26
set
2016
Crítica: “The Sea of Trees”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno
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The Sea of Trees

Gus Van Sant, 2015
Roteiro: Chris Sparling

2.5

The Sea of Trees é um filme que tem seus bons momentos enquanto tenta ser um drama humano, mas se mostra completamente tolo ao tentar ser um estudo sobre “Fé vs Ciência”.

O filme se passa na floresta Aokigahara e acompanha dois homens (um americano e um japonês) que vão para lá pensando em cometer suicídio, mas acabam iniciando uma jornada de reflexão na tentativa de responder suas questões existenciais.

E se essa sinopse parece bobinha demais é porque… Bem, ela realmente é.

Mas felizmente o filme não é apenas isso. O diretor Gus Van Sant e o roteirista Chris Sparling também gastam bastante tempo com flashbacks que mostram o que levou o protagonista (interpretado por Matthew McConaughey) a planejar seu suicídio, o que envolve seu relacionamento complicado com sua esposa (Naomi Watts). E só o fato de sabermos que suas brigas e desentendimentos o levará eventualmente a tentar tirar a própria vida já adiciona um interessante peso dramático a todas essas sequências.

Além disso, a fotografia de Kasper Andersen é eficiente ao sempre encher o quadro com cores frias que criam um ambiente desagradável mesmo quando os personagens estão em casa. Por outro lado, a trilha sonora de Mason Bates peca a todo momento pela obviedade e por ser onipresente durante toda a projeção, sem espaço para sutileza alguma.

Sutileza, aliás, é o que mais falta para o filme quando ele tenta ser um drama espiritual. Desde a construção do protagonista como o mais completo clichê do cientista ateu que se acha bom demais para a fé (com direito a falas óbvias como “a ciência tem todas as respostas”, ou “deus é mais nossa criação do que nós dele”), até as revelações finais, que ao invés de serem comovente, só conseguem ser risíveis.

Ao menos a atuação central de Matthew McConaughey é digna de aplausos. Transbordando dor e arrependimento no olhar em praticamente todas as cenas, o ator ainda é capaz de convencer nos breves momentos de esperança de seu personagem, e protagoniza um belo monólogo sobre sua esposa à beira de uma fogueira. E enquanto Naomi Watts mais uma vez surpreende pela intensidade e entrega total ao filme, Ken Watanabe se mostra um clichê total, com um sotaque muito mais carregado do que o habitual e a voz sempre sussurrada, além de enfrentar diversos problemas com o roteiro (e me arrisco dizer que nem o mais talentoso dos atores conseguiria contornar alguns problemas deste personagem).

Tendo bons momentos humanos, mas sendo completamente raso e simplista em sua discussão temática, The Sea of Trees é um filme que naufraga nas próprias ambições e não compreende seu potencial, sendo ao fim uma obra que provoca risadas involuntárias nos momentos em que deveria evocar lágrimas.



Gosto de todos os gêneros cinematográficos e estou sempre aberto para conhecer novos diretores. Dentre os meus preferidos estão Woody Allen, Kubrick, Hitchcock e David Fincher. Sou estudante de Música, e não consigo passar um dia sem assistir um filme.