31
jan
2017
Por que a segunda trilogia de Star Wars é tão odiada?
Categorias: Especiais • Postado por: Convidado Especial

Os fãs mais recentes da franquia Star Wars (que, na maioria dos casos, se interessaram pelos filmes após o lançamento de O Despertar da Força) podem não saber, mas há uma grande discussão entre os fãs mais antigos sobre as duas trilogias já lançadas até então. Na verdade, não é bem uma discussão, é quase um monólogo. A maioria absoluta dos fãs considera a trilogia original (episódios IV, V e VI) muito superior à segunda trilogia (episódios I, II e III), e considera os prequels não apenas ruins, mas que eles deixaram de lado a essência de Star Wars.

Quais são as críticas?

Para início de conversa, é bom deixar claro que nem todas as críticas estão certas, mas nem todas estão erradas também. Tendo isso esclarecido, vamos continuar.

As críticas mais comuns são sobre: personagens ruins; atuações fracas; o romance entre Anakin (Hayden Christensen) e Padmé (Natalie Portman); muitas cenas sobre política; excesso de acrobacias nas cenas de luta; falta de bons vilões; a Força deixar de ter um tratamento exclusivo como religião e ser abordada de uma forma mais científica (vulgo midi-chlorians).

Algumas dessas críticas batem de frente com elementos que são importantes para a história. Outras tratam de temas tão unânimes que não há muito o que se discutir. E algumas são questões de opinião pessoal. Vamos a cada uma delas.

Personagens ruins

Quando se fala em críticas à segunda trilogia, a primeira coisa que vem à mente de todos é Jar Jar Binks (Ahmed Best). É unânime: nem mesmo os maiores defensores dos prequels conseguem gostar desse personagem. Jar Jar foi feito para ser um alívio cômico no Episódio I, mas tudo o que conseguiu foi irritar a todos que assistiram ao filme. Seu excesso de trapalhadas, seu jeito estranho de falar, sua falta de inteligência, tudo nesse personagem é irritante. Jar Jar é incontestavelmente uma marca negativa na segunda trilogia.

Mas há uma ressalva a se fazer. No Episódio VI, filme que concluiu a trilogia original, diversas cenas foram marcadas pela presença dos Ewoks, criaturas que habitam a lua de Endor e estão no filme basicamente para entreter o público infantil de Star Wars.

Esses seres talvez não sejam tão irritantes como Jar Jar Binks, mas a quantidade de tempo direcionada a eles no filme é algo insuportável. Eles não falam nada que possa ser entendido sem a tradução de C-3PO (Anthony Daniels) e, durante as cenas de luta, não fazem mais do que tacar pedras e flechas nos stormtroopers. Praticamente só existem para roubar a cena durante mais de meia hora de filme. Portanto, não é só a segunda trilogia que tem seus personagens para serem esquecidos.

Atuações fracas e o romance entre Anakin e Padmé

Os principais alvos das críticas de más atuações na segunda trilogia são Hayden Christensen e Natalie Portman, que interpretam o casal Anakin Skywalker e Padmé Amidala.

Essas críticas ocorreram muito em função das cenas de romance entre os dois personagens. Convenhamos que o que se espera de um amor proibido entre o mais importante Cavaleiro Jedi (para quem não sabe, os Jedi são proibidos de terem relacionamentos), futuro Darth Vader, com uma das senadoras mais importantes da república é muito mais do que uma cena do casal rolando em um gramado em Naboo e as cenas dramáticas com fraquíssimos diálogos dos dois discutindo sua relação.

Em comparação com o romance entre Han Solo (Harrison Ford) e Leia (Carrie Fisher) na trilogia original, o romance dos protagonistas da segunda trilogia ficou bem abaixo do esperado.

De resto, sobre a atuação de Christensen, faltou carisma para interpretar um personagem tão importante e aclamado como Anakin. Natalie Portman ainda conseguiu exercer bem o papel de Padmé, sobretudo na cena do Episódio II em que é colocada pelos líderes separatistas numa espécie de coliseu, no planeta Geonosis, para lutar contra diversos tipos de criaturas que queriam devorá-la. Passou para a audiência a coragem, bravura e personalidade que se espera da personagem.

Muitas cenas sobre política

É bem verdade que a segunda trilogia é marcada por muitas cenas de discussões políticas e diplomacia (várias delas ocorriam naquela gigante sala do senado). Geralmente protagonizadas pelo chanceler Palpatine (Ian McDiarmid), pela senadora Amidala e por outros representantes da República ou da Aliança Separatista, essas cenas não agradaram a maioria dos fãs. Contudo, elas foram muito importantes para a história de Star Wars.

Não é de uma hora para a outra que uma república que abrangia praticamente toda a galáxia se transformou no império tirano, antidemocrático e opressor que vimos na trilogia original. Foi necessária muita explicação para mostrar como um Lord Sith se infiltrou na República, inicialmente como um senador, deu um golpe no até então chanceler (com a ajuda inconsciente da senadora Amidala) para assumir o posto, conseguiu enganar o Conselho Jedi e todos ao seu redor, e ao fim da guerra deu outro golpe para transformar a República num império galáctico.

As cenas sobre política podem não ser as mais interessantes da franquia, mas foram fundamentais para explicar como surgiu aquele universo de “Império x Rebeldes”, que todos os fãs de Star Wars amam.

Excesso de acrobacias

Essa é uma crítica um tanto saudosista, dos fãs mais radicais da trilogia original. As lutas dos Episódios I, II e III são marcadas por uma série de saltos, giros, acrobacias e todos os movimentos que os efeitos especiais da época eram capazes de produzir.

Mas além de simplesmente exibir a capacidade dos efeitos especiais, outra explicação para as lutas da segunda trilogia serem tão acrobáticas é que a maioria dos Jedi nesses filmes estavam em seus “auges”, tendo passado por anos de treinamento, e o mesmo valia para os Sith. Enquanto isso, na trilogia original, Obi-Wan (Alec Guinness), Yoda (Frank Oz) e Palpatine já estavam muito velhos – já Luke teve pouco tempo de treinamento e Darth Vader (David Prowse, com voz de James Earl Jones) tinha suas evidentes limitações físicas.

Portanto, as críticas às acrobacias são talvez as que menos procedam nesse texto. Vale lembrar que a melhor cena de luta de toda a franquia acontece justamente no Episódio III, no fatídico confronto entre Obi-Wan e o já convertido ao lado negro Anakin, em Mustafar.

Falta de bons vilões

Essa crítica é outra um tanto saudosista, geralmente feita por fãs apegados demais aos vilões da trilogia original: Darth Vader, o Imperador, Jabba (Larry Ward) e Boba Fett (Jeremy Bulloch). Mas convenhamos, os vilões clássicos também têm os seus defeitos.

O Imperador quase não aparece na trilogia original. Entra em cena para valer apenas no Episódio VI, para tentar, sem sucesso, converter Luke ao Lado Negro. Nem sequer chega a lutar, limita-se a soltar raios no protagonista (desarmado) antes de ser arremessado no núcleo da Estrela da Morte.

Jabba, o líder dos Huts, é uma espécie de “chefe do crime” em Tatooine. Mas apesar da posição importante que ocupa, ele não deixa de ser uma lesma gigante que se limita a ordenar seus capangas a cumprirem suas vontades.

Boba Fett é um caçador de recompensas extremamente aclamado pelos fãs. Mas apesar de todo o carisma e mistério que rondam o personagem, ele aparece em poucas cenas, praticamente não tem falas e morre de uma forma bem decepcionante.

Darth Vader é o único vilão que consegue escapar de toda e qualquer crítica. Praticamente uma entidade da franquia, Vader está acima de todos os outros personagens. A primeira coisa que vem a mente de qualquer um quando se fala de Star Wars é Darth Vader – sem dúvidas o melhor vilão da franquia.

Agora, tratando-se dos vilões da segunda trilogia, praticamente todos eles são bons. O problema é que eles não foram tão aproveitados quanto poderiam. (O mesmo acontece com Boba Fett, mas ninguém critica a primeira trilogia por isso).

Darth Maul (Ray Park) é o melhor exemplo disso. Foi o ponto alto do Episódio I (considerado o pior filme da franquia), com sua aparência aterrorizante, seu sabre de luz duplo e sua épica luta com Qui Gon Jinn (Liam Neeson) e Obi-Wan (Ewan McGregor). Uma pena o personagem ter morrido tão cedo.

Conde Dooku (Christopher Lee) é um Lord Sith extremamente poderoso, inteligente e ardiloso. Foi a principal figura da Aliança Separatista, aparecendo até mais do que Darth Sidious. Protagonizou ótimas cenas de luta no Episódio II (com Obi-Wan, Anakin e Yoda) e no Episódio III (novamente contra Obi-Wan e Anakin). Sua morte foi necessária para o andamento da história, mas Dooku foi um personagem marcante e que escapa das críticas em geral.

Outro vilão com um grande potencial, mas pouco explorado é o General Grievous (Matthew Wood). Líder do exército separatista, Grievous é um impiedoso general “droide” que tem como principal objetivo de vida eliminar os Jedi. (Na verdade, Grievous é um Kaleesh, cujos restos mortais foram colocados num corpo droide forjado pelos geonosianos). Tem o hábito de colecionar os sabres de luz dos Jedi que mata e depois os usá-los em combate. Foi muito bem retratado na série animada The Clone Wars. Infelizmente, nos filmes só aparece no Episódio III, e já com sua condição física debilitada. Ainda assim protagonizou de uma ótima cena de luta com Obi-Wan.

Portanto, é possível dizer que os vilões da segunda trilogia não devem em nada como personagens aos da trilogia original (exceção feita a Darth Vader) – apenas não foram tão explorados quanto poderiam.

A Força – Religião ou Midi-Chlorians

Talvez essa seja a crítica mais pesada de todas as feitas à segunda trilogia: a Força ter uma abordagem mais científica do que religiosa. Muitos consideraram que, por causa disso, os prequels deixaram de lado a “essência” de Star Wars.

Na trilogia original (e também nos filmes lançados recentemente O Despertar da Força e Rogue One), a Força é tratada como algo místico, fantasioso, praticamente como uma religião. Contudo, no Episódio I, Qui Gon Jinn faz uma explicação ao jovem Anakin sobre os midi-chlorians, seres microscópicos que vivem dentro das células dos indivíduos e são capazes de sentir a Força e ajudar o indivíduo no domínio e manipulação dela.

O grande problema é que boa parte dos fãs interpretou que os midi-chlorians geravam a Força, diferente da explicação de Obi-Wan no Episódio IV, de que “a Força é o que dá a um Jedi seus poderes, uma energia criada por todas as coisas vivas, que nos envolve e mantém a galáxia em equilíbrio”.

Essa explicação científica, no entanto, não descarta que a Força é uma energia mística gerada por todos os seres vivos, e é responsável pelo equilíbrio da galáxia. Tanto que é mais do que comum vermos em cenas da segunda trilogia um Jedi dizendo para o outro “Que a Força esteja com você”. Os midi-chlorians serviriam apenas como uma forma de identificar pessoas sensitivas à Força e ajudar no seu desenvolvimento. Não são eles que criam a Força.

O lado positivo

Passadas as principais críticas, discordando de algumas e concordando com outras, há alguns pontos positivos da segunda trilogia que merecem ser destacados, como as excelentes cenas de luta, os ótimos efeitos especiais, etc. Mas o que realmente se destaca é o ambiente e a história.

Tanto a trilogia original quanto o Episódio VII e Rogue One se passam num ambiente de “opressor x oprimido”, em que o Império (e depois a Primeira Ordem) domina a galáxia de maneira tirana e antidemocrática, até que os rebeldes se organizam para destruir uma estação bélica (Estrela da Morte e depois Starkiller Base), que é a principal arma do Império, e salvar o dia. Esse tipo de ambientação e enredo já está saturado.

A segunda trilogia se passa, majoritariamente, num ambiente de guerra, entre a República e a Aliança Separatista. As Guerras Clônicas são, provavelmente, o momento mais espetacular da história de Star Wars. Um exército de clones defendendo a República, liderado por centenas de Cavaleiros Jedi no ápice de seus poderes, contra um exército de dróides servindo a Aliança Separatista, liderado por Darth Sidious e seus diversos subordinados.

Confrontos em todos os cantos da galáxia ocorrendo simultaneamente, planetas com os mais diversos ambientes, uma infinidade de seres das mais diversas raças, batalhas espaciais fantásticas entre as naves separatistas e as da República, etc.

O verdadeiro problema da segunda trilogia foi não explorar as Guerras Clônicas tanto quanto poderia. Foi destinado muito pouco tempo a este período que é talvez o principal do universo Star Wars.

Para concluir, se fosse para resumir todo este texto em uma única frase, seria: Os Episódios I, II e III são melhores do que se fala, mas piores do que poderiam ter sido.

Autor do texto: Matheus Zampieri.

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