21
ago
2016
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “Mascarades”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Mariana Tocci
Mascarados

Mascarades (em árabe:  مسخرة)

Lyès Salem, 2008
Roteiro: Lyès Salem, Nathalie Saugeon
Argélia
Haut et Court

4

Nesta semana, A Volta ao Mundo em 80 Filmes dá mais uma passeada pela África. Porém, agora estamos no norte do continente, na Argélia. Dificilmente, filmes africanos chegam até nós como os filmes estadunidenses ou ingleses. E quando chegam, na maioria das vezes, são dramas. Lyès Salem muda de ambiente e nos presenteia com a comédia Mascarades.

O longa, em que o diretor também interpreta a personagem principal, gira em torno do conservador Mounir Mekbek (Salem) e o falso casamento que ele arranja para sua irmã narcoléptica Rym (Sarah Reguieg). Mekbek deseja casar sua irmã com um homem rico para, assim, ser apreciado por seus vizinhos e conhecidos na vila em que mora. No meio dessa confusão, ainda há Khliffa (Mohamed Bouchaïb), o amigo de Mounir que é apaixonado por Rym, mas não possui bens ou prestígio social. A ironia aqui é que o rapaz não tem onde “cair morto”, já que trabalha em uma locadora de filmes (algo que – pelo pesquisado – os argelinos não têm muito acesso).

A comédia, em alguns momentos, poderia também ser chamada de uma comédia romântica. É importante mencionar que ela faz rir, porém não é como um filme desse gênero a que estamos acostumados. Obviamente, a comédia é diferente das brasileiras ou norte-americanas. Há personagens caricatos, típicos do lugar, que – salva as devidas proporções – podem ser reconhecidos na sociedade brasileira. Como o homem que deseja ter prestígio social, o que se aproveita dos outros para “subir na vida” e os que, mesmo discretamente, nadam contra a corrente e mudam o modo de se viver em pequenos vilarejos.

O trio principal (Salem, Reguieg e Bouchaïb) tem química e funciona muito bem em cena. A mulher de Mounir, Habiba (Rym Takoucht) e seu filho Amine (Merouane Zmirli) também merecem ser mencionados, por cumprirem bem o papel, respectivamente, da mulher que desafia o marido e tenta colocar algum juízo em sua cabeça e o de filho espevitado que se culpa pelo pai ter inventado um casamento para sua tia.

É interessante assistir a um filme que deixa os problemas do país de lado por uma hora e meia, aproximadamente, com o intuito de divertir seus compatriotas e o resto do mundo. Quando o filme foi produzido, a Argélia saía de um momento complicado. Nos anos 1990, o país se viu em uma onda de violência e terrorismo devido a problemas políticos. Em 2008, quando o longa foi lançado, a situação já tinha melhorado consideravelmente, mas alguns grupos terroristas ainda continuavam a operar de forma esporádica.

Mascarades cumpre sua função de entreter e, ainda, mostra a paisagem da Argélia em diversas cenas. Apesar de no longa não ser mencionado em que parte do país africano eles estão, a região árida formada pelo deserto do Saara aparece várias vezes em cena por meio das dunas, dos cascalhos e pedras no chão.

A comédia africana foi exibida em diversos festivais e foi indicada a vários prêmios. Mascarades foi o filme escolhido para representar a Argélia no Oscar de 2009. Para mim, uma das principais mensagens que o longa passa é a do velho e do novo. De tentar sair dessa estrada que, aparentemente, só tem dois caminhos e construir um diferente. O filme argelino diverte e é uma boa opção para assistir em um dia tranquilo!

Na próxima semana, A Volta ao Mundo em 80 Filmes, vai parar em uma vizinha nossa: a Argentina, aqui representada por A História Oficial, de Luis Puenzo. Não perca!



Apaixonada por filmes da Disney, mas assisto de tudo um pouco: musicais, filmes antigos, séries (só não me deixe sozinha assistindo um filme de terror, por favor). Sou estudante de Jornalismo e ainda acredito que a Summer, de (500) Dias Com Ela, não era uma vadia.