17
fev
2017
Crítica: “Florence: Quem É Essa Mulher?”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2017 • Postado por: João Vitor Moreno

Florence: Quem É Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)

Stephen Frears, 2016
Roteiro: Nicholas Martin
Imagem Filmes

3

Alguns filmes são indiscutivelmente bem realizados, mas incapazes de gerar reações no público, e Florence: Quem é Essa Mulher? é um desses casos. Por mais que haja um trabalho técnico cuidadoso por trás da produção deste filme, seu excesso de teatralidade e frieza acaba fazendo com que seja impossível sentir algo que não seja tédio ao assisti-lo.

O filme conta a história real de Florence Foster Jenkins (1868 – 1944), uma rica herdeira que sonhava em se tornar cantora de ópera. Porém, enquanto para ela sua voz era incrível, para todos os outros era horrível, mas isso não a impediu de fazer grandes apresentações. Enquanto isso, seu companheiro tenta fingir para ela que seu talento é inquestionável e sua carreira musical é possível.

Na parte técnica o filme é ótimo, não tem como negar. O design de produção se delicia com a reconstrução de época (a história se passa na década de 40) e com o luxo em que a personagem vive. Assim, os cenários são sempre cheios de quadros, mobílias belíssimas de madeira, bustos, e vasos de flores. E enquanto os figurinos são eficientes em evocar a elegância da época, o trabalho de maquiagem é orgânico e convincente, principalmente em relação à personagem principal.

Da mesma forma, a fotografia é muito interessante por utilizar diversas fontes de iluminação dentro do próprio cenário, seja de abajures ou lâmpadas de paredes, acertando também por trazer belíssimos tons de cores escuras e foscas, principalmente em azul, verde, e amarelo, o que é de uma beleza admirável e plausível dentro da reconstrução de época do filme.

Porém, o filme se prejudica pelo texto excessivamente teatral e pela direção de atores que opta por trejeitos exagerados propositadamente. E por mais que Simon Helberg esteja divertidíssimo (a cara que ele faz ao ouvir a personagem principal cantar pela primeira vez é impagável!), e Meryl Streep e Hugh Grant façam o possível para trazerem humanidades para figuras desinteressantes, as tentativas do diretor de fazer um drama mais humano são prejudicadas pelo contexto exagerado e frio da narrativa.

Por mais que não seja ruim, Florence: Quem é Essa Mulher? não é lá um filme dos mais interessantes. Tem um elenco talentoso, e uma parte técnica cuidadosa e competente, mas isso não é o suficiente para sustentar quase duas horas de projeção que beiram o tédio em diversos momentos.



Gosto de todos os gêneros cinematográficos e estou sempre aberto para conhecer novos diretores. Dentre os meus preferidos estão Woody Allen, Kubrick, Hitchcock e David Fincher. Sou estudante de Música, e não consigo passar um dia sem assistir um filme.