25
out
2016
Festivais: “40º Mostra de São Paulo – Dia 5”
Categorias: Festivais • Postado por: Matheus Petris

Comentários sobre os filmes vistos no 5º dia da 40º Mostra Internacional de Cinema São Paulo Int’l Film Festival.

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De Punhos Cerrados

Direção: Marco Bellocchio

País: Itália

Ano: 1965

“De Punhos Cerrados” é o retrato do sofrimento conjunto. O sofrimento familiar elevado ao máximo. Com personagens de personalidades fortes e impactantes, a trama te leva a um estado de sofrimento junto àquela família. Uma família que já não se mantém devidamente, que tem como figura patriarcal o irmão mais velho, que se mostra um verdadeiro egoísta.

A maldade também está presente nesta família. E, ela está personificada em um dos irmãos. Com um tom dramático, ele sempre se mostra uma pessoa perturbada e deseja pôr um fim a todo que o cerca. A trilha de Ennio Morricone consegue reforçar ainda mais a melancolia presente em todos os momentos do filme, uma trilha pesada e que incomoda – no bom sentido. A doença mental de um dos irmãos, talvez permita a ele estar distante de toda a loucura que o cerca.

A disposição maquiavélica do protagonista – a personificação da maldade – nos faz imaginar diversas coisas daquilo que viria a acontecer, mas é quase que impossível prever com exatidão os atos extremos que ele o fará. Rompendo a barreira da insanidade, ele se entrega a loucura.

A China Está Próxima

Direção: Marco Bellocchio

País: Itália

Ano: 1967

O segundo filme de Bellocchio já mostra seu interesse pela política, e dita um pouco daquilo que viriam a ser seus próximos filmes. “China Está Próxima” é um filme em certa medida anti burguês, que demonstra a falta de escrúpulos de pessoas que ingressam na política sem qualquer conhecimento.

“Não existem mais partidos ou ideias”, esta frase dita por um dos personagens é um breve resumo da própria trama. Sem qualquer noção de política, o protagonista se vê perdido em meio aquilo que o cerca, e vira presa fácil para seu contador.

A ingenuidade talvez seja um dos pontos altos que o fazem ser incompetente naquilo que se propõe. Sendo facilmente manipulado por todos que o cercam.

A crítica a religião também está presente, e em uma escolha que deveria ser exclusivamente da mulher, ela interfere e incomoda o telespectador racional.

A simplicidade da trama e a mistura de assuntos talvez não funcione tão bem quanto deveria, ao não escolher sobre exatamente o que quer falar, o filme acaba por se perder na própria história.

A Grande Ilusão

Direção: Jean Renoir

País: França

Ano: 1937

O primeiro filme exibido no ‘Vão Livre do Masp”, em homenagem a Paulo Emílio Sales Gomes, não poderia ter sido melhor: A Grande Ilusão, de Jean Renoir.

As sensações que o filme provoca são muito perceptíveis ao assistirmos esse filme ao ar livre, as pessoas parecem mais à vontade e dão risada com vontade, se assustam e se me emocionam como se estivessem dentro daquela trama. Isso mostra a verdadeira maestria de Jean Renoir, que consegue provocar tudo isso mesmo quase 80 anos depois.

Prisioneiros de guerra da primeira guerra mundial, os personagens principais parecem muito vivos e dispostos a tentar fugir dali. Obviamente, eles foram a guerra apenas por obrigação e nunca foram a favor de tal acontecimento.

Isso permite a eles que ajam em forma socializável e amigável, o que fazem eles continuar tentando fugir a todo momento. A guerra não traz apenas o lado podre de nós, também pode trazer os lados positivos, e é isso que Renoir escolhe mostrar.

Se lados opostos, um comandante francês e um alemão se mostram tão próximos, formando quase uma amizade, infelizmente eles precisam cumprir com os deveres que os foram impostos. E sobrevivência de um deles naquele momento consegue ser retratada com uma frase que ainda ressoa em minha mente: “Me arrastarei numa existência inútil”.

Ondas

Direção: Grzegorz Zariczny

País: Polônia

Ano: 2016

Problemas familiares parecidos fazem com que a aproximação seja mais fácil. A sensação de um “entender” o outro, permite a amizade se construa de forma verdadeira. Ondas é a mais sincera representação de uma bela amizade.

A trama que cerca a história principal, demonstra algumas frustações que reside em todos nós. Você não conseguir fazer com qualidade aquilo que ama é uma das piores sensações que a vida pode lhe dar. Por sorte, elas se completam e se ajudam, o que mostra a verdadeira paixão de ambas por aquilo que fazem.

A pai da protagonista busca uma espécie de remissão, pois sabe que cometeu erros. Ele parece querer mudar e se esforça por isso, por mais que ainda cometa erros. E se uma mãe distante tenta voltar a se aproximar, a indisposição de sua filha em querer tem total sentido – e assim deveria ter continuado.

O amor reside em poucos personagens, e com certeza não reside na figura materna. Que normalmente é uma figura que ama suas “crias, aqui é ao contrário, ela prefere seu próprio bem estar do que de sua filha. Motivo que no final faz com que aceitamos a espécie de rebeldia adolescente, e que nos faz torcer para que o amor de um pai e filha seja o suficiente para tentar continuar a viver.



Trabalho na área de informática, cursei economia, e nada disso me fez feliz. É aí que entra minha verdadeira paixão pelo cinema. Encontrei no cinema aquilo que faltava em minha vida. Nas palavras de Fritz Lang: “Para mim, o cinema é um vício. Eu o amo intimamente”. Fã incondicional de: Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Chan-Wook Park e Nicolas Winding Refn.