28
out
2016
Festivais: “40º Mostra de São Paulo – Dia 8”
Categorias: Festivais • Postado por: Matheus Petris

Comentários sobre os filmes vistos no 8º dia da 40º Mostra Internacional de Cinema São Paulo Int’l Film Festival.

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David Lynch: A Vida de um Artista

Direção: Jon Nguyen, Olivia Neergaard e Rick Barnes

País: Estados Unidos

Ano: 2016

Falar de um artista tão completo quanto David Lynch não é tarefa fácil. Lynch alcançou na arte aquilo que ansiava em sua vida. Ele é diretor, roteirista, produtor, artista plástico, pintor, músico e escritor. Estas são as funções que são de meu conhecimento. E é incrível como tudo ali citado é feito com extremo cuidado e voraz paixão.

Neste documentário, é possível sentir todos os sentimentos de Lynch pela arte. Com sua voz tranquila e calma, ele conta como foi sua infância e como desenvolveu seu amor pelas artes e como aprendeu com ela.

Em uma montagem interessante, vemos fotografias que remetem a Lynch, pinturas de sua criação, além de momentos onde ele está criando. Em algumas cenas são reveladas antigas pinturas que lembram muito seus futuros curta metragens e ao próprio “Eraserhead”, seu primeiro longa-metragem.

De forma interessante e cativante, o documentário nos transporá até aos momentos de criação dos curtas e um pouco sobre ‘Eraserhead’, mas infelizmente ele para por aí. A vontade de continuar conhecendo mais da história desse grande artista é o sentimento que fica.

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu

Direção: João Botelho

País: Portugal

Ano: 2016

“Filmar o que ama e o que acredita.” É apenas um dos muitos ensinamentos que Oliveira ensinou a Botelho, e é claro, a todos os cinéfilos ao longo de um século de sua existência. E que hoje, mesmo após a sua morte continua ensinar as gerações presentes e com certeza as futuras.

Manoel de Oliveira fez filmes até o fim de sua vida, e fez com convicção por aquilo que mais amou. Com um cinema inventivo e único, mudou muita coisa, criou muita coisa, influenciou muita gente. O retrato de Botelho ao cinema de Oliveira é cativante, e mostra quanto amor Oliveira depositou em seu cinema, por mais que as dificuldades tenham existido – e elas foram muitos.

Oliveira cravou seu nome na história e continuará a ser estudado enquanto o cinema existir. Como dizia João César Monteiro: “Ou encolhem o cineasta, ou alargam o país!”

O Pagador de Promessas

Direção: Anselmo Duarte

País: Brasil

Ano: 1962

“O Pagador de Promessas” foi um dos filmes mais importantes da história do cinema Brasileiro, segundo Paulo Emílio Sales Gomes. Este ano, é o centenário de Emílio, e todas a exibições do Vão Livre do Masp foram escolhidas pensando nos filmes mais importantes para ele. A escolha de “O Pagador de Promessas” não poderia ter sido mais assertiva.

O filme trata de diversos aspectos da cultura brasileira e inclusive mundial. O preconceito religioso é um dos pontos de mais crítica dentro da trama, sendo toda a problematização do filme sua culpa. O “pseudo amor cristão” está presente, personificado na figura ignorante do padre, que faz a recusa ao protagonista a qualquer custo, ele que mesmo com uma crença divina e ensinamentos “cristãos!”, não consegue acolher ou amar o próximo. Isso, sendo um tema completamente atual, prova a obra-prima feita por Duarte, que aproveitou muito bem o texto da peça.

O sensacionalismo da imprensa foi um dos outros motivos para tanto rebuliço dentro da trama, sendo um outro causador de problemas, e é claro, o anti-comunismo tão presente àquela época que estava tão próximo de sofrer um golpe militar utilizando desse argumento.

É extremamente complicado falar deste filme de forma sintética, seu conteúdo denunciativo é extremamente amplo e complexo, o que torna a sintetização quase impossível.

76 Minutos e 15 Segundos com Kiarostami

Direção: Seifollah Samadian

País: Irã

Ano: 2016

Este ano tivemos uma enorme perda ao cinema, a morte de Kiarostami – fiel amigo da mostra de Sâo Paulo – foi sentida por todos. Morreu cedo, ainda poderia nos agraciar com muitas obras que só ele poderia fazer.

O documentário aborda tantos momentos inusitados e naturais de Kiarostami, conhecemos um pouco do seu processo criativo, de suas ideias, e é claro, de sua fiel paixão pelo cinema. Paixão essa que o fez fazer filmes até o fim de sua vida. Como ele mesmo disse em um diálogo do filme: trabalho a 50 anos e não vejo a aposentadoria próxima, infelizmente a morte fez com que parasse.

Ele amava o cinema, amava a fotografia, amava criar e inventar. As cenas dele apenas fotografando paisagens dizem muito de quem era Kiarostami: uma pessoal completamente apaixonada. Ele visitava locações, escrevia roteiros, dava aulas, fotografava, filmava, tudo com o maior amor e atenção possível. Talvez seja esse um dos motivos para tantas obras-primas criadas? Nunca saberemos, mas sempre teremos certeza de quem foi e quem é Kiarostami. E esse documentário íntimo e belo evidencia essa sensação.

Se no final de “Através das Oliveiras” que até hoje nos perguntamos: o que aconteceu? Eles conversaram? Se acertaram? Continuaram brigando?

No final do documentário nós fazemos um outro questionamento: Por que morreste tão cedo?

 

 



Trabalho na área de informática, cursei economia, e nada disso me fez feliz. É aí que entra minha verdadeira paixão pelo cinema. Encontrei no cinema aquilo que faltava em minha vida. Nas palavras de Fritz Lang: “Para mim, o cinema é um vício. Eu o amo intimamente”. Fã incondicional de: Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Chan-Wook Park e Nicolas Winding Refn.