03
out
2016
Crítica: “Sete Homens e Um Destino”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno
magnificent

Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven)

Antoine Fuqua, 2016
Roteiro: Richard Wenk e Nic Pizzolatto
Sony Pictures

3

Se por um lado é extremamente desolador ver tantos remakes sendo feitos por Hollywood, por outro, é interessante saber que essas novas versões vão fazer com que mais pessoas conheçam os clássicos e, além disso, as refilmagens têm a oportunidade de modernizar os elementos que, por conta do atraso social da época, hoje são vistos como inadequados. Sendo assim, é interessante notar como este novo Sete Homens e Um Destino (refilmagem do filme homônimo de 1960, que por sua vez já era uma releitura do clássico Os Sete Samurais de Akira Kurosawa) traz agora maior representatividade em seu elenco e maior destaque para a figura feminina, mas ainda assim, não deixa de ser um filme desnecessário que, mesmo levemente divertido, é bem mais longo e cansativo do que deveria.

A história é a mesma dos clássicos: um vilarejo está sendo constantemente atacado por bandidos, então os moradores decidem pedir ajuda para um grupo improvisado de sete justiceiros.

Depois de um começo apressado, que perde a oportunidade de apresentar com calma os moradores do vilarejo e suas motivações, o filme logo engata uma excelente sequência de ação onde estabelece a ameaça de seu vilão (que mesmo caricato, funciona dentro da lógica do filme, e ainda consegue causar impacto por suas ações), e isso é basicamente um resumo das qualidades e defeitos da obra: quando tenta ser um western, o diretor se diverte junto com o público e a narrativa flui, mas quando tenta dar atenção para seus personagens, o roteiro se torna aborrecido e entediante.

O diretor Antoine Fuqua (do bom Dia de Treinamento e do péssimo O Protetor) e seu diretor de fotografia Mauro Fiore (vencedor do Oscar por Avatar) são muito felizes ao abusarem de elementos que caracterizam o gênero de faroeste, como as imagens em contraluz e os longos planos abertos que trazem todos os sete personagens-título juntos em tela. Além disso, a paleta de cores quentes, que destaca principalmente o amarelo, utilizada em todo o filme é de uma beleza plástica admirável, e funciona para estabelecer o ambiente seco e escaldante onde vivem os personagens.

Já o roteiro de Richard Wenk e Nic Pizzolatto merece créditos por modernizar o clássico ao dar mais destaque para uma figura feminina e trazer maior diversidade para o grupo de heróis principal. Por outro lado, mesmo que os personagens sejam interessantes, a união do grupo (que toma grande tempo da projeção) jamais parece algo empolgante (ao contrário do que acontecia na versão anterior) e os personagens só começam a convencer quando de fato entram em ação e começam a trocar tiros com os vilões.

O elenco está competente. Denzel Washington tem carisma para protagonizar o filme, e convence pela imponência e ameaça representada por seu personagem. Chris Pratt mostra mais uma vez um excelente timing cômico, e faz com que a arrogância de seu personagem seja algo divertido, evitando que ele se torne desagradável. Já Peter Sarsgaard se diverte com a vilania excessiva de seu personagem, que é ameaçador mesmo sendo caricato – uma pena que tenha tão pouco tempo de tela.

Tendo ainda um clímax surpreendentemente enérgico e explosivo (mesmo que longo), Sete Homens e Um Destino consegue se divertir pontualmente com o espectador e moderniza o clássico em alguns aspectos. Mas isso não é o suficiente para justificar o remake e nem tampouco para o tornar divertido o suficiente para figurar entre os melhores grandes lançamentos do ano.



Gosto de todos os gêneros cinematográficos e estou sempre aberto para conhecer novos diretores. Dentre os meus preferidos estão Woody Allen, Kubrick, Hitchcock e David Fincher. Sou estudante de Música, e não consigo passar um dia sem assistir um filme.