31
mar
2017
Grandes Cenas do Cinema #2: “Dançando no Escuro”
Categorias: Grandes Cenas do Cinema • Postado por: Marcelo Silva

Na segunda edição da nossa coluna, é hora de falar da cena especial de Dançando no Escuro, um musical que está longe de todo o romance, o charme e a alegria que vêm à mente do público quando esse gênero do cinema é o assunto. Dirigido por Lars von Trier, um dos cineastas mais peculiares e autorais do momento, o longa traz a cantora islandesa Björk no papel de Selma, imigrante e mãe solteira. Tentando impedir que o seu filho Gene (Vladica Kostic) sofra de uma doença hereditária e fique cego do mesmo jeito que ela está ficando, a protagonista trabalha incansavelmente a fim de pagar a operação médica para o garoto. No entanto, quando Selma se torna vítima da maldade de uma pessoa próxima (a quem poderia até mesmo chamar de “amigo”), a história ganha contornos ainda mais trágicos.

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Poucas vezes vi um filme que combine tão bem sentimentos e elementos tão opostos. Juntamente com a ingenuidade e a fraqueza de uma pessoa que depende dos outros para praticamente tudo (desde acertar os passos numa peça até tomar conta de Gene), está a força e a dedicação de uma mulher que se sacrifica pelo filho.  Ao mesmo tempo em que há o sofrimento, a injustiça e a dor, você pode ver a beleza e a inspiração em cenas como a do trem, que é justamente a escolhida para essa segunda edição da coluna Grandes Cenas do Cinema.


 

Nela, Selma e Jeff (vivido por Peter Stormare) cantam I’ve Seen It All acompanhando o movimento do trem. É difícil destacar apenas um elemento nessa cena: a voz e a entrega de Björk, a coreografia dos dançarinos, o modo como Lars von Trier filma, a imagem do casal e da idosa com a criança, tudo isso causa uma admiração ímpar. Não à toa, a canção foi indicada ao Oscar e Björk (dona de uma atuação extraordinária e igualmente memorável) ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes de 2000.

Porém, o fato de uma cena ser inesquecível não significa que ela é perfeita. Um olhar atento – entre 2:10 e 2:16 do vídeo – revela algo estranho. Aparentemente, os lábios de Peter Stormare não estão sincronizados com as falas. Na verdade, a voz que ouvimos nem é a do ator: ela foi substituída pela de Thom Yorke, da banda Radiohead. Um deslize bobo, que não diminui em nada a grandeza da cena.

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Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!