25
mar
2017
“As Aventuras de Fujiwara Manchester”, a nova série animada da TV Cultura!
Categorias: Entrevistas, Especiais • Postado por: Marcelo Silva

Estreia hoje, às 18h30 na TV Cultura, a série nacional de animação As Aventuras de Fujiwara Manchester, escrita e dirigida por Alê Camargo. A história se passa no século XXVII e tem como protagonista Fujiwara Manchester, um aventureiro espacial corajoso e meio maluco que precisa recuperar uma antiga joia que pode provocar o fim da Galáxia. Para isso, Fuji vai ter a ajuda de Lydia Moshivah, uma corajosa ex-agente do governo; Kawamoto McDowell, seu medroso e leal sidekic; e uma espaçonave viva chamada Cara-de-cavalo.

A série vai ao ar aos sábados, 18h30, na TV Cultura

Co-produzida pelos estúdios UM Filmes e Buba Filmes, a série mistura ficção-científica, ação e humor nos 13 episódios da sua primeira temporada. O americano Andrew Probert é o grande nome da equipe técnica de As Aventuras de Fujiwara Manchester. No passado, ele foi um dos responsáveis pela criação das naves USS Enterprise e Enterprise – D dos filmes Jornada nas Estrelas: O FilmeJornada nas Estrelas: A Nova Geração, respectivamente. Além disso, Probert também trabalhou no visual do DeLorean Time Machine, o veículo que os personagens da trilogia De Volta Para o Futuro usam para viajar no tempo.

Premiado no Festival de Gramado, o diretor e roteirista Alê Camargo já conta com oito curtas no currículo. Um deles, inclusive, foi destaque há um tempo na nossa coluna Curta1Curta: o divertidíssimo A Noite do Vampiro. Aproveitamos a oportunidade e batemos um papo com ele. Confira:

Pipoca Radioativa: Como surgiu a ideia da série animada? Foi quanto tempo de trabalho até finalizar a primeira temporada?

Alê Camargo: O Fuji é um projeto antigo meu. Escrevi as primeiras histórias com ele em meados dos anos 80, numa máquina de escrever antiga (que ainda tenho, aliás). Acho que era uma maneira de um garoto nerd e tímido – eu! – conseguir se imaginar participando de grandes aventuras e viagens pelo espaço. Desde então, tenho escrito muito material sobre o Fuji: tenho várias pastas com histórias e informações sobre seu universo, e que espero que algum dia também venham a público.

Em 2012, a TV Cultura abriu uma busca por novos projetos que ela iria co-produzir através dos recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). Nosso sócio, Arnaldo Galvão (que agora é o produtor executivo da série), conhecia um pouco do Fuji e achou que tinha potencial para apresentarmos para eles. Eu e Camila Carrossine (minha sócia e esposa) trabalhamos sobre minhas ideias originais e formatamos o projeto na sua versão atual.  Nós três apresentamos essa ideia maluca para a TV Cultura e a Ancine. Eles gostaram e – depois de muito trabalho de muita gente bacana – aqui estamos. A pré-produção da série começou em 2012, e a produção de fato teve início em 2014. Foram cerca de dois anos de trabalho duro para completar a primeira temporada.

O protagonista Fujiwara Manchester foi criado por Alê Camargo na década de 1980

PR: Qual o motivo da escolha do nome “Fujiwara Manchester”? É referência a alguma coisa ou você escolheu porque achou que o nome combinava com o personagem?

Alê: Eu criei o Fuji nos anos 80, e aquela época era pródiga em personagens com nomes esdrúxulos: John Rambo, Indiana Jones, Buckaroo Banzai. Então tentei encontrar um nome que refletisse isso, esse tipo de sonoridade meio engraçada. Além disso, no futuro em que a história se passa – século 27 – não existem mais fronteiras, já que os humanos se espalharam pela galáxia e muitos não vivem mais na Terra. Assim, os nomes de personagens terráqueos que vemos na série são misturas de nomes e sobrenomes que hoje nos parecem esquisitas, mas que fazem sentido para eles.

PR: O visual que vi no teaser e no trailer da série me lembrou bastante a franquia Star Wars (inclusive, quem te acompanha nas redes sociais vê que você é fã desse universo cinematográfico). Houve mesmo essa inspiração? Algum outro filme serviu de referência para a série?

Alê: Acho que é impossível criar uma aventura espacial sem referenciar ou homenagear Star Wars, que é um clássico absoluto do gênero. Além disso, numa nota pessoal, Star Wars causou um enorme impacto na minha mente de garoto de 8 anos (que foi quando assisti ao filme pela primeira vez no cinema, em 1977). Adoro a saga do George Lucas. Mas há várias outras referências que homenageamos no universo do Fuji, e que espero que o público um pouco mais geek perceba: Star Trek, Indiana Jones, 2001, Ruas de Fogo, Curtindo a Vida Adoidado, Planeta Proibido, Danger Mouse, Asterix… para citar algumas.

Marty McFly e Fujiwara têm em comum o fato de pilotarem máquinas criadas por Andrew Probert

PR: Um dos destaques da equipe técnica é Andrew Probert, designer americano que trabalhou em filmes como De Volta Para o Futuro, Indiana Jones e o Templo da Perdição e Jornada nas Estrelas. Como ele entrou no projeto e qual foi sua contribuição?

Alê: Quando estávamos montando a equipe que iria produzir a série, nas minhas andanças encontrei o site do Andrew Probert. Sempre fui fã do trabalho dele, desde sua participação em Jornada nas Estrelas: O Filme (onde ele foi um dos responsáveis pelo redesign da Enterprise clássica). Eu estava ansioso com a ideia de falar com um ídolo como ele, e nem sabia se era uma boa ideia. Mas a Camila me estimulou para escrever para ele. “O ‘não’ você já tem”, ela disse.

Escrevi e expliquei em linhas gerais o projeto e o que tinha em mente caso ele se interessasse. Meu plano (e eu disse isso para ele), era que ele fizesse para nós o design da espaçonave principal da série, a Cara-de-cavalo. Para minha enorme surpresa, ele me respondeu algumas horas depois. Ele havia gostado do projeto e mandou uma enorme quantidade de perguntas técnicas sobre a Cara-de-cavalo: qual seria o tamanho da nave? Quantos tripulantes ela levaria? Qual seria seu peso em toneladas? Que tipo de motor ela usaria?

Respondi o e-mail aos trancos e barrancos, e aquele foi o começo de uma ótima participação dele no projeto. Andy é um cara genial, claro, mas também é muito amistoso e humilde. Ele acabou por criar vários designs para nós, incluindo os interiores da Cara-de-cavalo, várias naves e gadgets e o próprio logotipo da série. Também tivemos muitas conversas sobre questões mais profundas e conceituais da série, e por isso ele está creditado não apenas como designer de conceitos, mas como consultor futurista.

PR: O cinema de animação nacional foi destaque recentemente com a indicação de O Menino e o Mundo, do diretor Alê Abreu, ao Oscar. Considerando a sua experiência na área, dá para dizer que o Brasil tem potencial na animação? Um dia teremos, por exemplo, o nosso próprio Studio Ghibli, ou seja, uma produção que sirva de referência?

Alê: O Brasil tem um enorme potencial na animação. Nós temos séries e longas animados muito bacanas que já estrearam ou que devem estrear em breve, e isso tem tudo para melhorar ainda mais nos próximos anos.  Não acho que algum dia haverá o equivalente nacional do estúdio Ghibli (eles são insuperáveis), mas espero que cada vez mais filmes e séries brasileiros de qualidade sejam produzidos e alcancem o público.

O diretor Alê Camargo (em pé) nos bastidores

PR: Já é possível adiantar se haverá uma segunda temporada de As Aventuras de Fujiwara Manchester? Você tem outros projetos em mente?

Alê: Estamos tendo algumas conversas nesse sentido. Espero ter boas notícias sobre uma nova temporada em breve. Além disso, o nosso primeiro longa metragem, Fujiwara Manchester e o Mundo Proibido (que é uma sequência dos acontecimentos da primeira temporada), está na fase de desenvolvimento inicial. Já captamos parte da verba e estamos indo atrás do restante.

PR: Que conselho você daria para quem quer trabalhar com animação?

Alê: Trabalhe duro e siga seu sonho.

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Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!