23
fev
2017
Crítica: “Aliados”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2017 • Postado por: Matheus Benjamin

Aliados (Allied)

Robert Zemeckis, 2016
Roteiro: Steven Knight
Paramout Pictures

3

Diretores que conhecemos geram muitas expectativas para quando vamos conferir suas novas obras. Basta o nome de Robert Zemeckis pipocar por algum novo projeto que a maioria de seus fãs (ou até mesmo fãs ocasionais de seus filmes) se interessam. É o caso de Aliados, dirigido pelo mesmo cineasta que idealizou obras como De Volta para o Futuro, Forrest Gump e o mais recente A Travessia. E Zemeckis é um dos poucos cineastas que mesmo entregando trabalhos aquém de outros sucessos anteriores ainda diverte e entretém.

Esse novo longa acompanha a vida de dois espiões: Max Vatan (Brad Pitt) e Marianne Beausejour (Marion Cotillard) que se apaixonam após alguns eventos importantes na capital parisiense, como a morte de um embaixador alemão, durante a Segunda Guerra Mundial. Os dois devem agir rápido e voltar à sua vida costumeira, Max na Inglaterra e Marianne na França. Com o interesse amoroso de ambos à tona, os dois acabam decidindo se casar e Marianne se muda para Inglaterra com seu esposo, tendo uma filha alguns anos mais tarde e constituindo uma família inglesa comum. Acontece que Max recebe a suspeita de sua esposa não ser de fato Marianne Beausejour e o estar enganando, com isso uma calorosa série de desconfianças começa.

Mesmo não tratando de uma história real, mas sim um período histórico bastante importante, o roteiro cai no convencional e soa bastante previsível a partir do desenvolvimento do segundo ato. No primeiro, há um grande problema de ritmo, o que prejudica a apresentação dos personagens e os distancia do público, inclusive há cenas desnecessárias ou que poderiam ser facilmente reeditadas em um tamanho menor, não afetando em nada o resultado final. São minutos além do necessário que fazem o longa bastante irregular. O segundo ato melhora consideravelmente e com isso a trama ganha tons de mistério e suspense, mudando sua percepção ao espectador de tratar-se de um romance açucarado a princípio. Com a suspeita da Seção V, onde trabalha, Max passa a investigar por conta própria a vida de sua esposa, tentando apenas saber se ela realmente é uma espiã alemã e o que se passa por sua mente ao fazer isso não fica claro ao espectador, o que o deixa com a sensação da surpresa pairando a todo momento: o que ele fará ao descobrir a verdade? O terceiro ato alia momentos de tensão com diálogos expositivos, que não prejudicam o entendimento da trama, mas a faz ainda mais redundante.

Os figurinos e o design de produção são bastante chamativos. As cores utilizadas atuam como subliminares durante a passagem dos atos, mostrando certa leveza em alguns personagens que precisam transpor isso à tela e dando uma irredutível dureza em outros para mascarar suas verdadeiras intenções. As atuações são bastante convincentes; Marion Cotillard acerta o tom de sua espiã dúbia, mas não desempenha o melhor papel de sua carreira. Brad Pitt é convencional, mas mesmo assim bom em sua proposta. A todo momento o espectador poderá se lembrar de seu personagem (o Tenente Aldo Raine) em Bastados Inglórios, que trata do mesmo período.

A direção opta por não chamar a atenção para outras questões além do roteiro, o que faz o longa não ter uma marca completa de Zemeckis, que sempre traz muitos planos e outras noções de criatividade para seus filmes. Como mencionado anteriormente, sua direção é convencional, assim como caminha o roteiro e talvez a falta de algo diferente faz do longa esquecível e um mais do mesmo, sendo bastante previsível ao chegar em seu clímax.

Mesmo não sendo um grandioso filme de Robert Zemeckis, ainda é um filme de Robert Zemeckis e merece ser visto, mesmo se entregando completamente às garras da convencionalidade. Isso não é um defeito muito grande comparado ao ritmo que o roteiro emprega, mas deixa a desejar no quesito expectativa. Aliados é um filme mediano, quase esquecível e descartável que poderia ter sido muito melhor executado se tivesse trazido à tona tudo o que a cabeça de seu diretor pudesse oferecer. Infelizmente não é o que vemos em tela, uma pena não é mesmo?



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.