18
ago
2016
O gênero no cinema!
Categorias: Especiais • Postado por: Andressa Gomes

O QUE É GÊNERO?

Quando se fala em gênero cinematográfico, normalmente o que vem a mente é: “ação, terror, romance, etc.” Pouco se para pra pensar de onde surgiram essas classificações e por que elas funcionam tão bem. O cinema de gênero faz parte da vida e do inconsciente dos espectadores. Pensando além do entretenimento, existe uma série de aspectos interessantes para se entender melhor esse conceito tão presente e, ao mesmo tempo, pouco pensado pelo público.

A maior parte dos críticos e teóricos concorda em definir gênero como um sistema coerente de signos, convencionalmente estabelecidos e aceitos e que funcionam como estereótipo cultural – cada gênero possui uma dinâmica própria, e não tem obrigação de ser verossímil. O teórico Rick Altman reconhece que  gênero é um conceito complexo, repleto de significados, como o esquema básico que configura a produção industrial, a estrutura sobre a qual se constroem os filmes, a etiqueta fundamental nas decisões de produtores, distribuidores e exibidores, o contrato estabelecido entre o  filme e o público.

Henry Cavill em cena de Homem de Aço, 2013.

Todo gênero se define por: narrativa (plot e personagens.), estética (iconografia,figurinos,objetos, cores e seus significados, iluminação), e linguagem cinematográfica (cortes, tipos de plano, sons, movimento de câmera e montagem). Ao assistirmos a um filme de terror, por exemplo, já sabemos o que determinados planos ou sons  indicam. Um mocinho sozinho em um local escuro e abandonado, geralmente, não precede algo bom. O maior problema do cinema de gênero é a submissão da criatividade a fórmulas que pouco variam.

Pedro Almodóvar no set de Amantes Passageiros, 2013.

Às vezes, ocorre de um determinado diretor se destacar devido ao estilo visual e narrativo, ou pelos atores presentes no elenco. Quando isso ocorre, o nome da direção passa a corresponder a um gênero ou subgênero para o publico, que já espera ver determinada fórmula na tela quando assiste a um filme do cineasta. É o caso de Pedro Almodóvar, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, entre tantos outros.

COMO NASCE UM GÊNERO

Ele nasce a partir do momento em que uma série de filmes copia um conteúdo e forma originais devido ao seu sucesso. Conforme as cópias são feitas, o conteúdo e a estética passam a ser reconhecíveis pela plateia, que passa a esperar certos padrões desses filmes. Assim como qualquer processo industrial, os produtos que dão certo são explorados e reaproveitados ao máximo. O público consagra e  determina os gêneros que se perpetuam, ao passo que a indústria, com base na resposta do público, abandona, mantém ou melhora os formatos.

Fred Astaire, por exemplo, fez inúmeros musicais, muitos ao lado de Ginger Rogers, interpretando personagens parecidos, o que faz com que seja considerado por muitos como ator de um só personagem. Na verdade, ao fazer do nome de um ator uma marca, um selo de qualidade ao filme, diminui-se os riscos de rejeição do público. Hollywood entendeu isso muito bem, e por meio do star system, cria signos e arquétipos que se tornam familiares ao público.

Hollywood, enquanto indústria, busca evitar riscos. Enquanto estratégia de marketing, faz uso do Customer Segmentation, que consiste no reconhecimento pela empresa de que existem variados tipos de cliente e demandas. A partir desta constatação, busca-se agrupar o público, com base em diferentes critérios. Dividir a clientela e repetir padrões permite que os executivos dos estúdios possam não só  estudar melhor seus clientes, mas também  cultivar um público fiel.

Fred Astaire e Ginger Rogers em A Alegre Divorciada, 1934.

OS GÊNEROS MUDAM AO LONGO DO TEMPO

Os gêneros possuem uma relação dialética com o contexto histórico – cultural, o que significa que nunca permanecem os mesmos e estão em constante transformação, buscando se adequar ao público e à ideologia do momento. Entre os fatores que podem gerar alterações, podemos citar: mudanças no público, leis e regras de censura e de conduta, mudanças nas expectativas do público, mudanças nos tabus e discussões em vigor.

O CINEMA PÓS MODERNO

A partir dos anos 1960, o movimento pós moderno começou a ganhar mais força em diversas áreas de criação, incluindo o cinema. Os filmes pós-modernos questionam as convenções, caracterizações e estruturas narrativas da indústria. Eles buscam romper com as típicas representações de gênero, raça, classe e gênero cinematográfico e questionam o papel do cinema no âmbito da cultura popular. Outra característica marcante é a autorreferência e metalinguagem, personagens e/ou a própria narrativa que tem consciência da sua natureza ficcional e dialogam com outros filmes, além de se romper a divisão entre o diegético e o extradiegético (ficcional e real).

FILMES QUE SUBVERTEM REGRAS DE GÊNERO CINEMATOGRÁFICO

Ryan Reynolds em cena de Deadpool, 2015.

Nesse contexto do pós-modernismo, surgem os parody films ou filmes de paródia, que buscam desconstruir outras obras assim como as convenções de gêneros. Ironicamente, mesmo rejeitando rótulos, os filmes paródia, por serem muito populares e produzidos, desenvolveram algumas características próprias que são constantes: a exposição de clichês, deboche das convenções, produção de risadas, deboche e subversão de padrões estéticos e narrativos.

Ao longo das próximas semanas, iremos lançar listas com filmes que parodiam e subvertem as regras de diferentes gêneros cinematográficos. Fiquem ligados!



Não lembro de uma época em que os filmes ou a TV não fossem parte da minha vida. Considero o Cinema mais do que entretenimento, uma das mais completas formas de arte e de registro da humanidade. Estudante de Cinema e Audiovisual. Dentre os diretores/roteiristas favoritos estão: François Ozon, Lars Von Trier, Michael Haneke, Satoshi Kon e Vincent Minneli. Sem vergonha de gostar de consumir/discutir cultura pop, viciada em “The Big Bang Theory”, alguns reality shows (Master Chef, The Bachelor) e séries coreanas.