17
jul
2016
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “A Pedra de Paciência”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Mariana Tocci

A Pedra de Paciência (Syngué Sabour)

Atiq Rahimi, 2012
Roteiro:Atiq Rahimi e Jean-Claude Carrière
Afeganistão
Imovision

4.5

O longa escolhido para começar a Volta ao Mundo em 80 Filmes foi A Pedra de Paciência, de Atiq Rahimi, baseado no livro homônimo do escritor e diretor afegão. O filme – produzido pelo Afeganistão, França e Alemanha – mostra uma realidade completamente diferente da vivida no Brasil e nos países ocidentais, em geral. Na história, uma mulher (Golshifteh Farahani) conta sua vida, seus sofrimentos e desejos ao marido (Hamidreza Javdan), um herói de guerra que está em estado vegetativo depois de ter levado um tiro na nuca em uma briga.

Assim como no livro, nenhum dos personagens principais possuem nomes e a guerra pela qual o país passa não é identificada. O objetivo disto, segundo Rahimi, é mostrar a cultura afegã, a ortodoxia islâmica e não um caso particular. A história contada poderia acontecer com qualquer família do Afeganistão. O filme toca em assuntos como a opressão feminina e como é a vida em um país devastado pela guerra. Apesar de não ser mencionado qual é o confronto presente no filme, o Afeganistão vive em estado de guerra há mais de uma década. No ano de 2015, de acordo com a ONU, 3.545 civis morreram e 7.457 ficaram feridos devido aos combates. O país enfrenta uma grande crise política, social e econômica, e justamente por isso, a maior parte do filme foi filmada no Marrocos. Apenas algumas cenas externas foram gravadas realmente no Afeganistão.

O filme é quase um monólogo da Mulher contando tudo para seu marido que escuta (ou, ao menos, ela acredita nisto), mas não pode responder. Quase não há trilha sonora. Mas a história é tão envolvente, que isto não se torna cansativo para o espectador. Muito disso também é mérito de Golshifteh, que está maravilhosa e chama a atenção sempre que aparece. Um dos pontos interessantes do filme é o contraste mostrado entre a vida da Mulher e de sua tia (Hassina Burgan), uma viúva prostituta. O modo como a tia vive é um dos fatores que abre os olhos da personagem principal para as opressões sofridas por ela durante sua vida. A ironia da produção do longa é que a protagonista – que reflete tanto sobre liberdade – é interpretada por Farahani, que foi acusada de traição pelo governo iraniano após atuar em Rede de Mentiras, um filme hollywoodiano, e acabou se exilando na França.

A Pedra de Paciência foi o representante oficial e pré-indicado do Afeganistão, em 2013, ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Golshifteh Farahani foi indicada a um César de atriz promissora e ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Gijón, na Espanha, pela atuação no longa. Rahimi ganhou de melhor diretor no Festival de Hong Kong e, ainda, no Festival de Istambul ele ganhou o prêmio FACE, dado a diretores de filmes que destacam os direitos humanos.

A primeira viagem da Volta ao Mundo em 80 Filmes foi cheia de surpresas e sentimentos. Foi uma boa viagem por fazer essa espectadora aqui conhecer uma cultura completamente diferente da dela. O diferente choca. O diferente causa estranheza. E acho que isso é bom, não?

No próximo domingo, vamos conhecer a África do Sul por meio do drama A Vida, Acima de Tudo de Oliver Schmitz! Não perca!



Apaixonada por filmes da Disney, mas assisto de tudo um pouco: musicais, filmes antigos, séries (só não me deixe sozinha assistindo um filme de terror, por favor). Sou estudante de Jornalismo e ainda acredito que a Summer, de (500) Dias Com Ela, não era uma vadia.