29
out
2016
Festivais: “40º Mostra de São Paulo – Dia 9”
Categorias: Festivais • Postado por: Matheus Petris

Comentários sobre os filmes vistos no 9º dia da 40º Mostra Internacional de Cinema São Paulo Int’l Film Festival.

280462

O Sol, o Sol Me Cegou

Direção: Anka Sasnal, Wilhelm Sasnal

País: Polônia, Suiça

Ano: 2016

A estranheza contida em “O Sol, O Sol me Cegou” não está contida apenas no protagonista, e sim no filme como um todo. Os diretores e roteiristas – que são irmãos – decidiram abordar um tema tão polêmico e amplo como o da xenofobia, porém, decidiram seguir caminhos tortuosos para chegar ao destino, que inclusive não se consegue saber qual é. Com momentos que nada o dizem, fazendo jus as movimentações de câmera gratuitas, o filme não se suporta em seu roteiro apresentado, e mesmo com sua simplicidade, consegue se perder em si mesmo.

A xenofobia é algo extremamente presente na sociedade contemporânea e deveria ser abordada com mais cuidado. Se o protagonista dissipa suas dores com a corrida, ele não demonstra o que sente em nenhum momento, mas ao se confrontar diante um igual – mesmo que de outra nação – mostra quem verdadeiramente é.

Se ao abraçar o tom onírico eles tentam justificar a trama, também não conseguem. E acabam confundindo ainda mais o telespectador que já se encontra desajustado.

Mifune: O Último Samurai

Direção: Steven Okazaki

País: Japão

Ano: 2015

“MIfune: o útlimo Samurai”, não apenas um documentário sobre um dos maiores atores da história do Japão e do mundo, é também sobre a história do cinema e de como o Japão foi e é importante para construção e evolução do cinema como arte.

Toshiro Mifune foi peça fundamental para Akira Kurosawa, um dos maiores diretores da história. Com uma parceria tão prolifica, juntos eles nos entregaram muitas obras-primas, filmes estes que são e foram fundamentais para o estudo e aperfeiçoamento do cinema.

A partir de relatos emocionantes, de seus familiares ou colegas de trabalho, redescobrimos como Mifune era único e que sentia realmente amor por aquilo que fazia. Depoimentos de diretores como Scorsese e Spielberg, que mesmo tão distantes, tiveram uma formação cultuada no cinema Japonês, falam sobre a importância de Mifune para a construção deles como cinéfilos e diretores.

Mifune é, e sempre será lembrado pela história que criou.

Noites de Cabíria

Direção: Federico Fellini

País: Itália

Ano: 1957

Giulietta Masina, parceira de Fellini no cinema e na vida, protagoniza aquele que foi e é um dos maiores filmes de Fellini e também uma de suas melhores atuações. Finalizando as exibições do ‘Vão Livre do Masp’, o prazer de ver este filme ao lado da Av. Paulista, ao ar livre e podendo perceber como o filme ainda provoca sensações na plateia de mais diferentes idades, é um prazer inigualável e que levarei para sempre em minha memória.

Cabíria tem uma personalidade forte e difícil, e precisa provar aos outros a qualquer custo que é uma mulher independente e feliz com a vida que leva. Ela sofreu e sofreu muito para conseguir tudo o que têm, e tem prazer em gritar aos quatro mundos aquilo que conquistou: “Eu tenho até termômetro em minha casa!”

Mesmo com todos seus problemas ela sorri, dança e se diverte com a vida que leva. Ela têm tudo do que precisa, mesmo que para alguns seja muito pouco. Mas a natureza dos seres humanos é podre, e faz com eles se aproveitem das boas pessoas, o que a leva para mais um caminho de tortura e sofrimento. Mesmo que ela o entone: “Ainda bem que existe justiça no mundo!”, nada consegue parar a ganância.

Se no final do filme ela consegue sorrir, é pela maravilhosa mulher que é, e com certeza irá superar todas as barreiras que já foram vencidas e que ela vai ser obrigada a superar novamente.

Lobo e Ovelha

Direção: Shahrbanoo Sadat

País: Afeganistão

Ano: 2016

É sempre curioso conhecer civilizações tão remotas e com culturas tão diferentes das nossas, e o cinema é um arte que como poucas consegue nos trazer isso em máximos detalhes. “Lobo e Ovelha” é sobre uma civilização na zona rural do Afeganistão, o filme é basicamente um apanhado do que é viver lá, porém, com um esboço do roteiro para sinalizar que ali existe uma história.

Ali, na maior parte do tempo, as brincadeiras e a vida infantil se perde em meio ao trabalho, eles são explorados por suas famílias e são obrigados a trabalhar o dia inteiro. Buscando assim, uma forma de sobreviver em meio ao nada. A misoginia ali habita, tão como a poligamia, e aquele papel retrógrado da mulher como dona de casa que deve cuidar do marido e filhos. Todos os personagens do filme são extremamente diretos e sinceros, e interpretam a si mesmos, o que traz uma naturalidade absolutamente boa ao filme.

Com um retrato cuidados, temos conhecimento da cultura deles e das belas paisagens que o cercam, e também notamos que ali é um mundo completamente diferente do que a dita sociedade contemporânea vive. Infelizmente, a “sociedade civilizada” também convive com problemas como a exploração infantil, misoginia, poligamia e aquele papel da mulher mencionado, também ainda seja parte do dia-dia de muitos

Ao misturar o fiapo de história que ali existe com contos/lendas, o filme em alguns momentos toma um caminho surrealista, por assim dizer. O que prejudica e muito a verossimilhança que ali existia. Mas nem tudo é ruim, e o filme é efetivo no que diz respeito a nos mostrar como àquelas pessoas vivem.



Trabalho na área de informática, cursei economia, e nada disso me fez feliz. É aí que entra minha verdadeira paixão pelo cinema. Encontrei no cinema aquilo que faltava em minha vida. Nas palavras de Fritz Lang: “Para mim, o cinema é um vício. Eu o amo intimamente”. Fã incondicional de: Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Chan-Wook Park e Nicolas Winding Refn.