!

3º Lugar – Abril Despedaçado (Walter Salles, 2001)

Walter Salles é um dos caras que eu mais admiro do cinema brasileiro, aliás, do cinema e ponto. Seus longas que sempre fazem bastante barulho mundo afora (vide Central do Brasil no Oscar em 1999 e Linha de Passe que rendeu à atriz Sandra Corveloni um prêmio no Festival de Cannes em 2008). Escolhi colocar um dos meus favoritos do diretor nessa lista de nacionais favoritos por tudo o que o filme entrega. Tem um elenco brilhante (Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Othon Bastos e José Dumont), um roteiro impecável desenvolvido por Sérgio Machado, João Moreira Salles, Karim Aïnouz e Daniela Thomas, que é baseado no livro homônimo de Ismail Kadare, além de uma direção primorosa, uma arte deslumbrante e uma fotografia excelente (de Walter Carvalho).

2º Lugar – Eles Não Usam Black-Tie (Leon Hirszman, 1981)

Baseado na peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri, que também protagoniza essa história, Eles Não Usam Black-Tie é um drama social com personagens extremamente fortes e situações incrivelmente bem trabalhadas e muito interessantes. Dirigido pelo incrível Leon Hirszman, o filme conta a história de Tião, interpretado por Carlos Alberto Riccelli, que acaba de descobrir a gravidez de sua namorada, Maria. Decidido a se casar com ela, o jovem dá a notícia aos poucos para os pais. Os dois, além do pai de Tião, Otávio, trabalham como operários em uma fábrica importante da cidade. Otávio é bastante engajado nas causas políticas e junto de seus amigos, quer lutar pelos seus direitos de trabalhador. Conforme a história avança vemos o quanto Tião tem receio de participar das greves e afins, mesmo sendo confrontado por Maria, pela mãe Romana e pelo pai. É preciso mencionar que as atuações de todo o elenco são incríveis, com destaque para a sempre maravilhosa Fernanda Montenegro (Romana), Gianfrancesco Guarnieri (Otávio), Bete Mendes (Maria) e Milton Gonçalves (Bráulio).

1º Lugar – O Pagador de Promessas (Anselmo Duarte, 1962)

E em primeiro lugar, meu filme brasileiro favorito. O incrível O Pagador de Promessas é baseado em uma peça do renomado Dias Gomes, ganhou a primeira Palma de Ouro do Brasil no Festival de Cannes e é um dos longas mais importantes do Cinema Novo brasileiro. Dirigido por Anselmo Duarte e protagonizado por Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo e Othon Bastos, o longa conta a história de Zé do Burro, um homem humilde que viaja até a capital de seu estado carregando uma enorme cruz de madeira para pagar uma promessa que fez para que seu burro continuasse vivo. O problema se dá quando Zé chega à igreja de Santa Bárbara e é impedido de entrar pelo pároco por ter feito a promessa em um terreiro de candomblé para Iansã (leia sobre Sincretismo Religioso, obrigado). A partir daí Zé do Burro, que acha que se não cumprir a promessa vai ficar “marcado” por todos os santos, resolve ficar na porta da igreja e se torna notícia na cidade, chamando a atenção da população. O roteiro, assim como a peça no qual é baseado, faz uma crítica ferrenha à igreja católica e ao preconceito, à cultura de massa e a imprensa sensacionalista através do personagem do repórter que coloca Zé do Burro como o símbolo da luta pela reforma agrária. Tem um dos melhores (e iminentes) finais do cinema, coisa que marca para sempre. Merece o primeiro lugar da lista.

Menções honrosas: Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963), O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968), Eu Sei que Vou te Amar (Arnaldo Jabor, 1986), O que é isso, companheiro? (Bruno Barreto, 1997), Central do Brasil (Walter Salles, 1998), O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 1999), Edifício Master (Eduardo Coutinho, 2002), Saneamento Básico (Jorge Furtado, 2007), Romance (Guel Arraes, 2008), O Palhaço (Selton Mello, 2011), O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012), Dois Coelhos (Afonso Poyart, 2012), Entre Nós (Pedro e Paulo Morelli, 2014), Cássia (Paulo Henrique Fontenelle, 2014).

Lista por: Mariana Tocci

Mariana1

11º Lugar – As Melhores Coisas do Mundo (Laís Bodanzky, 2010)

A adaptação da série “Mano”, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, é ótima por mostrar uma parte de como é ser adolescente no Brasil.  Os anseios de Mano (Francisco Miguez), os problemas e as aventuras… Tudo é mostrado com uma ótima trilha sonora!

10º Lugar – Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Daniel Ribeiro, 2014)

O filme que nasceu de um curta metragem é simples e leve, mesmo tocando em assuntos polêmicos para a sociedade brasileira. Para assistir em um dia tranquilo!

9º Lugar – Lisbela e o Prisioneiro (Guel Arraes, 2003)

Uma comédia romântica ambientada no Nordeste brasileiro. A mocinha que se apaixona pelo anti-herói. Com Selton Mello, Marco Nanini… Como não amar? É uma adaptação da peça de teatro de Osman Lins.

8º Lugar – Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert, 2015)

Um retrato claro da condição das domésticas no Brasil e da hipocrisia dos brasileiros. Algumas cenas dão vergonha pelo fato de sabermos que elas realmente acontecem! Esse filme é daqueles que te fazem refletir depois que acaba.

7º Lugar – Criança, A Alma Do Negócio (Estela Renner, 2008)

O primeiro documentário da lista aborda a publicidade voltada para as crianças. Em apenas aproximadamente 50 minutos, ele te envolve e te choca. Você vai acabar de assistir com uma esperança de que acabem as propagandas para crianças (como já aconteceu em vários outros países).

6º Lugar – Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (José Padilha, 2010)

A sequência de Tropa de Elite (2007) me agradou mais do que o filme original. Talvez por mostrar uma luta mais política e menos física e pelo fato de – o agora Coronel – Nascimento (Wagner Moura) estar mais maduro.

5º Lugar – Pro Dia Nascer Feliz (João Jardim, 2007)

O outro documentário mostra as diferentes realidades de estudantes em escolas públicas do Brasil e em uma escola privada. Pro Dia Nascer Feliz escancara os diversos contextos sociais, culturais e econômicos dentro de um mesmo país. Assisti no colegial em uma aula de redação. Com certeza fez toda a diferença na minha formação como pessoa!

4º Lugar – O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 1999)

Baseado na peça teatral de Ariano Suassuna, João Grilo (Matheus Natchergaele) e Chicó (Selton Mello) são garantia de muitas risadas! A visão da religião mostrada no longa vale super a pena! Um clássico da sessão da tarde que merece ser visto.

3º Lugar – Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002)

Adaptação do livro homônimo de Paulo Lins que mostra a favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Um filme forte, mas necessário para quem deseja conhecer as várias realidades do Brasil.

2º Lugar – Abril Despedaçado (Walter Salles, 2002)

Lindo, lindo, lindo! O longa é uma adaptação do livro homônimo de Ismael Kadaré, um escritor albanês. O filme, que se passa no Nordeste brasileiro, questiona a tradição entre as famílias e a violência. Kadaré classificou a adaptação como “magnífica”.

1º Lugar – Central do Brasil (Walter Salles, 1998)

O road movie brasileiro que quase deu à Fernanda Montenegro o Oscar de Melhor Atriz em 1999. Maravilhoso, imperdível, obrigatório… Adjetivos positivos não faltam para esse filme!

Lista por: Pedro Bonavita

Pedro

11º Lugar – O Menino e o Mundo (Alê Abreu, 2013)

Tem animação no Brasil sim! Tem Brasil no Oscar também! O Menino e o Mundo ilustra de maneira melancólica a sociedade atual. Mesmo que as crianças não entendam os conflitos históricos retratados aqui, é nítido que o longa atinge o objetivo de sensibilizar quanto às questões de desigualdade. Mesmo complexo nos temas abordados, a obra nos passa toda sua poesia e graça através dos delicados traços, principalmente daqueles que ilustram o olhar de Cuca, nosso adorado menino.

10º Lugar – O Lobo Atrás da Porta (Fernando Coimbra, 2014)

É bobagem dizer que no Brasil não existe cinema de gênero. A verdade é que temos sim, mas falta chegar ao grande público. O Lobo Atrás da Porta é um belíssimo suspense, que consegue te surpreender a cada virada na trama, justamente por conta da direção segura de Fernando Coimbra. Mais surpreendente ainda é o final, chocante, até, mas nos mostrado com uma sutileza ímpar. Leandra Leal e Fabiula Nascimento dão show em cena, conseguindo ofuscar inclusive o grande Milhem Cortaz, que está longe de nos entregar um trabalho fraco.

09º Lugar – Últimas Conversas (Eduardo Coutinho, 2015)

Muito pensei qual filme do mestre Coutinho eu deveria colocar na lista. Gosto de todos. Mas esse último é especial. Foi montado após sua morte. Assistindo ele fica um gosto de saudade na boca. Em Últimas Conversas, Eduardo Coutinho conversa com adolescentes da rede pública de ensino do Rio de Janeiro. O maior mérito de Eduardo é a forma como ele consegue extrair as emoções das pessoas. Se em algumas vezes ele faz isso de maneira discreta, outras, consegue ser um pouco mais invasivo, insistindo no assunto, como por exemplo, diante da menina que sofreu abusos sexuais de seu padrasto. Claramente incomodada com o assunto, a garota aos poucos diante das perguntas consegue se soltar e acaba desabafando, trazendo um dos momentos mais emocionantes do longa. Nessa sequência confesso que me arrancou lágrimas.

08º Lugar – Para Minha Amada Morta (Aly Muritiba, 2016)

Apesar da tensão que toma conta da tela a partir do segundo ato, Para Minha Amada Morta trata mais de um estudo de personagem do que um estudo de gênero. No primeiro momento, ao final da sessão, fiquei um pouco frustrado porque tudo aquilo que eu imaginava para o momento derradeiro do filme não aconteceu. Pelo contrário, Muritiba surpreende em seu final, trazendo um pouco mais de dramaticidade àquela trama. Para Minha Amada Morta está o tempo todo quebrando nosso olhar viciado, e isso talvez seja o maior mérito do longa.

07º Lugar – Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert, 2015)

Essa deve ser a quinta ou sexta vez que escreto sobre esse longa. Já devo ter visto outras cinco ou seis vezes, também. Muito marcado pelas atuações do elenco (com grande destaque para Regina Casé), Que Horas Ela Volta? é um retrato social do Brasil, desde a escravidão até os dias de hoje, onde empregadas são tratadas como sendo quase da família, mas que no final das contas lidam com um descaso velado de seus patrões. No filme, a personagem interpretada por Karine Telles, diz que o Brasil é um país que está mudando. Estava. Uma pena que o atual governo está fazendo um desfavor para a nação.

06º Lugar – O Que é Isso, Companheiro? (Bruno Barreto, 1997)

A ditadura militar foi um período doído e marcante no Brasil. O Que é Isso, Companheiro? é o melhor filme do tema. Baseado em um episódio real, conta com boas interpretações, roteiro correto e uma direção primorosa de Barreto. É o tipo de filme que deveria ser obrigatório passar em qualquer colégio do país. Uma aula de história.

05º Lugar – Estômago (Marcos Jorge, 2007)

Estômago foi uma surpresa na época. É um daqueles filmes que ninguém dava nada e no final se tornou um sucesso, ao menos da crítica. O longa denuncia problemas sociais do país, principalmente relacionados à população carcerária, porém o foco não é esse. Trata-se do amor de um cara por uma mulher e pela gastronomia. João Miguel e Fabiula Nascimento dão show de interpretação. A cena final é icônica e marcou o cinema nacional da década passada.

04º Lugar – O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012)

O maior sucesso internacional do nosso cinema atual. O Som ao Redor é uma verdadeira porrada, nos faz refletir sobre como agimos com aquilo que está ao nosso redor. Mostra a importância que se tem em ouvir o próximo, e todos os problemas causados pelos silêncios que somos forçados a aderir no dia a dia.

03º Lugar – Central do Brasil (Walter Salles, 1998)

Uma das maiores atuações femininas da história do cinema pertence a Fernanda Montenegro em Central do Brasil. Trazendo uma história simples, porém emocionante, o longa tem no trabalho da nossa maior atriz o ponto mais alto, junto com a condução do roteiro, que mostra o Brasil dos mais pobres. Marcou e muito, por tudo que envolve, mas seria um pouco menos inesquecível se não fosse o trabalho de Fernanda.

02º Lugar – Boi Neon (Gabriel Mascaro, 2016)

O que mais me chamou atenção no longa e aí entra um pouco do roteiro e da construção daquelas personagens, é como Mascaro trata as questões de gênero.  Mostrando ainda mais a intenção do roteiro em quebrar estereótipos, todos eles são heterossexuais, quando na verdade suas personalidades e sonhos podem nos fazer supor o contrário. É importante quebrarmos esses paradigmas e é bonito perceber como, mais uma vez, o filme trata essas questões com naturalidade. Sem julgamento nenhum, tanto do espectador, quanto daqueles que estão em cena junto. Boi Neon é na verdade um dos filmes mais humanos que tive o prazer de contemplar. Agradeço ao Gabriel Mascaro por isso. Sua narrativa natural, seu poder de observar, suas belas imagens e a maneira que lida com os sonhos das pessoas, me fizeram sair do cinema completamente extasiado.

01º Lugar – Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002)

Cidade de Deus é o melhor filme brasileiro. É óbvio. Roteiro ótimo. Direção perfeita. Fotografia linda. Montagem impecável. Não satisfeito em ser apenas entretenimento, Cidade de Deus ainda trata de questões sociais de grande importância. Questões tão atuais que assustam (já que o longa foi lançado há 14 anos e sua história é ambientada em mais de 30 anos). A desigualdade social nunca foi segredo pra ninguém aqui no Brasil, e o filme mostra isso, sem fazer um paralelo entre as classes A e C/D, mas mostrando como aquelas pessoas que nascem na favela tem dificuldade pra sobreviver. E, mesmo sendo completamente errado você assaltar ou matar, Cidade de Deus nos faz em determinado momento entender aquelas pessoas. Buscapé, inclusive, fica em dúvidas se vale a pena ser honesto, já que vê todos seus amigos de infância indo pelo caminho do crime e se dando bem. No fim, vemos que não vale a pena.

Lista por: Raphael Cancellier

Raphael

11º Lugar – Trair e Coçar é só Começar (Moacyr Góes, 2006)

Baseada na peça de mesmo nome de Marcos Caruso, a produção é uma ótima comédia quiprocó e pastelão. Olímpia (Adriana Esteves) é uma empregada doméstica que trabalha para um casal de classe média, cujo casamento está próximo de completar 15 anos. Após ouvir algumas conversas pela metade, Olímpia acredita que o seu patrão está traindo a esposa. Em seguida, a empregada também acredita que a esposa o está traindo. A partir dessa série de maus-entendidos começa uma sequência de confusões e desentendimentos que conseguem tirar o nosso riso com bastante facilidade.  Apesar de não possuir muitos atributos originais em sua direção e nos dar a impressão de que estamos assistindo a uma peça de teatro e a uma continuação de obras da maior emissora do país, Adriana Esteves consegue levar o filme com a sua fofoqueira e atrapalhada Olímpia. Os atores estão afinados e possuem uma boa química, nos trazendo um filme leve e divertido.

10º Lugar – A Dama do Lotação (Neville de Almeida, 1978)

Quarta maior bilheteria da história do cinema brasileiro, o filme faz parte de um dos gêneros que mais produziu em sua era de ouro, a pornochanchada. Solange (Sônia Braga) se casa com Carlos (Nuno Leal Maia). Após resistir ao marido na noite de núpcias, Solange acaba sendo estuprada por ele. Traumatizada, Solange busca satisfazer os seus desejos com homens desconhecidos que encontra dentro das lotações. Mesmo tendo um teor erótico, o filme trata de um tema que ainda hoje é visto com muito tabu: a libertação do desejo feminino. Apesar de não possuir grandes feitos, A Dama do Lotação é um filme significativo por conta da sua crítica ao padrão feminino considerado o ideal, com os desejos retraídos e as realizações pessoais abandonadas.

9º Lugar – Ventos de Agosto (Gabriel Mascaro, 2014)

Primeiro longa de ficção de Mascaro após a sua extensa carreira no documentário, o diretor traz uma linguagem quase documental na forma como explora os seus personagens e as situações. Em um vilarejo litorâneo afastado da cidade, vemos personagens humildes que trabalham na extração de coco. Shirley (Dandara de Morais) é uma garota que foi para o local cuidar da sua avó idosa e tem um relacionamento com Jeison (Geová Manoel dos Santos). Ela possui um pensamento moderno e não se encaixa no local. Após a chegada de um pesquisador de ventos, interpretado pelo próprio Mascaro, e a sua morte, a rotina dos personagens muda drasticamente. É um filme de silêncios que explora diversos panoramas e critica o desenvolvimento do país, que não foi igual para todos. Ele também fala das fracassadas tentativas de controlarmos a morte, com a metáfora da subida do mar. Ventos de Agosto quebra com a fórmula do cinema que estamos acostumados, pois ele não possui um arco narrativo definido (começo, meio e fim) e, ao mesmo tempo, nos traz uma história redonda, recheada com as belas paisagens do local.

8º Lugar – O Menino e o Mundo (Alê Abreu, 2013)

Representante do Brasil no Oscar de 2016, O Menino e o Mundo é uma animação praticamente feita à mão com colagens e aquarelas. O filme faz uma crítica ao modo de vida das grandes metrópoles do mundo, denunciando os abusos que os trabalhadores sofrem no campo e nos centros urbanos. Ele é um filme mudo, porém, com uma trilha sonora que diz mais do que as palavras, nos impactando tanto com as cores e os seus desenhos quanto com as sonoridades. Cuca é um garoto que tem uma vida feliz no campo com os seus pais. Após seu pai ser “devorado” por um trem, o menino parte atrás dele, passando por diversos cenários de um mundo mágico que nos remete a locais reais. É uma produção que encanta tanto a jovens, com os seus desenhos lúdicos e a adultos, com a sua crítica. É um filme mágico!

7º Lugar – Praia do Futuro (Karin Aïnouz, 2o14)

Um dos filmes mais polêmicos de 2014, Praia do Futuro conta a história de Donato (Wagner Moura), um salva-vidas que trabalha na praia título da produção. Após uma tentativa frustrada de salvar um gringo de um afogamento, acaba conhecendo Konrad (Clemens Schic), um alemão, amigo da vítima. Os dois se apaixonam e têm uma tórrida noite de amor. Depois disso, Donato decide largar tudo e ir atrás de seu amor, deixando seu irmão, Ayrton (Jesuíta Barbosa), que o tinha como um grande herói, para trás. Decepcionado com o irmão, Ayrton parte para a Alemanha atrás de Donato para um acerto de contas. Praia do Futuro é uma metáfora da perda irreparável e do futuro incerto, retratado tanto pelas perdas de Konrad e Ayrton, quanto pela indecisão de Donato. A produção possui momentos muito interessantes, como a divisão dos três atos em capítulos. A cena do confronto entre Donato e Ayrton é emocionante e a cena de sexo entre o ex-capitão Nascimento e Konrad chocou os olhos mais conservadores. Outra técnica que Aïnouz trouxe para a sua obra é a de elipsar os principais momentos no filme, nos deixando sem saber como os conflitos foram solucionados. A direção e a fotografia do filme também são impecáveis.

6º Lugar – O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2009)

Baseado na peça do mestre da dramaturgia Ariano Suassuna, o filme narra a história de Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergale). Este último gosta de se dar bem em cima dos outros e Chicó possui uma aura mais ingênua. Após serem mortos por um grupo de cangaceiros, os dois passaram por um julgamento entre Jesus e Diabo, com intercessão de Nossa Senhora. Um fato curioso do filme que nos faz refletir é o de Jesus Cristo ser negro. Os personagens secundários também são hilários e rendem momentos divertidos, como Dora (Denise Fraga) e Eurico (Diogo Vilela). Ela é uma mulher “assanhada” que se faz de santa para o marido. A personalidade picareta do Padre João (Rogério Cardoso) também é divertidíssima. No fim, a produção nos faz refletir sobre a dificuldade das pessoas mais humildes, trazendo a mensagem de que todos merecem uma segunda chance. O filme possui um tom surrealista, caracterizado por cenas que mesclam o mundo real e o onírico.

5º Lugar – Lisbela e o Prisioneiro (Guel Arraes, 2003)

Adaptação da peça de Osmar Lins, Lisbela e o Prisioneiro é uma comédia romântica com um forte apelo melodramático. Lisbela é uma moça romântica que tem como hobby ir ao cinema e sonhar com os galãs de Hollywood. Com casamento marcado, a jovem conhece Leléu (Selton Mello), um malandro que chega à sua pequena cidade fugido de um matador que o jurara de morte após o conquistador ter se envolvido com a sua esposa. Lisbela e Leléu se apaixonam e terão que enfrentar diversos obstáculos para ficarem juntos. O filme possui uma excelente fotografia, que abusa das cores quentes, além de um jogo de câmeras interessante e uma trilha sonora inesquecível.

4º Lugar – Tatuagem (Hilton Lacerda, 2003)

Bastante aclamado pelos festivais em que passou, Tatuagem é um filme pernambucano que fala de um Brasil vitimado pela censura e pelo militarismo decadente de 1978. Chão de Estrelas é um grupo de teatro encabeçado por Clécio (Irandhir Santos). Enquanto chocam a moral e os bons costumes da época com as suas apresentações subversivas, Clécio se apaixona por Fininha (Jesuíta Barbosa), um jovem soldado. Os dois vivem um tórrido romance que muda suas vidas. A produção possui diversos momentos interessantes, sendo a intensidade do casal e as performances da trupe os melhores momentos do filme, finalizando com uma apresentação inesquecível. As cenas de sexo entre Clécio e Fininha possuem uma direção impecável, com uma paleta de cores quentes, sendo as mais belas do cinema brasileiro.

3º Lugar – Central do Brasil (Walter Salles, 1998)

Uma das produções brasileiras com maior repercussão internacional, Central do Brasil é uma espécie de road movie que acontece nas regiões áridas do país. Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil. Ela conhece Ana (Soia Lira), que sofre um acidente e acaba deixando seu filho Josué (Vinícius de Oliveira) em suas mãos. A partir daí, Dora e Vinícius viajam pelo interior em busca do pai do jovem. O contraponto das personalidades de Dora e Josué e o laço de amor que eles constroem durante o filme é muito tocante. As imagens da paisagem dura e seca faz um paralelo entre as características dos dois personagens e nos hipnotizam. Enquanto os dois desbravam as cidades, o filme retrata a precariedade do país e seu analfabetismo, sem estereótipos.

2º Lugar – Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro, 2014)

A produção é uma das mais delicadas e sensíveis de 2014. Com a sua aura minimalista, que representa o movimento indie do cinema brasileiro, temos Léo (Ghilherme Lobo), um garoto cego. O personagem sofre com a superproteção dos pais, passa por alguns constrangimentos no colégio e possui apenas uma amiga, Giovana (Tess Amorim). Após a chegada de Gabriel (Fábio Audi) e o súbito carinho que um começa a sentir pelo outro, a vida de Léo muda. A partir daqui, o jovem começa a ter questionamentos sobre o amor, o primeiro beijo e os conflitos adolescentes. A forma natural como o filme aborda a relação entre Léo e Gabriel rende momentos graciosos ao filme. Costumo dizer que Hoje eu quero voltar sozinho não é um filme de temática gay, mas sim um filme que expressa os questionamentos da juventude de todo jovem de classe média. É um filme leve e sutil, indicado para todos os gêneros, idades e orientações sexuais.

1º Lugar – Que horas ela volta? (Anna Muylaert, 2015)

Com uma potente crítica social entre classes, a produção conta a história de Val (Regina Casé), que trabalha como babá e empregada doméstica em uma casa de classe média alta. Apesar de ser tratada com carinho, é perceptível o limite que os seus patrões colocam entre eles, sendo mascarado com uma pseudo-atenção que eles dão para ela. Quando sua filha, Jéssica (Camila Márgila), vem de Pernambuco para estudar, passa uns dias na casa dos patrões de Val. A jovem, dona de uma língua afiada, começa a se sentir como uma visita, despertando a ira de Bárbara (Karine Teles), patroa de Val. O filme é um retrato fiel do Brasil contemporâneo, em que pessoas de classes mais baixas almejam a acensão e as pessoas de classes mais abastadas possuem um certo desespero de que isso aconteça. A forma como Muylaert cria os seus momentos de humor pautados no constrangimento dos patrões é um dos pontos mais divertidos do filme, uma vez que estamos acostumados com aquele humor fácil, em que somente a minoria e os oprimidos são colocados em um lugar vexatório.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.