02
fev
2017
10 clássicos totalmente esnobados pelo Oscar!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: Marcelo Silva

Que o Oscar está longe de ser uma premiação totalmente justa todo mundo sabe. No entanto, o que pode pegar alguns de surpresa é que grandes clássicos que amamos e admiramos sequer foram lembrados pela Academia. Isso acontece, entre outros motivos, pela falta de reconhecimento do filme à época – não é incomum um longa ser um fracasso de crítica e público no seu lançamento e, com o passar dos anos, adquirir status de clássico, como é o caso de Blade Runner, o Caçador de Andróides.  Pensando nisso, selecionamos dez grandes clássicos que não tiveram a honra de figurar entre os indicados ao Oscar. Confira:

Frankenstein (idem. James Whale, 1931)

Sim, o Oscar já existia na década de 30 – a primeira cerimônia foi em 1929. No ano em que foram premiados os melhores de 1931, Frankenstein ficou de fora de qualquer nomeação, mostrando que não é de hoje que filmes de terror são pouco valorizados pela Academia (tente lembrar o último longa do gênero que recebeu alguma indicação). Isso não impediu que a adaptação do romance da escritora Mary Shelley se tornasse um clássico cinematográfico indispensável para quem deseja conhecer a história do terror na tela grande.

Os Tempos Modernos (Modern Times. Charlie Chaplin, 1936)

Fica até um pouco difícil acreditar que o clássico de Charlie Chaplin (que todo mundo já viu na escola pelo menos uma vez) não recebeu a atenção da Academia. Esse filme mudo, que é uma grande crítica ao capitalismo, ao mundo do trabalho e ao sistema industrial, merecia, no mínimo, a indicação na categoria de Melhor Ator (para Chaplin, obviamente). No entanto, em 1937, quem levou a estatueta foi Lionel Barrymore, por Uma Alma Livre, filme sobre o qual ninguém comenta nos dias de hoje.

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory. Stanley Kubrick, 1957)

Stanley Kubrick tem apenas um Oscar em seu currículo: em 1969, pelos efeitos especiais de 2001: Uma Odisseia no Espaço, sendo que ele nem estava presente na festa para receber a estatueta. Antes disso, ele viu seu clássico longa de guerra ser ignorado pela maior parte das premiações. Glória Feita de Sangue ao menos concorreu a Melhor Filme no BAFTA, considerado o Oscar britânico.

O Demônio das Onze Horas (Pierrot Le Fou. Jean-Luc Godard, 1965)

Tudo bem, a Academia tende a valorizar produções americanas, mas, mesmo assim, existe a categoria de Melhor Filme Estrangeiro (e, uma vez ou outra, um filme feito fora dos EUA aparece indicado em outras, como Amor no ano de 2013). Ícone da nouvelle vagueO Demônio das Onze Horas recebeu míseras três indicações a prêmios – vencendo apenas um que foi dado pelo British Film Institute. No Oscar, nem sinal do filme dirigido por Jean-Luc Godard: o campeão na categoria estrangeira daquele ano foi o theco A Pequena Loja da Rua Principal. Cabe lembrar que o próprio Godard até hoje não recebeu nenhuma indicação (mas será que ele se importa com isso?).

Fahrenheit 451 (idem. François Truffaut, 1966)

Tão importante quanto Godard para o cinema, o francês François Truffaut foi um pouco mais feliz que seu conterrâneo quando o assunto é indicação ao Oscar: são três, no total (de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original por A Noite Americana e Melhor Roteiro Original para Os Incompreendidos). Baseado no livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 é o único filme em língua inglesa do diretor e, embora não seja o clássico mais famoso de Truffaut, é uma obra memorável.

Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly. Sergio Leone, 1966)

Épico faroeste de Sergio Leone, Três Homens em Conflito raramente não aparece em listas de melhores filmes do cinema. Inesquecível também é a trilha de Ennio Morricone, que se tornou referência quando o assunto são faroestes. Estranhamente, o filme estrelado por Clint Eastwood recebeu apenas a indicação ao desconhecido prêmio Laurel (justamente para Eastwood, na categoria de Ator).

O Iluminado (The Shining. Stanley Kubrick, 1980)

Olha Stanley Kubrick aparecendo mais uma vez! Nesse caso, o problema é que O Iluminado não foi um grande sucesso de crítica na época do seu lançamento – o filme, inclusive, foi indicado ao Framboesa de Ouro, em Pior Diretor e Pior Atriz (Shelley Duvall). Aparentemente, ninguém deu atenção à performance assustadora de Jack Nicholson como Jack Torrance nesse filme de terror que, com o passar dos anos, adquiriu status de clássico obrigatório.

O Clube dos Cinco (The Breakfast Club. John Hughes, 1985)

Ah, John Hughes! O cineasta que sabia retratar a juventude no cinema como poucos! Impossível não assistir aos seus filmes e sentir sempre um clima de nostalgia. O Clube dos Cinco é, ao mesmo tempo, divertido, melancólico e profundo. Só foi ganhar alguma coisa vinte anos depois do seu lançamento – no caso, o MTV Movie Awards.

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller´s Day Off. John Hughes, 1986)

Mais um filme de Hughes na lista. Curtindo a Vida Adoidado, um marco da Sessão da Tarde, é ainda mais divertido que O Clube dos Cinco. Matthew Broderick foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia/Musical por sua interpretação como Ferris Bueller, mas perdeu para Paul Hogan, o protagonista de Crocodilo Dundee.

Cães de Aluguel (Reservoir Dogs. Quentin Tarantino, 1992)

Cães de Aluguel, o segundo filme dirigido por Quentin Tarantino, não recebeu uma única indicação ao Oscar ou ao Globo de Ouro. Se serve de consolo, o longa – que conta a história de um roubo fracassado a uma joalheria que acaba se tornando um jogo de suspeitas, no qual os sobreviventes desconfiam que alguém entre eles é informante da polícia – disputou o Festival de Sundance e venceu o Independent Spirit Awards (Melhor Ator Coadjuvante para Steve Buscemi).

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Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!