22
jul
2016
Crítica: “Um Homem Entre Gigantes”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno
concussion-POster
Um Homem Entre Gigantes (Concussion)

Peter Landesman, 2015
Roteiro: Peter Landesman
Sony Pictures

3

Depois de estrear na direção com o mediano JFK: A História Não Contada (Parkland, 2013), que pecava pela indecisão no tom da narrativa, o diretor Peter Landesman comanda agora o drama Um Homem Entre Gigantes (Concussion, 2015), que curiosamente surpreende pela precisão com a qual acerta o tom da trama, mas peca pelo roteiro longo e cheio de clichês.

Acompanhando o médico nigeriano Bennet Omalu (Will Smith), o filme conta sua luta para tentar expor os diversos problemas de saúde irreversíveis provocados pelo futebol americano, que são deliberadamente abafados pela NFL.

Talvez a melhor coisa do filme (e isso não deixa de ser surpreendente, principalmente se comparado ao filme anterior do diretor) é seu tom. Começando com uma ambientação apropriadamente melancólica, o diretor Peter Landesman consegue aos poucos incluir toques de conspiração, o que deixa a narrativa com uma interessante cara de thriller, com pontuais momentos eficientes de tensão.

Mas muito da força do filme vem também da excelente atuação central de Will Smith, que convence surpreendentemente bem com um sotaque completamente diferente do seu, e ainda evoca empatia por seu carisma e bondade, surgindo sempre com o olhar cansado, mas com um sorriso sempre pronto.

A fotografia também se mostra eficiente, evocando melancolia através de suas constantes cores dessaturadas. Já a trilha sonora peca pela obviedade e falta de sutileza, exagerando em melodias românticas quando o protagonista encontra um interesse amoroso, e caindo complemente no melodrama ao acompanhar o personagem “conversando” com cadáveres enquanto realiza autópsias. Ainda assim, a decisão de trazer o personagem ouvindo música pop com fones de ouvido enquanto trabalha não deixa de ser um opção interessante, e diverte pela excentricidade.

Mas como um todo, o filme não é muito mais do que mediano, já que o roteiro acaba se mostrando longo demais, com diversas cenas que se repetem para mostrar a insignificância do médico em relação à grandeza de poder da NFL, e ainda se rende a um ufanismo tolo, ao incluir um monólogo onde Will Smith fala sobre como ele sempre admirou a “América”, e como sonha em ser aceito como americano.

Surpreendendo por sua narrativa segura, mas que não traz nada de novo e ainda cansa pela obviedade, Um Homem Entre Gigantes diverte moderadamente, principalmente pela atuação de Will Smith, mas no geral não passa de uma experiência esquecível.



Gosto de todos os gêneros cinematográficos e estou sempre aberto para conhecer novos diretores. Dentre os meus preferidos estão Woody Allen, Kubrick, Hitchcock e David Fincher. Sou estudante de Música, e não consigo passar um dia sem assistir um filme.