18
out
2016
Crítica: “Inferno”
Categorias: Críticas • Postado por: Paulo Vitor Betiati

Inferno

Ron Howard, 2016
Roteiro: David Koepp
Columbia Pictures

3

Inferno dá continuidade à saga do professor de simbologia Robert Langdon (Tom Hanks), de O Código da Vinci (2006) e Anjos e Demônios (2009), e consegue cumprir o papel de prender a atenção do espectador com as investigações de Langdon. Mas, ainda assim, alguns fãs podem se decepcionar, não somente pela decisão do roteirista David Koepp em dar ao filme um rumo diferente da história original, mas por ser a adaptação mais fraca dos livros de Dan Brown.

Logo no início, nos deparamos com um discurso de Bertrand Zobrist (Ben Foster), um jovem bilionário com ideias radicais a respeito dos problemas consequentes do crescimento populacional, e que planeja liberar um vírus capaz de matar metade da população mundial, tornando possível um recomeço, como o que ocorreu com a Peste Negra e o Renascimento cultural na Europa. É com o objetivo de evitar esta catástrofe que Langdon se envolve na busca pelo vírus e se encontra novamente na Itália, mas dessa vez, em um hospital na cidade de Florença e sem recordações de como chegou ali. A partir de então, a dra. Sienna Brooks (Felicity Jones) passa a ajudar o professor, que é perseguido por desconhecidos que querem matá-lo e autoridades da Organização Mundial da Saúde.

Assim como os filmes anteriores, Inferno se passa em lugares turísticos, nesse caso na Itália e Turquia, com belos cenários, e conta com uma ótima trilha sonora de Hans Zimmer. Dentre os filmes da saga, este é o que mais possui cenas de ação, dando um ritmo mais ágil e que funciona muito bem até o terceiro ato. Apesar da competência de Ron Howard em criar um thriller de ação repleto de perseguições e referências culturais, o roteiro apresenta falhas e não se importa em deixar alguns detalhes sem explicações, um exemplo disso é Ignazio, um amigo de Langdon que simplesmente desaparece depois de ajudá-lo no início. Ao contrário de O Código da Vinci, o filme não tenta ser fiel ao livro, algo que não é necessariamente ruim, mas a principal mudança feita por David Koepp é justamente em relação ao final da trama e um tanto desnecessária.

Além de Tom Hanks, também se destaca a dinamarquesa Sidse Babett Knudsen, no papel de Elizabeth Sinskey cujo relacionamento com o protagonista é comparado ao de Dante Alighieri e Beatriz de maneira forçada. Felicity Jones não chega a impressionar, apesar da importância de sua personagem na história, e ganham destaque Omar Sy interpretando o agente Christoph Bruder, um dos que perseguem o professor, e o indiano Irrfan Kahn que chama a atenção no papel de Harry Sims, líder de uma corporação secreta que também não é muito explicada pelo filme.

É possível que The Lost Symbol, publicado em 2009 por Dan Brown, também seja adaptado para o cinema, o próprio autor já esclareceu os motivos do livro ainda não ter sido publicado dizendo que é “um livro grande e complexo” e ainda afirmou: “É melhor levar um tempo para fazer uma coisa da maneira correta do que simplesmente lançar um filme ruim”. Dessa forma, os fãs do escritor estão dispostos a esperar mais alguns anos, mas certamente os 7 anos que se passaram entre Anjos e Demônios e Inferno não evitaram algumas falhas.



Sou fascinado por cinema desde que vi uma exibição de "Taxi Driver" sem ter ideia do que o filme tratava, ou seja, a curiosidade me move. Logo depois descobri filmes do Kubrick que até hoje são meus favoritos, e mais tarde, Ingmar Bergman. Pretendo cursar Cinema e Filosofia, enquanto não chego lá, tento ocupar o tempo livre com tanta coisa que comecei a escrever sobre cinema.