21
jul
2016
Crítica: “Anesthesia”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno
Anesthesia

Anesthesia

Tim Blake Nelson, 2015
Roteiro: Tim Blake Nelson

4

Anesthesia é um drama eficiente que conquista por seu forte elenco e pela dor de seus personagens. O roteiro começa seguindo um professor universitário (Sam Waterston) que decide se aposentar para passar mais tempo com a esposa (Glenn Close), e a partir daí passa a acompanhar pequenos desdobramentos nas vidas de outras pessoas, dentre elas um viciado em drogas, uma estudante depressiva, e um marido infiel.

Eficiente em criar um clima de melancolia desde os segundo iniciais, ao criar uma forte empatia com um personagem que segundos depois terá um destino trágico, o filme ainda acerta por ser muito mais sobre personagens do que trama, apesar de sua estrutura complexa de tramas entrelaçadas.

E sabendo disso, o diretor Tim Blake Nelson (que também é ator, e tem um papel no filme) acerta por optar por uma abordagem estética mais discreta, deixando o destaque todo por conta dos atores. E em relação à isso, Blake Nelson se mostra um excelente diretor de atores, já que o elenco inteiro, sem exceção, está ótimo.

Sam Waterston se mostra eficiente em evocar fragilidade e gerar empatia para seu personagem. K. Todd Freeman, por sua vez, foge de clichês para seu personagem viciado em drogas, se mostrando contido e sem apelar para maneirismos exagerados, e quando estes se mostram inevitáveis, o ator consegue incluir humanidade e impedir que o personagem se pareça com uma caricatura.

Gretchen Mol também chama a atenção, principalmente por conseguir passar o dor escondida atrás dos sorrisos de sua personagem. Já Kristen Stewart, mesmo com uma personagem de uma nota só, tem a oportunidade de incluir uma interessante complexidade dramática ao filme em uma cena no psicólogo.

Se prejudicando apenas por perder tempo com algumas cenas que não levam à lugar algum (como aquela que traz a personagem de Gretchen Mol e sua filha em um carro e outra que envolve um advogado no elevador), Anesthesia é um ótimo filme, que se mostra uma experiência de forte impacto dramático pela dor desesperada de seus personagens e pelas fortes atuações de seu elenco.



Cinéfilo. Crítico de cinema desde 2014. Músico.
“Quando os filmes são bons, nos fazem sentir mais vivos, e escrever sobre eles tem o mesmo efeito” – Pauline Kael