25
set
2016
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “Cocalero”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Mariana Tocci

Cocalero

Alejandro Landes, 2007
Roteiro: Alejandro Landes
Bolívia
Fall Line Films

3.5

Na Volta ao Mundo de hoje, nós paramos na Bolívia com o filme Cocalero. O documentário acompanha a campanha presidencial de Evo Morales, primeiro presidente indígena do país, eleito em 2006 e que ainda é o atual presidente da Bolívia.

O longa, o primeiro dirigido por Landes – que nasceu em São Paulo – , foi inspirado em outro documentário: Entre Atos, de João Moreira Salles, que mostra a campanha presidencial de Lula em 2002. Ambos os presidentes têm em comum o fato de serem da América do Sul e sofrerem preconceito devido às suas raízes. Morales tem origem indígena, então sua primeira língua é o aimará. O espanhol é apenas seu segundo idioma. Além disso, ele foi líder sindical dos cocaleiros. Ambos os fatos contribuíram para a rejeição à Morales.

O termo cocaleiro, que dá nome ao documentário, faz menção à parcela da população boliviana que cultiva a folha de coca como um meio de sobrevivência. Morales se opôs às medidas feitas pelo governo dos Estados Unidos de substituir as plantações de coca por bananas. O conflito entre EUA e Bolívia é mencionado no documentário, porém não fica muito bem explicado. Para quem tem algum conhecimento prévio sobre o país ou faz parte da América Latina é mais fácil de compreender, mas se o indivíduo for de outro lugar pode ser difícil de entender as relações dessa história.

A folha de coca, para a parte da população indígena, é algo cultural. Eles comem e colocam em chás, por exemplo. A justificativa dos EUA para parar a produção de coca era o narcotráfico. Então, os índios do país se juntaram contra esta medida e Evo Morales era – e ainda é – um dos líderes do movimento.

Todo o longa é marcado pela presença das folhas de coca: o som delas sendo cultivadas, mascadas, pisoteadas. Elas criam uma textura para o documentário que não te deixa esquecê-las. Além disso, durante o longa vai se criando uma imagem do líder do povo. Evo é simples, nada no rio com seus companheiros de campanha, fica nervoso no dia da eleição, faz brincadeiras, como qualquer ser humano.

Apesar de criar essa imagem de que o MAS (Movimento para o Socialismo) quer ajudar o povo boliviano e da possibilidade de se ter realmente um líder do povo, o documentário não ignora as partes contraditórias do partido e dos povos indígenas. Landes não deixa de citar métodos de tortura usados pelo movimento cocaleiro ou de mostrar a forma duvidosa de como Leonilda Zurita – candidata do MAS ao Senado – ensina as mulheres a votarem.

O final do longa foge do clichê e traz uma cena simples, mas que diz muito. Apesar de ser interessante o modo que o diretor encontrou de fechar o documentário, penso que – nesse caso – fazer um pouco do clichê não seria ruim. Eu, pelo menos, fiquei esperando para ver a reação do povo boliviano após o resultado da eleição ser anunciado. Em resumo, Cocalero vale a pena por sua temática e por mostrar, mais de perto, um dos líderes mais emblemáticos da América Latina.

Na próxima semana, a nossa viagem continua! Vamos conhecer a Bósnia por meio do longa Terra de Ninguém. Não perca!



Apaixonada por filmes da Disney, mas assisto de tudo um pouco: musicais, filmes antigos, séries (só não me deixe sozinha assistindo um filme de terror, por favor). Sou estudante de Jornalismo e ainda acredito que a Summer, de (500) Dias Com Ela, não era uma vadia.