20
jan
2017
Crítica: “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme (The Peanuts Movie)

Steve Martino, 2015
Roteiro: Bryan Schulz, Craig Schulz e Cornelius Uliano
Blue Sky Studios

3.5

Ah, Charlie Brown, você realmente influenciou uma geração inteira de crianças e adultos quando suas tiras foram publicadas, sem dúvidas.

Apesar de hoje em dia, seu cachorro ser mais importante do que toda a sua turma, você ainda terá um lugar nos corações de seus verdadeiros fãs. Muitos filmes animados foram feitos sobre suas histórias, além de uma série animada muito boa.

Mesmo tendo sido negligenciado por muitos anos, o brilhantismo que Schulz colocou em falar sobre o cotidiano de uma criança tida como loser, já que tudo o que ele tenta fazer nem sempre tem o resultado desejado por ele, e vez ou outra tendo de fazer sacrifícios em prol dos outros, fez com que só isso já colocasse Peanuts no mapa de melhor quadrinho de todos os tempos. Vemos o mesmo tipo de história em Snoopy e Charlie Brown: Peanuts – O Filme.

Charlie Brown, um garoto normal vive a vida tendo como base a frase “Há males que vem para o bem”, sendo só a primeira parte podendo ser constatada. Ele tenta diversas vezes empinar sua pipa, mas não consegue; tenta ser craque no beisebol, mas sempre se atrapalha.

Mas ele nem percebe que seus problemas estão prestes a começar. Uma nova criança chega a cidade de Charlie Brown, todos animados com a nova criança, mas Charlie em segredo nutre algo a mais por ela e deseja fazer de tudo para que essa goste dele e não o tome como loser, mesmo tendo gente que vive colocando ele para baixo, como sua colega Lucy, que já sente inveja da garota.

Enquanto isso, vemos Snoopy, o beagle mais famoso do mundo e Woodstock, seu fiel escudeiro e companheiro de aventuras se metendo em várias confusões, enquanto Snoopy pensa que é um aviador da Primeira Guerra Mundial, montado em sua casinha como seu avião e vez ou outra, dando um suporte para seu dono Charlie Brown.

Apesar das cenas aéreas espetaculares, o que faz ser imprescindível o uso do 3D nesses momentos valerem a pena, ainda acho um exagero ser tantos esses momentos, alguns são só feitos por pura comédia, em nada acrescentam a narrativa.

Os momentos em que o filme brilha e enche os olhos são com os tropeços e os exageros cometidos por Charlie, ao ponto de colocar uma redação de mil palavras no patamar de relacionamento sério, onde precisará sustentar seu affair.

Simplesmente digno de uma gargalhada hilária e contagiante, pois é nesse momento que vemos que seu filho e neto, respectivamente Craig Schulz e Bryan Schulz, mostram que podem conduzir o legado do pai/avô.

Algumas outras personagens como Sally, Patti Pimentinha e Marci roubam a cena: a primeira, tentando explorar seu irmão como meio de enriquecer, além de estar a caça de Linus, a quem ela intitula “Meu chuchuzinho” o tempo inteiro, a segunda por constantemente estar fixada nos esportes, ser pega dormindo em vários momentos cruciais, além de deixar Charlie constrangido por chama-lo de “Minduim”.

Mas, dentre as 3, quem mais se destaca é Marci, ao se dirigir a qualquer outra pessoa, exceto Charlie, a quem ela chama pelo nome verdadeiro “Charles”, usando a palavra “meu”.

Num resumo da ópera, Snoopy e Charlie Brown: Peanuts – O Filme tenta resgatar a aura que até pouco tempo parecia ter sido esquecida, devido a extensa propaganda, usando o beagle e sendo este o mais lembrado dentre todos.

Tem seus momentos distrativos, mas mesmo assim é um filme que agradará grego e troianos. Aos adultos, por fazerem eles se lembrarem dos tempos de infância, onde tudo era mais leve e pra crianças mais hiperativas, já que verão cenas 3D deslumbrantes, explorando todo cenário.

Uma última coisa: se você é muito fã de toda a turma, verá referências dos primos do Snoopy e também às primeiras versões dos personagens. Garanto que esse será o seu momento de fan service.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.