10
mar
2017
10 clássicos que foram reprovados no teste de Bechdel!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: Marcelo Silva

Aproveitando a semana do Dia das Mulheres, o Pipoca Radioativa traz uma lista de 10 clássicos do cinema americano reprovados no teste de Bechdel, que avalia a presença feminina em filmes. Para ser aprovada, a obra deve obedecer a três critérios:

  • Ter, pelo menos, duas mulheres com nome;
  • Essas personagens devem conversar entre si;
  • Sobre qualquer coisa que vá além de homens;

A ideia foi concebida originalmente em 1985, quando uma personagem dos quadrinhos Dykes to Watch Out, da cartunista americana Alison Bechdel, disse que só assiste a filmes que estejam de acordo com os quesitos citados acima.

É importante deixar claro que o fato de um filme ser reprovado no teste de Bechdel não o torna necessariamente machista, mas mostra que o diretor e o roteirista falharam (ou não se preocuparam) em desenvolver personagens femininas.

A verdade é que muitos longas passam longe de ser aprovados nesse teste, incluindo os grandes clássicos do cinema. Contando com obras lançadas antes e depois de 1985, aqui vai a lista de 10 grandes sucessos da sétima arte que foram reprovados no Bechdel (você pode conferir o resultado de outros filmes clicando aqui):

Blade Runner (dir: Ridley Scott, 1982)

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Rachael (Sean Young), uma das três mulheres de Blade Runner

Los Angeles, 2019. Rick Deckard (Harrison Ford) é um blade runner que é chamado para encontrar e matar quatro replicantes (seres geneticamente modificados) que roubaram uma nave no espaço e vieram à Terra a fim de encontrar o seu criador. Trata-se de um filme que foi fracasso de público na época em que foi lançado, mas que acabou ganhando status de cult com o passar dos anos.

De acordo com um comentário postado no site oficial do teste, há, pelo menos, três mulheres com nome na trama – Rachael (Sean Young), Pris (Daryl Hannah) e Zhora (Joanna Cassidy). Por outro lado, elas não chegam a conversar entre si.

De Volta Para o Futuro (dir: Robert Zemeckis, 1985)

Jennifer (Claudia Wells) e Marty McFly (Michael J. Fox)

De Volta Para o Futuro conquistou a todos por sua leveza e seu ar cômico. A história do jovem Marty McFly (Michael J. Fox), que, acidentalmente, volta no tempo e precisa fazer com que seus pais se apaixonem para garantir sua própria existência no mundo, fez parte da adolescência de muitos cinéfilos mundo afora – e mantém, até hoje, uma legião de fãs.

No que se refere à presença feminina, De Volta Para o Futuro só não cumpre a terceira regra do teste. As personagens femininas – como Jennifer (Claudia Wells), Lorraine (Lea Thompson) e Linda (Wendie Jo Sperber) – dialogam entre si, mas o assunto é sempre algum homem, principalmente, Marty,

Forrest Gump: O Contador de Histórias (dir: Robert Zemeckis, 1994)

Forrest Gump (Tom Hanks) e Jenny (Robin Wright)

Um dos filmes mais inesquecíveis da história do cinema, Forrest Gump: O Contador de Histórias acompanha a vida de Forrest Gump (Tom Hanks), que, ao mesmo tempo em que busca o amor de Jenny Curran (Robin Wright), envolve-se diretamente em grandes eventos da História mundial, como a Guerra do Vietnã.

No site oficial do Bechdel, usuários chamaram a atenção para o fato de que há algumas conversas entre a mãe de Forrest (Sally Field) e Louise (Margo Moorer) – no entanto, elas giram em torno do protagonista. Jenny também chega a conversar com uma amiga cujo nome não é revelado ao espectador.

O Planeta dos Macacos (dir: Franklin J. Schaffner, 1968)

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Nova (Linda Harrison) e George Taylor (Charlton Heston)

Em O Planeta dos Macacos, um astronauta (Charlton Heston) cai em um planeta desconhecido onde macacos são seres inteligentes que falam e humanos não passam de criaturas oprimidas e escravizadas. O fato de o forasteiro, ao contrário dos outros da sua espécie, ser capaz de falar promove uma grande inquietação entre os habitantes desse estranho mundo, especialmente entre a comunidade científica.

No filme, há duas personagens femininas com nome e destaque em tela: Zira (Kim Hunter), uma cientista, e Nova (Linda Harrison), uma humana escravizada. Contudo, o longa tropeça na segunda e na terceira regra do teste de Bechdel.

Procurando Nemo (dir: Andrew Stanton e Lee Unkrich, 2003)

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Marlin (voz de Albert Brooks) e Dory (voz de Ellen DeGeneres)

Nem mesmo as animações escapam do teste de Bechdel. O filme, que conta a busca do atrapalhado e inseguro peixe-palhaço Marlin (voz de Albert Brooks) pelo seu filho Nemo (voz de Alexander Gould) oceano adentro, gerou discussão entre os usuários do site do teste. Muitos discordaram da reprovação afirmando que há um diálogo entre Peach (Allison Janney) e Flo (Vicki Lewis) sobre como escapar do aquário, ao passo que outros questionaram se um animal do sexo feminino seria considerado mulher pelos critérios do teste. Houve, ainda, quem criticasse o formato do Bechdel, alegando que ele deveria abranger toda criatura feminina, seja ela um animal, objeto ou humano.

 Sociedade dos Poetas Mortos (dir: Peter Weir, 1989)

Oh, captain! My captain!

Como esquecer das aulas do Mr. Keating (Robin Williams)? O professor recém-chegado que leva os alunos a buscar suas paixões individuais e transformar suas vidas em algo espetacular tem um lugar guardado na lista dos personagens mais marcantes do cinema.

Como a realidade mostrada é a de uma sala de aula de garotos, não é de se espantar que o filme tenha passado apenas no primeiro quesito.

Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança (dir: George Lucas, 1977)

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Princesa Leia (Carrie Fisher) em Star Wars

Dos sete filmes da franquia, quatro reprovaram no teste de Bechdel. No primeiro, chamado Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, há apenas duas mulheres com nome: a Princesa Leia (Carrie Fisher) e a Tia Beru (Shelagh Fraser), sendo que elas nunca se encontram.

O papel de Leia nos filmes sempre foi alvo de discussões. Sozinha em um universo repleto de figuras masculinas, a personagem ocupava um posto de destaque na trilogia original, mas nem por isso deixou de ser objetificada em tela, como quando é feita escrava sexual e aparece só de roupa íntima em O Retorno de Jedi.

Taxi Driver (dir: Martin Scorsese, 1976)

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Iris (Jodie Foster), de Taxi Driver

Dirigido por Martin Scorsese, Taxi Driver acompanha a rotina do perturbado taxista Travis Bickle (Robert De Niro), que presencia, noite após noite, a podridão e a decadência de Nova York. Na tentativa de salvar uma prostituta pré-adolescente (Jodie Foster), ele decide partir para a violência.

Mesmo tendo uma personagem tão bem-construída quanto Iris, o clássico de Scorsese não foi aprovado no Bechdel. A jovem chega a conversar com uma conhecida sua, mas esta não recebe nome no filme. Sendo assim, o único quesito cumprido foi o primeiro, com mais de uma mulher com nome.

Toy Story (dir: John Lasseter, 1995)

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Hannah (voz de Sarah Freeman) em Toy Story

Assim como Procurando NemoToy Story é outro desenho que não cumpriu todos os três critérios. A história do cowboy Woody (voz de Tom Hanks), que vê seu posto de brinquedo favorito do menino Andy (voz de John Morris) ameaçado pela chegada do astronauta Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), possui apenas um diálogo entre mulheres. Em certo momento, Hannah (voz de Sarah Freeman) conversa com sua mãe (voz de Sherry Lynn) sobre sua boneca. Mesmo assim, não foi o bastante para o filme ser aprovado – isso se deve ao fato de a mãe da menina não receber um nome próprio, segundo os próprios usuários.

Um Corpo que Cai (dir: Alfred Hitchcock, 1958)

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Madeleine Elster (Kim Novak) em Um Corpo que Cai

Um Corpo que Cai é considerado por muitos críticos e especialistas de cinema como um dos melhores filmes já feitos. James Stewart vive um detetive de São Francisco encarregado de investigar o estranho comportamento de Madeleine Elster (Kim Novak), esposa de um amigo. No decorrer da investigação, ele e a mulher acabam se apaixonando, até que um acontecimento trágico muda tudo.

Madeleine não é a única mulher com nome no longa – há, também, Midge Wood (Barbara Bel Geddes), uma espécie de melhor amiga e fiel companheira do protagonista. Contudo, as duas nem chegam a se conhecer pessoalmente e Midge vai perdendo espaço com o andamento da trama.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!