01
set
2016
Crítica: “O Sono da Morte”
Categorias: Críticas • Postado por: Convidado Especial
TROQUE PELO POSTER DO FILME

O Sono da Morte (Before I Wake)

Mike Flanagan, 2016
Roteiro: Mike Flannagan e Jeff Howard
PlayArte

3

Os sonhos são, por sua natureza, uma grande fonte de inspiração para o cinema e a TV. Existem diversos filmes ótimos sobre sonhos, ou que usam sonhos como cenários. Temos desde aventuras-pipoca como Dreamscape – Morte nos Sonhos (1984) de Joseph Ruben, até filmes densos e enigmáticos como Estrada Perdida (1997) de David Lynch, ou verdadeiras obras-primas poéticas como Sonhos (1990) de Akira Kurosawa. São filmes muito diferentes entre si mas, cada um a seu modo, são filmes memoráveis.

Infelizmente, esse não é o caso de O Sono da Morte, de Mike Flanagan. O filme conta a história de Jesse (Kate Bosworth) e Mark Hobson (Thomas Jane), que após a morte de seu filho adotam o misterioso Cody (Jacob Tremblay), um garotinho atormentado por um terrível segredo: seus sonhos se tornam realidade.

Sono da Morte? É mais tipo “Morto de Sono”.

Desculpem-me se uso e abuso de termos referentes a sono nessa resenha, mas não consigo resistir. Então vamos tirar isso da frente de uma vez: a trama do filme é preguiçosa, a maioria do elenco parece estar dormindo, e o resultado é um filme letárgico. Ufa, me sinto melhor.

O filme começa com o que deveria ser um prólogo assustador, e que nos dá uma prévia do que está por vir. Nesse sentido é um prólogo bem honesto mesmo, já que nada muito interessante acontece, e esse é um ótimo resumo do filme inteiro.

Um dos maiores problemas do filme é talvez o fato que ele não tem um gênero bem definido. Vendido como filme de terror é na verdade mais apropriadamente uma fantasia misteriosa para crianças e jovens facilmente assustáveis. Nada muito assustador acontece. Os sustos demoram um pouco para começar (pelos meus cálculos uns dois anos e meio) e quando finalmente dão o ar da graça são todos do tipo BLAM.

Vocês sabem o esquema. Alguém olha debaixo de uma cama, não vê nada, se levanta e BLAM! tem alguém atrás dele. Ou alguém vê o próprio reflexo num espelho, não há nada demais, olha de novo e BLAM! tem alguém atrás dele. Ou o sujeito olha dentro da carteira, está vazia, uma mariposa sai voando, ele suspira triste, vai para casa pensar na vida, abre a porta e BLAM! não há nada ali. Aí ele se vira e BLAM! tem alguém atrás dele. E assim vai.

E os sonhos – ah, os sonhos! – são bem médios. Novamente, outros filmes já traçaram esse caminho e o fizeram com muito mais estilo – caso de The Cell (2000) – ou com um sentido perverso de humor, como os inúmeros filmes com o Freddy Krueger.

Lá para as tantas aparece uma espécie de monstro principal, que pode ser tanto a personificação dos medos e anseios inconscientes do pequeno Cody, quanto uma versão censura livre de um morto-vivo misturado com um orc de Moria e feita pelo sobrinho do diretor. É assustador vê-lo se movendo, isso eu admito: ele é tão duro que parece que a qualquer momento os pixels vão arrebentar e espalhar tédio pela tela.

Se não é um personagem péssimo, pelo menos é uma tremenda oportunidade perdida: não há nada mais cool e potencialmente icônico que um bom vilão de filme de terror. Os exemplos são muitos: o já mencionado Freddy Krueger, Jason (da série Sexta-feira 13), Pinhead (Hellraiser), Ghostface (Scream)… enfim, há tantos monstros e vilões considerados clássicos que dá a impressão que é muito fácil criar um novo.

Mas acho que é importante destacar alguns pontos positivos. O filme não é horroroso (não é horroroso?), no sentido que tem uma bela fotografia, uma trilha sonora razoável e atores que em certas condições de calor e pressão até agem como seres humanos. Um exemplo disso é Thomas Jane (Punisher, The Expanse) que consegue deixar seu personagem simpático apesar do roteiro soporífico.

E temos Kate Bosworth (Superman Returns, Still Alice), que apesar de linda tem apenas duas expressões básicas: “linda”, e “linda apreensiva”. Ela infelizmente é a protagonista do filme, e quando está presente qualquer tensão que poderia haver se dissipa mais rápido do que se pode falar “Mas que Lois Lane sem graça, véi!”.

Em resumo, não é grande coisa, não é muito assustador, e não corremos absolutamente nenhum risco de testemunhar um futuro Sono da Morte 2, Sono da Morte 3 – Uma Nova Missão, e o inevitável Sono da Morte IV: uma Pistola para Jango.

Autor da Crítica: Alê Camargo.



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