27
out
2016
Festivais: “40º Mostra de São Paulo – Dia 7”
Categorias: Festivais • Postado por: Matheus Petris

Comentários sobre os filmes vistos no 7º dia da 40º Mostra Internacional de Cinema São Paulo Int’l Film Festival.

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Greater Things

Direção: Vahid Hakimzadeh

País: Reino Unido, Japão

Ano: 2015

Greather Things é tão vazio quanto seus próprios planos, roteiro e personagens. Tentando abordar vários assuntos diferentes, o filme não se aprofunda em nenhum deles, todos são pincelados superficialmente, com pouquíssimos diálogos ou planos que dizem algo. Se os planos gerais são bonitos, eles nada dizem, estão ali só por puro capricho.

O protagonista – sim, existe um – talvez seja o mais curioso dentre eles. Absorvendo uma nova cultura e correndo atrás de seu sonho, ele é calmo e calado. Curiosamente ele é totalmente contrário a violência, mesmo sendo um lutador. Sua garra e persistência são notáveis, mas só.

Ao desejar contar quatro história diferentes e não conseguir desenvolver nenhuma, o filme comete suicídio e espanta qualquer telespectador presente.

O Ignorante

Direção: Paul Vecchiali

País: França

Ano: 2016

O título do filme faz jus a personalidade de seu protagonista – que é o próprio diretor. Teimoso e ignorante, ele não escuta ninguém a sua volta, e vive sozinho no conforto de sua casa. Seu filho, tem aspectos parecidos com os dele, o que faz a convivência ser péssima.

A forma como o filme é construído é pouco interessante, se prendendo a diálogos rasos e que ao mesmo tempo tentam explicar o mundo, praticamente de forma moralista. A narração que reforça o que já mostrado em tela é inútil, e mais atrapalha do que qualquer outra coisa. O “amor” que o protagonista sente por sua primeira esposa é algo palatável, diferente do sentimento que ele sente pelas outras que amou.

Tratar de temas como amor, morte e velhice, exigem uma complexidade maior do que o filme se propõe, motivo que faz com que o filme se desconstrua e ao mesmo tempo que queria falar sobre tudo, ele acaba falando sobre nada.

O Segredo da Câmara Escura

Direção: Kiyoshi Kurosawa

País: França, Japão, Bélgica

Ano: 2016

A obsessão dita “O Segredo da Câmara Escura”. No filme, a obsessão parece ser algo contagioso, e o protagonista é inundado por tal sentimento. Com uma personalidade típica do pós adolescência, o protagonista está perdido em meio a seus pensamentos e não tem ideia do seu futuro, o que é completamente alterado ao adentrar no seu novo emprego e se confrontar com seu perturbado patrão.

O filme a todo momento mistura a realidade com um mundão de ilusão, o que acaba por confundir nós telespectadores, o que para este filme é um bom sinal, pois essa justamente é a proposta.

A direção de Kiyoshi não deixa a desejar em nenhum momento, todos os planos representam os personagens e a trama como um todo. A cena da escada é tão visceral quanto fria, o que demonstra bem o que viria se tornar o filme.

Um objetivo obsessivo tem o poder de destruir tudo e a todos, e é esse o ponto de sofrimento dos personagens que o cercam.

“Foi uma bela viagem…”

Soy Nero

Direção: Rafi Pitts

País: Alemanha, França, México

Ano: 2016

Em um ano que o Estados Unidos podem vir a ter Donald Trump como presidente, é extremamente válido tratar de temas como a imigração. A brava luta dos mexicanos deportados ilustra bem os motivos que fazem de “Soy Nero” um filme essencial dos dias atuais. O problema da imigração não está presente apenas na américa do norte, está também na Europa, no Oriente Médio, está em todo lugar.

A cena em que estadunidenses e mexicanos jogam vôlei na fronteira – onde a rede representa o “muro” – evidencia com perfeição que impor esses limites é um absurdo.

American Way of Life, American Dream, todos são “sonhos” vendidos ao exterior pelos Estados Unidos e comprados facilmente, apesar da realidade ser completamente diferente.

O preconceito contra outras nacionalidades está presente e é tão real quanto o filme aborda, o que nos faz questionar: Por quê?

Ma’Rosa

Direção: Brillante Ma. Mendoza

País: Filipinas

Ano: 2016

Brillante Mendoza ficou mundialmente conhecido por retratar as Filipinas de forma verdadeira e direta, em seu mais novo longa-metragem, Ma’Rosa, não faz diferente.

Trazendo problemas sociais à tona, principalmente de países pobres como as Filipinas, Mendoza escancara a verdade através de seu filme, com um tom claustrofóbico diante a cidade e utilizando câmera na mão durante todo o filme, o sentimento incomodo e de perturbação se mantém presente durante toda a projeção.

O tráfico de drogas, corrupção policial, prostituição, são só de alguns problemas apontados, e que podemos enxergar como um tom de denúncia.

A protagonista que foi premiada como melhor atriz no Festival de Cannes desse ano, retrata a mãe de família que luta pela sua sobrevivência e de seus entes querido, com uma atuação marcante e verossímil, faz jus a seu prêmio.

A jornada de seus filhos para buscar o objetivo intensifica ainda mais os problemas das Filipinas, e se o objetivo é alcançado? É algo completamente subjetivo. O olhar vazio da protagonista na cena final retrata bem o que é viver a beira do abismo.



Trabalho na área de informática, cursei economia, e nada disso me fez feliz. É aí que entra minha verdadeira paixão pelo cinema. Encontrei no cinema aquilo que faltava em minha vida. Nas palavras de Fritz Lang: "Para mim, o cinema é um vício. Eu o amo intimamente". Fã incondicional de: Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Chan-Wook Park e Nicolas Winding Refn.