31
ago
2016
6 Filmes que Subvertem o Gênero Comédia Romântica!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: Andressa Gomes

1)  I Hate Luv Stories (Punit Malhotra, 2010)

LUV

SINOPSE

Jay é um assistente de direção que não acredita em historias de amor. Simran é uma diretora de arte que esta apaixonada pela ideia de se apaixonar. Ao trabalhar na mesma produção, sim, de uma comédia romântica, a princípio  eles tem uma impressão ruim um do outro, mas aos poucos se tornam amigos.

POR QUE ASSISTIR

O filme desconstrói vários elementos que são constantes nos grandes filmes musicais românticos que são sucesso em Bollywood, incluindo os típicos números nos quais se canta a respeito do amor. Nesse caso, a música de destaque e que também da nome ao filme, se chama: “I Hate Luv Stories”, no qual o personagem central revela seu desprezo pela ideia de se apaixonar. Graças a todos os filmes que assistiu, a personagem Simran possui uma série de expectativas a respeito do amor e com relação a seu noivo Raj (Sammir Dattani ). Em determinado momento, ela se questiona se não esta se apaixonando por Jay, devido ao padrão que a historia deles segue (ironicamente, semelhante a uma comédia romântica).

O filme esta repleto de metalinguagem, é divertido ver certas “técnicas” de apelo emocional dessas produções sendo “reveladas” e desconstruídas. O filme faz de tudo para não se prender a estereótipos ou submeter a relação dos protagonistas a eles. Um dos grandes acertos é a parodia não só dos clichês em si, mas também da indústria que tanto os reproduz de forma obsessiva. Sem duvida alguma, a opção mais leve da lista, e também, certamente a mais carismática.

2) Encontros e Desencontros do Amor (David Wain, 2014)

THEY CA

SINOPSE

Quando Joel (Rudd) e Molly (Poehler) reúnem-se, é o ódio à primeira vista: a grande empresa dele Corporate Candy Company ameaça encerrar a pequena loja de doces dela. Mas), eles se apaixonam, se separam e voltam a ficar juntos.

POR QUE ASSISTIR

Em um primeiro momento, se assemelha com mais um dos filmes dos quais faz paródia. Segundo o trailer, trata-se de “Uma comédia romântica como todas as outras, mas melhor”. O filme contem o enredo, os clichês, os atores, e a própria cidade de Nova York, que também se torna personagem da história, todos os signos que são familiares aos consumidores do gênero. Ao longo do filme, podemos ver claras referencias a outros diretores, como Woody Allen e Mike Nichols além de referencias a filmes como A primeira noite de um homemnoivo neurótico, noiva nervosa.

O filme chama a atenção para a idealização excessiva de romance e relacionamentos. A história  é contada em flashback, pelo próprio casal principal, que narra para outro casal de amigos como se conheceu e se apaixonou. Ironicamente, esse outro casal, vivido por Ellie Kemper e Bill Hader é um exemplo mais realista, de como um relacionamento funciona. Durante todo o tempo, o filme debocha dos clichês e talvez só peque pela repetição desnecessária de algumas piadas. Mais sutil e menos óbvio que Não é mais um besteirol americano, o filme é bem divertido e Paul Rudd e Amy Pohen demonstram uma química incrível e deram um carisma único pros personagens (por mais caricatos e absurdos que fossem).

3) Descompensada (Judd Aptow, 2015)

trainwreck

SINOPSE

Amy (Amy Schumer) tem uma vida amorosa desastrosa e não acredita na ideia de monogamia. Sua rotina muda quando conhece o doce médico Aaron (Bill Hader), por quem se apaixona.

POR QUE ASSISTIR

Filme roteirizado e estrelado por Amy Schumer, comediante, que já em seus números de stand up, criticava de forma brilhante o padrão de beleza imposto pela mídia sobre as mulheres, assim como outros padrões comportamentais que a sociedade impõe e considera  corretos ou errados para uma mulher, não é de se estranhar a mensagem feminista contida em Descompensada.

As próprias figuras de Hader e Schumer não fazem parte do padrão que estamos acostumados a encontrar no casal protagonista. Seus ideais e comportamentos também parecem estar invertidos. Enquanto Aaron é romântico e procura um relacionamento serio, Amy parece ter fobia de relacionamentos monogâmicos (o que se explica logo no começo do filme). O contrário do que normalmente encontramos em uma comédia romântica convencional.

Outro ponto interessante é que o plot romântico, possui a mesma importância que o plot da personagem com sua família, o relacionamento da personagem com seu pai e sua irmã é tão complexo e interessante quanto seu relacionamento com Aaron.O roteiro mostra de forma inteligente que a felicidade dela não esta nas mãos do seu interesse romântico. Descompensada não se contenta em subverte estereótipos, mas também é uma critica ao tratamento das mulheres na cultura popular, sem ficar sério demais ou perder o romantismo e carisma.

4) Abaixo o amor  (Peyton Reed, 2003)

DWL

SINOPSE

Barbara Novak (Renée Zellweger) é uma escritora feminista que, em plenos anos 60, escreve um best-seller chamado “Abaixo o Amor”, no qual defende a ideia que o amor é algo descartável e aconselha mulheres a manterem apenas relacionamentos casuais, e busquem sucesso profissional e independência. O sucesso do livro faz com que Catcher Block (Ewan MacGregor), um repórter mulherengo e, decida se envolver com Barbara apenas para preparar um artigo e mostrar ao mundo que ela nada mais é do que uma fraude.

POR QUE ASSISTIR

Mais nostálgico do que crítico, este filme não  possui um tom  tão cínico como outros desta lista.  Desde o inicio sente-se o ar de homenagem, durante os créditos de abertura, vemos o logo antigo da 20th Century Fox, assim como a logo do CinemaScope, tecnologia de filmagem e projeção que foi utilizada do inicio dos anos 1950 até meados dos anos 1960 e criado também pela 20th Century Fox, além do Jass e dos créditos estilizados.

Fica claro desde o início que o filme não só se passa nos anos 1960, como também utiliza a mesma linguagem visual dos  filmes da época. Trata-se de uma screwball comedy, semelhante aquelas estreladas por atores como Rock Hudson e Doris Day. Nesse gênero (ou subgênero) , geralmente temos um casal que aparentemente se desentende ou não se gosta, mas aos poucos vai se entendendo. Normalmente aborda-se a guerra dos sexos, e questões como casamento, romance  e questões sociais. Um exemplo bem conhecido desse gênero é o filme Aconteceu naquela noite.

As cores vivas e brilhantes, os sets grandiosos e figurinos belos reproduzem muito bem a Nova York dos anos 1960. O uso da antiga técnica de dividir a tela entre a personagem feminina e masculina, e de passagem de uma sequencia para outra, aumentam o sentimento nostálgico. São feitas referencias a diversas obras da época, como por exemplo, o filme Confidências à Meia-Noite, na cena os personagens principais marcam um encontro por telefone, e a forma como se movimentam, com a tela dividida faz alusão a uma relação sexual.

O filme da algumas alfinetadas no machismo presente nesse tipo de filme e na pressão e expectativa que tanto o homem quanto a mulher da época sofriam. A ultima sequencia, pelo exagero, também faz graça da ideia de amor ideal ou perfeito ou da própria sequencia final em si , que nesses filmes, costuma ter um tom épico e exagerado, com planos longos e musica apoteótica. Trata-se mais de uma homenagem com elementos de paródia, do que o oposto, mas ainda assim vale a pena conferir.

5) Old  Fashioned (Rik Swartzwelder, 2015)

OLD FAS

SINOPSE

Clay (Rik Swartzwelder)  costumava ter um comportamento promíscuo quando estava na Universidade, mas após alguns acontecimentos, decide mudar de vida, se tornando mais tranquilo, religioso, e adotando uma visão peculiar a respeito do amor e relacionamentos. Ele conhece Amber (Elizabeth Roberts), uma moça de espírito livre, e mesmo sendo tão diferentes, eles começam um relacionamento.

POR QUE ASSISTIR

Lançado no mesmo dia que 50 tons de cinza, o filme se apresenta como uma alternativa para aqueles que  não conseguem enxergar beleza em relacionamentos que envolvem abuso emocional e físico e que são vendidos como maravilhosos. O filme abertamente se vendeu como “anti-50 tons” durante seu lançamento e apresenta um grande dilema: Será possível manter um namoro à moda antiga nos dias atuais?

O personagem Clay é o típico gentleman, daqueles que poderia ter saído de um dos romances de Jane Austen. Ele, porém, em momento algum se coloca como perfeito e é  consciente de seus erros do passado e de sua condição humana. Ele defende a teoria que a forma como as pessoas se conhecem e se relacionam atualmente, não possui substancia, já que ninguém mostra o que realmente é, por isso, criou uma lista com uma série de regras que contem a forma que ele considera ideal para se relacionar com mulheres. Isso inclui não beijar até o dia do casamento, e não ficar sozinho com uma mulher a não ser que estejam em público.

Aos poucos, conforme o relacionamento vai avançando, Clay aprende a superar seu remorso excessivo e aceita que não se pode ter controle total da vida ou dos seus sentimentos. Já Amber, que a principio duvidou da eficácia das ideias de Clay, passa a reconhecer e cultivar certos valores dele, e também repensar alguns aspectos de sua vida e relacionamentos passados. Em pleno 2015, um filme que vá contra a maré de relacionamentos efêmeros e exploração da sexualidade promovidas pela mídia, , é no mínimo corajoso.

O filme perpetua alguns clichês, mas aposta certo em um protagonista masculino que vai contra o estereótipo normalmente perpetuado pelas comédias românticas, e na não banalização do matrimônio, como acontece em tantos filmes. Mesmo contendo a presença do elemento da fé, não pode ser chamado de um “filme cristão”. A complexidade dos personagens e os desafios de seu relacionamento são os elementos que prendem o espectador.

6) Não é mais um besteirol americano (Joel Gallen, 2001)

NATEENM

SINOPSE

Janey Briggs (Chyler Leigh) é uma garota que estuda na John Hughes High School e não tem muitos amigos. Ela sonha em se tornar uma artista plástica de sucesso, sendo rejeitada pelos demais colegas de escola por sempre usar rabo de cavalo, óculos e uma jardineira velha suja de tinta. Até que Jake Wyler (Chris Evans) faz uma aposta com seus colegas, de que poderá transformar Janey na rainha do baile de formatura.

PORQUE ASSISTIR

O filme possui um  tom caricato e diálogos predominantemente autorreferenciais, divertidos para qualquer fã do gênero. Contem muitas piadas escrachadas e referencias a comédias românticas adolescentes dos anos 1990, dentre elas: Segundas Intenções, Ela é demais , 10 coisas que eu odeio em você  , Nunca fui Beijada ,  A Garota de Rosa Shocking, Amerian Pie, Curtindo a vida adoidado. Os personagens o tempo todo demonstram saber qual o seu papel na engrenagem e quais clichês estão reproduzindo no filme : “O melhor amigo”, “O bonitão da escola”, “O amigo negro”, etc.

Todos tem consciência de que estão presos no mesmo enredo, e condenados a repeti-lo, com todos os seus protocolos:  “Eu sou o melhor amigo, e estive com ela o tempo todo, ela ainda não sabe, mas vai perceber”,”Eu sou o cara legal que aprendeu com os erros, ela vai me perdoar e perceber que a amo”. O filme evidencia a falta de lógica de algumas convenções do gênero que normalmente  aceitamos  sem  questionamentos.

Esse tipo de paródia faz com que possamos nos perdoar por todo o “besteirol” que aceitamos levar a sério ao assistir esse gênero. As verdades invisíveis e a hierarquia implícita do ensino médio se tornam explicitas no filme. Logo no início, o guia que faz uma visita orientada, diz aos novos alunos que aquela escola, não é como as outras, que lá eles serão aceitos por quem são, mas ao fundo, vemos uma faixa que diz : “Bem Vindos, prováveis clichês”.

O filme não se propõem a promover uma reflexão mais profunda nem se envergonha do uso do recurso da escatologia para romper paradigmas. Trata-se de uma critica a forma como os adolescentes normalmente são apresentados no mainstream. Esse filme esta para as comédias românticas, assim como Todo mundo em pânico esta para os filmes de terror slash.



Não lembro de uma época em que os filmes ou a TV não fossem parte da minha vida. Considero o Cinema mais do que entretenimento, uma das mais completas formas de arte e de registro da humanidade. Estudante de Cinema e Audiovisual. Dentre os diretores/roteiristas favoritos estão: François Ozon, Lars Von Trier, Michael Haneke, Satoshi Kon e Vincent Minneli. Sem vergonha de gostar de consumir/discutir cultura pop, viciada em “The Big Bang Theory”, alguns reality shows (Master Chef, The Bachelor) e séries coreanas.