05
set
2016
9 Personalidades Brasileiras que merecem uma cinebiografia!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: Marcelo Silva

Que atire a primeira pedra quem nunca disse a frase “a vida dessa pessoa daria um filme”. Os motivos para uma alegação como essa são muitos: o indivíduo superou obstáculos, é dono de personalidade controversa, tem importância histórica, fez o inesperado, entre outras coisas. O certo é que não podemos negar a exigência de sujeitos cuja vida é, por sua própria natureza, cinematográfica – isto é, digna de aparecer na tela do cinema.

Pensando nisso, listamos nove grandes personalidades brasileiras – vivas e já falecidas –  que ainda não ganharam uma cinebiografia (documentários e curta-metragens foram desconsiderados na elaboração da lista). São artistas, escritores, esportistas, políticos e líderes de importância, positiva ou negativa, na história do Brasil. Enquanto alguns são de fácil reconhecimento pelo público; outros permanecem esquecidos. A questão é: você assistiria a um filme sobre as pessoas abaixo?

Ayrton Senna (1960 – 1994)

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Tri-campeão do mundo, ícone nacional, um dos pilotos mais bem-sucedidos da história da Fórmula 1. É estranho pensar que Ayrton Senna ainda não ganhou um longa de ficção – apenas documentários, com destaque para Senna, co-produção entre o Reino Unido e a França lançada em 2010. Uma cinebiografia do campeão seria ideal para apresentá-lo àqueles que não tiveram a oportunidade de ver suas corridas. Assim, o início no automobilismo, o estrelato, a rivalidade com o francês Alain Prost e a trágica morte são fatos que não poderiam faltar na transposição da história para a tela grande.

Curiosamente, em 2012, Rodrigo Santoro chegou a ser sondado para interpretar Senna – mas, até agora, não há sinal desse filme.

Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)

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Negra, ex-catadora, moradora da periferia e escritora com obra traduzida para 14 idiomas. Essa é Carolina Maria de Jesus, mineira de Sacramento que, com apenas dois anos de estudo, dedicava-se a registrar o cotidiano da pobre comunidade na qual vivia em cadernos velhos que encontrava no lixo. “Descoberta” pelo jornalista Audálio Dantas, em 1958, ela alcançou uma certa fama quando alguns de seus relatos foram transformados em livros. Seu best-sellerO Quarto de Despejo, foi publicado em 1960 e traduzido para 14 idiomas. Na época, as vendas foram estimadas em 100 mil exemplares – hoje, esse número chega a 1 milhão.

Ao longo da sua vida, Carolina chegou a publicar outros livros, mas acabou morrendo esquecida em 1977, vítima de insuficiência respiratória, aos 62 anos. Mesmo assim, sua obra, que traz um modo único de ver e compreender a vida na periferia, é lida até hoje em escolas norte-americanas. A autora já foi tema de documentário (Favela: A Vida na Pobreza, de Christa Gottman-Elter; Você Carolina, de Priscila Duarte; e Vidas de Carolina, de Jéssica Queiróz) e curta-metragem de ficção (Carolina, de Jefferson De). Não seria hora de investir em uma cinebiografia para levar essa história incrível a um público ainda maior?

José Sarney (1930)img_2041

Calma, calma. Não precisa fechar a página com raiva. Vou explicar o motivo por que José Sarney merece uma cinebiografia. Seu começo na vida política do Brasil foi na década de 1950, quando assumiu vaga de suplente de deputado federal. De lá para cá, foi governador, senador, vice-presidente e, sobretudo, presidente – hoje, Sarney não ocupa nenhum cargo, mas ainda atua nos bastidores do poder.

Logo, a cinebiografia de um homem com quase 60 anos de experiência na política não seria a oportunidade perfeita para mostrar os problemas do nosso país? O que Sarney não deve ter visto (e participado, inclusive) de corrupção, coronelismo, compra de votos, esquemas fraudulentos, intrigas de poder, fraudes eleitorais, entre muitas outras coisas? A vida de um homem que acompanhou eventos como o suicídio de Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros, o Golpe Militar e a redemocratização deixa qualquer House Of Cards no chinelo.

Buscando informações na Internet, encontrei o documentário de curta-metragem Maranhão 66, de autoria de ninguém menos que Glauber Rocha! Na época, Sarney tinha sido eleito governador do Maranhão e pediu para que o cineasta fizesse uma cobertura da sua posse. Rocha, então, misturou cenas da miséria do estado com o discurso pomposo de Sarney, como forma de transmitir um sentimento de esperança, de que as coisas iriam mudar para melhor. Curiosamente, o trabalho não chegou a ser aproveitado pelo governador e uma pequena parte do material filmado foi reaproveitado por Rocha no filme Terra em Transe, de 1967.

Machado de Assis (1839 – 1908)

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O maior escritor brasileiro não ter ganhado uma cinebiografia até hoje é um fato, no mínimo, estranho. Enquanto suas obras já ganharam várias adaptações, Machado de Assis nunca teve um longa de ficção sobre sua vida. A pobreza, o autodidatismo, a busca por ascensão social, o estilo irônico nos textos, os constantes problemas de saúde, entre outros, são ingredientes mais que suficientes para um bom filme.

Um trabalho interessante sobre o escritor é o curta-metragem Machado do Brasil (dir: Marcio Vito, 2010), que traz uma história maluca em que o autor é transportado para os dias atuais e precisa provar a todos – inclusive aos membros da Academia Brasileira de Letras – que não é um farsante.

Maria Quitéria (1792 – 1853)

CADERNO ESPECIAL 2 (DOIS) DE JULHO Na Foto: Maria Quitéria de Jesus Medeiros Foto: Reprodução.

Filha de um fazendeiro, a baiana Maria Quitéria assumiu a responsabilidade de cuidar da casa e das irmãs aos dez anos de idade, quando ficou órfã de mãe. Independente por natureza, ela aprendeu a montaria, a caça e o manejo de armas por conta própria, sem nunca ter frequentado nenhum tipo de escola (que era um privilégio masculino na época em que viveu).

Quando a luta pela Independência do Brasil foi deflagrada, em 1822, Maria Quitéria não hesitou: cortou os cabelos, vestiu-se de homem e alistou-se para combater os portugueses colonizadores com o nome de Medeiros. Participou ativamente dos campos de batalha, destacando-se por sua disciplina, habilidade com as armas e bravura. O respeito conquistado foi tão grande que, mesmo depois de ter sua identidade descoberta, ela foi incentivada a permanecer lutando pelo major José Antônio da Silva Castro.

Ao fim do conflito, Maria Quitéria foi condecorada pelo próprio Imperador Dom Pedro I com a medalha da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Hoje, a baiana é considerada Patronesse do Exército e sua imagem pode ser vista em quartéis e repartições militares.

Santos Dumont (1873 – 1932)

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A controvérsia em torno de quem, realmente, é o pai da aviação ganhou novo fôlego na abertura das Olimpíadas. Para uns, a resposta é Santos Dumont. Para outros, os irmãos Wright merecem ocupar o posto. Que tal apimentar essa rivalidade com um filme mostrando a vida do aviador brasileiro e a realização dos seus projetos, em especial o 14 Bis?

Dumont e suas invenções já foram temas de minissérie, curta-metragem, peça e documentário – mas nunca de uma cinebiografia.

Sepé Tiaraju (1723 – 1756)

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Infelizmente, os indígenas raramente aparecem em novelas, séries e filmes. Faça um teste você mesmo e tente citar, de cabeça, cinco produções que tenham um índio ou uma índia como protagonista. Difícil, não é mesmo?

Pouquíssimo conhecido pelos brasileiros, o guarani Sepé Tiaraju liderou uma rebelião contra os colonizadores espanhóis e portugueses, quando estes firmaram o Tratado de Madri, um acordo de divisão de terras que tornava necessária a saída dos indígenas de sua terra rumo a uma região controlada pela Espanha. Comandados por Sepé, os guaranis, então, pegaram nas armas e enfrentaram os inimigos na chamada Guerra Guaranítica, que durou de 1753 a 1756.

Apesar da resistência, os nativos acabaram derrotados e Sepé foi morto em combate. O curioso é que o corpo dele não foi achado, o que colaborou para que se criasse uma aura de mistério e veneração em torno da figura do líder. Hoje, ele é um herói popular no Rio Grande do Sul, sendo homenageado com nome de rua, aeroporto, usina, etc. Há dez anos, lideranças indígenas se reúnem no local em que Sepé morreu para reafirmar a luta pela terra – inclusive, ao guerreiro é atribuída a autoria da frase “Esta terra tem dono”, uma clara mensagem aos portugueses e espanhóis.

Tarsila do Amaral (1886 – 1973)

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Se os mexicanos têm Frida, nós temos Tarsila! A pintora paulista é considerada, por muitos, a maior artista plástica brasileira. Idealizadora do movimento antropofágico; representado pelo Abaporu, a obra brasileira mais valorizada nos dias de hoje (seu valor é estimado em 2,5 milhões de dólares); Tarsila do Amaral teve uma vida marcada pela convivência com a intelectualidade artística e a alta classe da sua época – conheceu até Pablo Picasso. Quando o assunto é o Modernismo brasileiro, seu nome surge ao lado de Oswald de Andrade (com quem chegou a se casar), Mário de Andrade e Anita Malfatti.

Mas sua trajetória não se resume apenas ao mundo artístico: ela se preocupava com as questões sociais e chegou a ser presa por envolvimento com o comunismo. Passou os últimos anos da sua vida em uma cadeira de rodas, período no qual tornou-se amiga de Chico Xavier.

A artista-símbolo do Modernismo já foi representada em duas minisséries, em um filme da escritora Pagu e no teatro. Ano passado, a Ancine liberou a captação de R$ 19,4 milhões para a cinebiografia de Tarsila, com previsão de lançamento para 2017. Agora, é torcer para que venha coisa boa por aí!

Vanderlei Cordeiro de Lima (1969)

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A imagem de Vanderlei Cordeiro de Lima sendo atrapalhado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, correu o mundo. Apesar do incidente, o maratonista manteve-se firme na disputa e, sorridente, conseguiu chegar em terceiro lugar – antes da intervenção de Horan, o brasileiro estava em primeiro lugar na corrida.

Só a determinação e o espírito esportivo de Vanderlei já tornaria justa uma cinebiografia, mas a sua história vai muito além disso. Filho de lavradores, ele teve uma infância simples no interior do Paraná, trabalhando como bóia-fria para ajudar no sustento da família. Foi logo cedo que descobriu o prazer pelo esporte; na escola, passava o recreio correndo em volta da quadra. Aos 14 anos, incentivado por um professor, ingressou no atletismo. A partir daí, foi construindo sua carreira até se tornar um dos atletas mais admirados do nosso país, a ponto de acender a pira olímpica nos Jogos do Rio.

Em 2009, o cineasta eslovaco Loyzo Smolinsky afirmou já ter um roteiro pronto sobre a história de Vanderlei e que estaria apenas à espera de recursos para dar início à produção intitulada Marathon. Segundo o IMDB, a estreia do filme, que tem Carlinhos Brown na trilha sonora, está agendada para 2017. Mas, até agora, nem sinal do trailer ou do intérprete do maratonista.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!