24
fev
2017
Crítica: “Trolls”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2017 • Postado por: Christian Duarte

Trolls

Mike Mitchell e Walt Dohrn, 2016
Roteiro: Jonathan Albiel e Glenn Berger
20th Century Fox

3

 

Na metade da década de 90, o estúdio Pixar trouxe para o mundo do cinema um novo conceito para as animações, a computação gráfica. O marco zero foi o queridíssimo Toy Story, apesar de algumas controvérsias que apontam a animação brasileira Cassiopéia como a pioneira. Com o passar dos anos, a Pixar se estabeleceu como a principal força do cinema de animação.

No início dos anos 2000, muitos estúdios passaram a adotar esse conceito de animação – em 2001, a DreamWorks apresentou ao mundo Shrek, a primeira animação que conseguiu bater de frente com a qualidade e popularidade da Pixar. A partir daí a DreamWorks passou a ser uma forte concorrente e no decorrer dos anos emplacou vários sucessos além de Shrek, como Madagascar, Kung Fu Panda e Como Treinar o Seu Dragão.

A nova aposta do estúdio é Trolls, que nos apresenta a pequenas criaturas coloridas repletas de felicidade. Por outro lado também conhecemos os temidos Berguens que, ao invejarem a felicidade dos trolls, criaram um feriado chamado Trollstício, onde os Berguens se alimentam dos pequenos trolls para terem o seu momento de felicidade. No dia em que o príncipe dos berguens iria experimentar seu primeiro troll e assim poderia se sentir feliz pela primeira vez, os monstrinhos liderados pelo seu rei conseguem fugir para longe dali, tendo por muitos anos suas vidas de alegria e muita festa de volta. Porém o perigo resolveu aparecer novamente e ficará a cargo da Princesa Poppy (Anna Kendrick) e do mal-humorado Tronco (Justin Timberlake) salvarem o seu povo mais uma vez das garras dos Berguens, como seu pai já havia feito no passado.

Inspirado nas bonecas Trolls (brinquedo que fez bastante sucesso nos Estados Unidos entre as décadas de 70 e 90), o roteiro foi escrito pela dupla Jonathan Aibel e Glenn Berger, que já haviam feito parceria na trilogia Kung Fu Panda. Logo nos primeiros minutos podemos perceber dois elementos chave que moldam o filme até o seu final. A musicalidade e o humor, o primeiro funciona bem, o segundo nem tanto. O filme é embalado pelo ritmo da música pop americana, com muitas canções inéditas, como a indicada ao Oscar Can’t Stop the Feeling!, e alguns sucessos de várias épocas que receberam uma repaginada, se encaixando com o estilo do filme, exemplo de Sound of Silence.

A narrativa traz um ritmo contagiante, sempre dando ênfase à mensagem de felicidade constante, mas adota um tipo de humor bobo e extremamente superficial – uma espécie de besteirol fofo, como em um momento onde o rei dos trolls perde as calças e o seu traseiro fica à mostra. Ainda temos um troll brilhante que peida glitter e outro que defeca bolinhos quando se assusta. Esse é o tipo de humor que nos é apresentado e, quando não é isso, temos piadinhas extremamente infantis, o que nos dias atuais já não é o suficiente, pois passou o tempo que animações se limitavam a atingir apenas o público infantil e mais descompromissado.

O filme é muito claro na mensagem que quer passar, porém é tudo muito batido: como a felicidade pode ser encontrada em qualquer lugar por quem quer que seja e, os personagens a demonstram cantando e fazendo festa. Isso acaba limitando a identificação com o proposto e também com seus personagens. Ainda assim vale ressaltar um breve momento em que o filme faz analogia à depressão, mostrando um personagem perdendo sua cor por questão de um fato triste de seu passado. Apesar de não parecer nada de mais, é um dos poucos momentos que o filme nos aproxima de um personagem.

No elenco de dublagem temos Anna Kendrick (que já havia soltado o gogó em filmes como A Escolha Perfeita e Caminhos da Floresta) e Justin Timberlake (que é mais cantor do que ator) nos papéis principais, escolha propícia para um filme tão musical – e se saem bem também nas cenas onde não há cantoria.

O filme visualmente tem uma textura felpuda, desde os personagens, passando pelos objetos e pelo ambiente, dando um aspecto fofo e aconchegante àquele mundo. Tudo é bem colorido, mas o uso das cores parece apenas para deixar tudo mais bonitinho, mas sem nenhuma relação mais profunda com os seus personagens, como foi feito brilhantemente em Divertida Mente.

Trolls é apenas uma animação bacaninha, não apresenta nada novo. Aposta em piadas pouco inspiradas e conta com personagens esquecíveis. Por outro lado conta com um visual atrativo, principalmente para crianças e se vende pela sua musicalidade. No final das contas, serve como passatempo e só.



Assistir filmes sempre foi uma das minhas principais opções de lazer, mas nos últimos 3 anos passou a ser praticamente um modo de vida. Sou daqueles que assiste de tudo, e defendo que até os maus filmes devem ser vistos. Em certo momento ver filmes passou a não ser mais o suficiente, e senti a necessidade de dividir com as pessoas minhas experiências cinematográficas escrevendo sobre elas. Fora do cinema posso dizer que sou fã do bom e velho metal oitentista, que gosto de (assistir) futebol e que estou ficando careca.