03
jan
2017
Pipoca F.A.R #18 – Filmes Nacionais sobre a Adolescência
Categorias: Pipoca F.A.R. • Postado por: Pedro Bonavita

A adolescência é considera por muitos como a fase mais difícil da nossa vida. Mas é também o período mais importante. É quando deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos, porém, sem saber exatamente como. Os nervos ficam à flor da pele, nossos hormônios então, borbulham. Questionamos tudo. Achamos que tudo está contra nós. Mas a verdade é que se trata dos momentos mais interessantes, aqueles que ficarão guardados na nossa memória e que vão render nossas melhores histórias, aquelas que contaremos com orgulho para filhos e netos.

A vida seria muito sem graça sem a adolescência.

Existem uma porção de filmes, pelo mundo todo, que trata do tema. Hoje vamos falar daqueles feitos no Brasil que discutem temas importantes para os adolescentes brasileiros como: primeiro amor, primeiro beijo, primeira transa, amigos, desilusões, drogas, álcool e, claro, amadurecimento.

Chega de blá blá blá e vamos à nossa lista.

As Melhores Coisas do Mundo (Laís Bodanzky, 2010)

Na época do seu lançamento não foram poucas manchetes que diziam que era “O filme do Fiuk”, porém vai muito além disso, e apesar de entregar uma boa atuação, o filho de Fábio Jr. é muito coadjuvante no longa. Laís Bodanzky acerta no tom do filme, ao tratar o adolescente como ele realmente é, sem fantasiar a vida de cada uma das personagens. Trata-se não do estudo apenas do protagonista Mano (Francisco Miguez), mas é um estudo sobre toda a adolescência e é interessante perceber como a diretora não se deixa intimidar por tabus e trata de temas muito relevantes como, por exemplo, o auto conhecimento. Mas, provavelmente, o ponto que chama mais a atenção do público seja a trilha sonora, que inclui inclusive “The Beatles”, que durante as entrevistas feitas pela cineasta no período de pesquisas, era a banda mais citada pelos entrevistados, todos entre 12 e 17 anos.

Desenrola (Rosane Svartman, 2011)

Contando a história de Priscila (Olívia Torres), Desenrola é um filme muito parecido com As Melhores Coisas do Mundo, só que menos denso. O que não é demérito nenhum, já que abordagens diferentes dos mesmos problemas são sempre bem vindas. Sendo um longa mais leve, se assemelha muito ao televisivo Malhação e não à toa a diretora Rosane Svartman foi responsável pelo texto de duas temporadas do folhetim, além de ser uma das autoras do grande sucesso Totalmente Demais, que na época registrou recordes de audiência na TV Globo. Também tem como ponto alto a trilha sonora, com bastante referência à década de 1980, em uma tentativa de trazer os pais junto com xs filhxs.

Califórnia (Marina Person, 2015)

Trazendo novamente a década de 1980 para a lista, Califórnia é praticamente uma auto-biografia da diretora Marina Person (aquela da MTV, mesmo). Contando uma história gostosa de se assistir e discutindo temas que eram tão relevantes no período em que é ambientada, que assusta ao perceber que, mesmo 30 anos mais tarde, os mesmos temas ainda são tratados como tabu. Traz ainda uma bela e delicada atuação do grande Caio Blat. Vale também por todo o design de produção.

Colegas (Marcelo Galvão, 2012)

Delicioso. Engraçado. Emocionante. Colegas é o típico filme que passa na Sessão da Tarde e é capaz de emocionar todos aqueles que estiverem assistindo. Conta a história de um trio de amigos com síndrome de down que sai em busca de aventura, tornando-se um road movie extramente prazeroso. O fato de ser narrado por Lima Duarte traz ainda mais impacto ao longa, já que ele entrega uma narração típica daqueles contadores de histórias que estão inseridos no folclore nacional. Não menos importante são as referência à diversos clássicos e filmes importantes da cinematografia mundial e brasileira.

Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo da Minha Vida (Matheus Souza, 2013)

O nome é grande, mas apesar de fofo o filme não entrega nada mais do que isso. Roubando a análise feita por Matheus Rocha: É uma carta aos pais que fazem pressão pros filhos. Não são poucos adolescentes que chegam aos 18 anos sem saber o querem da vida. O que estão fazendo da sua vida. Mas convenhamos, não é exatamente o momento ideal para uma crise existencial. Até rimou. Muitos vão dizer que Clarice Falcão não faz a menor ideia do que faz com a vida até hoje. Discordo, mas gosto de polêmica. Lista de filme nacional sem a presença do Leandro Hassum está cada vez mais difícil.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Daniel Ribeiro, 2014)

O melhor filme dessa lista. Classificá-lo como um filme gay seria como o estereotipar, afinal, é muito mais do que isso, a temática gay fica apenas como um pano de fundo, mas bem no fundo mesmo. É um filme sensível, delicado, adolescente. É sobre a descoberta, não só a da sexualidade, mas toda ela pela qual passamos quando jovens, prestes a nos formar no ensino médio. Daniel Ribeiro em nenhum momento quis que sua obra tivesse o tom de aceitação, mesmo que seu protagonista seja cego e gay, ele não busca que as pessoas o aceite. Lida sempre com naturalidade, sensibilidade e também bom humor. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é um dos filmes que passou pelo teste russo.

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E aí? Tem mais alguma sugestão?

 



Paulista radicado no Rio de Janeiro, produtor e futuro diretor; formado em cinema e amante da sétima arte. Fã de Kubrick, Tarantino, Fincher e defensor do cinema nacional. Eterno sonhador: sonho tanto que acredito fielmente que um dia nosso cinema será reconhecido por aqui.