02
nov
2016
Festivais: “40º Mostra de São Paulo – Dia 10 e último”
Categorias: Festivais • Postado por: Matheus Petris

Hoje (02/11), a 40º Mostra de São Paulo chegou ao fim, cobrimos 10 dias do festival onde escrevemos sobre exatos 40 filmes. Abaixo segue uma relação de todos os dias:

1º Dia2º Dia3º Dia, 4º Dia5º Dia, 6º Dia7º Dia8º Dia9º Dia

Comentários sobre os filmes vistos no 10º – e nosso último – dia na 40º Mostra Internacional de Cinema São Paulo Int’l Film Festival.

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Barravento

Direção: Glauber Rocha

País: Brasil

Ano: 1961

Festivais de cinema sempre nos proporcionam ver grandes clássicos em tela grande, o que diga-se de passagem é uma experiência única e completamente diferente de assistir ao mesmo filme em casa. Na Mostra de São Paulo não foi diferente, e pudemos ver grandes filmes nesses dias que se passaram. Barravento um clássico de Glauber Rocha foi um dos escolhidos, e por sinal muito bem escolhidos. O filme é aquele estilo clássico Glauberiano, no qual a cultura brasileira – especificamente a baiana – está presente a todo minuto da projeção.

A história abordada por Barravento não podia ser mais baiana e brasileira naquele momento da história, Glauber consegue atrair atenção nas mais simples histórias, e nesse filme não é diferente. A verdade está presente a todo instante, impossível não lembrar de um trecho de um comentário de Scorsese sobre os filmes de Glauber: “Pelo estilo do filme, pela verdade que sobrepuja a política”. A abordagem crítica social e capitalista, além da religiosa, seria o escopo de todo o desenvolvimento da trama, o que nos faz terminar o filme pensando: esses problemas continuam? Se Glauber estivesse vivo certamente diria: Sim, continuam e temos que lutar para superá-los!

Em Outro Momento

Direção: Nahid Hassanzadeh

País: Irã

Ano: 2016

Após o descobrimento do cinema Iraniano – em sua época de ouro – é impossível não remeter os novos filmes aos clássicos já conhecidos por nós. No filme da estreante Nahid Hassanzadeh, não é diferente. Especificamente podemos notar traços do cinema de Kiarostami e de todo aquele apelo apaixonado pelo seu país e o cinema.

O filme, trazendo os problemas sociais tão conhecidos pela sociedade contemporânea é aquele famoso “soco no estomago”, e nos atira em uma profunda tristeza, e o faz de forma cru e real, não apelando em NENHUM momento ao melodrama.

O Irã é um país culturalmente misógino e religioso, mesmo na atualidade as mulheres sofrem absurdos perante seus maridos, ‘Em Outro Momento’ é um belo retrato do que é ser mulher no Irã e de quão difícil é viver sobre regras regidas por escrituras fantasiosas que oprimem a todos, especificamente as mulheres.

O Nascimento de Uma Nação

Direção: Nate Parker

País: Estados Unidos

Ano: 2016

‘O Nascimento de Uma Nação’ foi tido como um dos filmes mais esperados do ano. O filme se “vendeu” como uma resposta ao controverso “The Birth of a Nation”, clássico absoluto de Griffith. Mas o principal motivo de euforia é na verdade pelo tema que trata e da forma como escolhe abordar, o que infelizmente não salve em absolutamente o péssimo filme apresentado.

Usando do embalo pós cerimônia do ‘Oscar So White’, o filme tenta a todo custo aproveitar essa deixa para abocanhar todas as estatuetas possíveis – e parece ser feito com esse único intuito. Aspectos visuais que remetem muito aos filmes ditos ‘oscarizados’ e principalmente lembrando o cineasta Tom Hopper, que só faz filmes com esse objetivo, ‘O Nascimento de Uma Nação’ pode até ser visualmente belo – que neste filme é negativo – , mas só.

Com uma trilha completamente carregada que incomoda em muitos momentos, o filme tenta arrancar lágrimas do telespectador a todo custo, o que não era necessário, pois as cenas já tinham poder suficiente para isso. Mas não. O filme tenta e tenta usar desta fórmula, além de claro, tentar embelezar cenas que são absolutamente tristes e sofríveis em essência. O filme também utiliza textos de forma descarada de dois filmes atuais sobre o tema: ‘Django’ e ‘12 Years a Slave’. O filme é covarde e vazio, e se deveria ser impactante e importante, ele joga essa oportunidade completamente no lixo.



Trabalho na área de informática, cursei economia, e nada disso me fez feliz. É aí que entra minha verdadeira paixão pelo cinema. Encontrei no cinema aquilo que faltava em minha vida. Nas palavras de Fritz Lang: “Para mim, o cinema é um vício. Eu o amo intimamente”. Fã incondicional de: Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Chan-Wook Park e Nicolas Winding Refn.