14
fev
2017
Crítica: “The OA” (1ª temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Gabriella Almeida

The OA

Brit Marling e Zal Batmanglij, 2016
Roteiro: Melanie Marnich, Dominic Orlando e Ruby Rae Spiegel
8 episódios de aproxim. 50 minutos
Netflix

3.5

The OA é uma série que vem gerando os mais diversos comentários na internet. Lançada em dezembro pela Netflix, a série conta a história de Prairie, uma garota que retorna para a casa de seus pais adotivos após ter sumido por 7 anos. Antes de seu desaparecimento a jovem era cega, porém ao retornar, Prairie está com sua visão recuperada, o que deixa toda a comunidade intrigada e de certa forma amedrontada.

Em meio a diversos questionamentos sobre onde esteve e como recuperou sua visão, ela se vê frente a um dilema: ao mesmo tempo que não deseja falar sobre tudo o que viveu nesse tempo em que esteve desaparecida, sabe que só através do diálogo conseguirá a ajuda que precisa para cumprir sua “missão”. Dessa forma, a garota se torna a líder de um grupo de pessoas que se disponibilizam a ajudá-la nessa tarefa até então desconhecida. Os integrantes desta reunião são indivíduos que passam por momentos delicados de suas vidas, o que faz com que, para eles, os encontros com Prairie sirvam como uma forma de escapismo de uma dura realidade.

Logo no primeiro episódio, é notável o fato de que a série não segue uma linearidade temporal, já que a narrativa circula entre o passado –que consiste na infância de Prairie e o período no qual esteva desaparecida- e o presente. A partir de um bom roteiro aliado a uma boa fotografia e trilha sonora –que juntos proporcionam diversas sensações de acordo com os diversos momentos da vida da garota-, essa constante mudança temporal ocorre de maneira eficiente na medida em que o espectador não se sente perdido e consegue entender perfeitamente a ordem dos acontecimentos.

Apesar de apresentar uma história interessante, a série deixa um pouco a desejar no quesito “desenvolvimento dos personagens”, pois já que teve como foco principal a trajetória de vida da protagonista, essa primeira temporada explora pouco a vida dos coadjuvantes, de modo que suas histórias apareçam de maneira rasa e pouco elaborada, deixando o espectador em dúvida sobre quais  motivações os levaram a tomar determinadas atitudes – o que pode ser uma questão mais discutida na segunda temporada.

Além disso, os 4 primeiros episódios são muito longos e “arrastados”, o que faz com que mesmo sabendo parte da história de Prairie, o espectador fique à espera de algo que faça mudar o rumo da série. A partir do 5º capítulo, no qual ela revela ao grupo o motivo de seu retorno e a enorme importância de cada membro na execução de sua “tarefa”, a narrativa passa a ficar mais interessante e se desenvolver mais.

The OA também abre espaço para diversas reflexões na medida em que aborda alguns temas de cunho filosófico, tais como vida após a morte, as relações entre ciência e religião, a existência de outras dimensões e a capacidade humana de transitar entre elas, a maneira como cientistas podem reagir ao ter seu trabalho contestado e a que ponto podem chegar para comprovarem suas teorias. Ela também abrange a questão do sequestro e as relações que podem surgir durante o confinamento.

Por fim, vale citar uma curiosidade que me chamou atenção, que é o fato de a série possuir um ator transexual representando um personagem também trans. Infelizmente isso ainda não é recorrente na indústria cinematográfica, que muitas vezes ignora essas pessoas em seus roteiros e dá pouquíssimas chances para atores e atrizes transexuais.

Misturando real com o sobrenatural em uma trama no mínimo interessante e com um impressionante último episódio, que nos faz questionar toda a história contada pela protagonista, essa primeira temporada de The OA termina deixando diversas lacunas a serem preenchidas e um enorme espaço para a discussão acerca de diversos assuntos. Portanto, aqui fica minha dica: é uma série que vale a pena ser conferida!



Sou uma grande apaixonada pelo mundo das séries e estou sempre vendo algumas no meu tempo livre. Tenho 18 anos e divido meu dia entre a faculdade de jornalismo e meus amados seriados. Não sou capaz de escolher um preferido, mas confesso que sempre indico Scandal para a galera. Ah, e estou sempre aceitando indicações também!