21
mar
2017
O Casamento Marvel + Disney: “Operação Big Hero”
Categorias: Especiais • Postado por: Rafael Hires

Marvel. Desde 2006, a Casa das Ideias vem conquistando cada vez mais espaço no ramo de entretenimento. Devido ao enorme sucesso de público e crítica, vários filmes têm sido feitos nos últimos 10 anos, fazendo inveja à sua maior rival, DC Comics.

Muitos filmes de heróis já tiveram sucesso e muitos, ainda assim, acabam por cometer erros crassos, o que ainda hoje faz com que continue sendo perpetuado um velho ditado chamado “Hollywood não entende super-heróis”.

De fato, alguns exemplos realmente são horrendos, tais como todos os filmes do Quarteto Fantástico ou a duologia Motoqueiro Fantasma, mas existem alguns exemplos louváveis como os filmes do Marvel Studios.

Apesar de nem todos serem formidáveis, alguns se salvam, como Homem de Ferro, Capitão América 2 – O Soldado Invernal, Guardiões da Galáxia e Doutor Estranho.

Baymax, o Groot para as crianças.

Como se não bastasse a Marvel se dar bem nos filmes live action, ela deu chance à Disney de poder fazer bem com os seus personagens, usando a mesma premissa de Guardiões da Galáxia: um time de heróis desconhecidos que possam provar seu valor. Isso é Operação Big Hero

Porém, aula de história simples pra caramba: (sentem-se ao redor da fogueira, peguem seus marshmellows (ou caramellows, como diria Buzz Lightyear) e se prepara por que lá vêm história).

Capa da Sunfire & Big Hero 6 #1 e capa da nova revista introdutória ao filme lançado.

Tendo sua estreia em 1998 na HQ Sunfire & Big Hero 6 #1 , por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau. Sua intenção inicial era aparecerem pela primeira vez em Alpha Flight #17, mas visto que o grupo era japonês, faria mais sentido colocar ao lado de Solaris, um mutante japonês que fez parte da equipe dos X-Men e que já tinha uma certa fama, então pediram ao time formado pelo roteirsta Scott Lobdell e o desenhista Gus Vasquez para adiantar essa estreia, criando assim uma mini-série de 3 partes com o time.

Todos os integrantes do Big Hero 6 (da esqueda para a direita): Solaris (acima), Samurai de Prata, Wasabi-No-Ginger, Fred, Honey Lemon, Hiro, Baymax, GoGo Tomago, Samurai de Ébano e Chama Solar (acima)

O time seria uma iniciativa do governo japonês de ter um time próprio de super-heróis à sua disposição.

O time era formado por Samurai de Prata: um mercenário que trabalhou para a Hidra, Honey Lemon: uma agente secreta que inventou uma nanotecnologia armazenada numa bolsa que permite lhe ajudar em qualquer situação, Hiro Takachiho: um garoto prodigio de 13 anos que criou um robo para lhe auxiliar, Baymax: o robo com inteligencia artificial vinda do pai falecido de Hiro que pode se transformar em uma espécie de dragão, GoGo Tomago: uma ex-lider de gangue presa durante um assalto com capacidade gerar explosões de energia e o próprio Solaris: um mutante que solta rajada de plasma superaquecidas.

Depois da saída do Solaris e do Samurai de Prata, o time foi reformulado com a adição de 4 novos personagens: Samurai de Ébano: depois de ser morto pelo Samurai de Prata, Ébano volta com desejo de vingança, mas desiste ao saber que Prata agora é guarda-costas do primeiro-ministro japonês, Wasabi-No-Ginger: um sushiman que possui treinamento com espadas, além de ter habilidade de materializar laminas feitas de energia, Fred: um descendente indígena japonês que tem habilidade de se transformar em um monstro como o Godzilla e Chama Solar: uma mutante assumiu essa identidade depois da morte da 1ª Chama Solar.

A série não teve muito sucesso, visto que ficou muito tempo no limbo, e recebeu nova versão feita por David Nakayama e Chris Claremont. Prestes a lançar o filme, a Disney havia encomendado uma versão que serviria de prólogo para a animação agora feita por Haruki Ueno.

Agora, vamos ao filme.

O longa começa com Hiro Hamada (o nome foi alterado para ser mais fácil a pronuncia), um jovem garoto que participa de luta ilegais com robôs, valendo dinheiro. Mora com sua tia Cass e seu irmão Tadashi Hamada, aluno no Instituto de Tecnologia de San Fransokyo, uma fusão entre São Franscisco e Tokyo, combinando modernidade e design rústico, visto que a ponte Golden Gate ainda está presente.

Grupo reformulado pela Disney (da esquerda para a direta): Fred, GoGo Tomago (abaixo), Baymax, Hiro, Honey Lemon e Wasabi-No-Ginger

No instituto, somos apresentados a alguns prodígios como GoGo Tomago (interpretada na versão brasileira por Kéfera Buchmann, a youtuber e atriz do filme É Fada): uma garota monossilábica e de aspecto temperamental e especialista em eletromagnetismo, Honey Lemon (interpretada na versão brasileira por Fiorella Matheis): uma garota muito empolgada e amante de química, Wasabi (interpretado por Robson Nunes, ex-apresentador do Disney Channel e ator no filme e série Tim Maia): ganhou esse apelido por ter derrubado wasabi na calça, mesmo sendo apenas uma vez, é um homem com TOC por organização, com especialidade em lasers e Fred (interpretado por Marcos Mion ex-vj da MTV e apresentador do programa Legendários): um nerd aficcionado por quadrinhos, action figures e nerdices em geral.

O dia em que for inventado um robô com capacidade de curar doenças humanas em tempo real será o dia em que os médicos irão fazer passeata.

Depois disso seu irmão o apresenta ao seu mais novo projeto: Baymax, um robô feito de vinil, inflável, criado com o intuito de ser uma agente de saúde, programado com mais de 6 mil procedimentos médicos. Hiro percebe que foi tempo perdido participar de lutas com robôs e decide se inscrever para entrar no instituto, usando seu robô à base de imãs para fazer micro versões do mesmo a fim de poder ser utilizável em qualquer área desejada.

Depois da apresentação, Alister Krei da Krei Tech oferece uma boa quantia para Hiro entrar na Krei junto com micro robôs, mas o professor Robert Callaghan aconselha que Hiro não o faça, pois diz que Krei é ambicioso. Hiro rejeita e deixa Krei desapontado.

Kabuki. O imponente, mas descartável vilão do filme. #Pena.

Depois de uma explosão causada no local onde foi realizada a exposição onde Hiro mostrou seus micro robôs, seu irmão e professor acabam falecendo, mas Tadashi deixa como ultima realização o robô Baymax, que ajuda Hiro a descobrir o que há de errado com seu micro robô. Mas acabam se deparando com um homem com uma mascara kabuki que está fabricando mais micro robôs e os controlando telepaticamente, exatamente como Hiro fez.

Grupo Big Hero com seu trajes: acima, a versão final do filme, abaixo, concepts originais e paletas de cores que serviriam de referência para a criação do traje

 Depois de um novo encontro, desta vez com seus amigos ajudando a enfrentar o kabuki, Hiro e companhia farão armas e armaduras para lutar contra essa figura.

O filme é bem interessante, principalmente ao mostrar uma nova versão do Hiro sendo meio rebelde. Baymax ganha qualquer pessoa toda vez que aparece em cena e justamente por ser um robô quando alguém fala algo que ele não compreende isso o humaniza, principalmente ao falar a frase “Tadashi está aqui”, pois seu criador fazia videos usando as câmeras, que servem de olhos para ele, confortando Hiro nos momentos de maior fúria.

Professor Callaghan faz parte da grande quantidade de vilões mal explorados pelo Universo Marvel, já que ele não é nenhum Scar da vida, além de seu conflito ser muito pouco explorado, parecendo tão ou mais esquecível que Ultron (na minha opinião, o pior vilão do Universo Marvel). Os coadjuvantes até empolgam, mas não chegam a ser memoráveis como Mushu e Grili, Timão e Pumba, entre outros.

Apesar de contar com um grande número de atores relativamente famosos para dublar os personagens, ele não chegam a incomodar. Até Keféra faz uma interpretação decente. Mas vou dizer que estava mais incomodado com Marcos Mion, já que ele não tem quase nenhum trabalho de atuação. O mais perto disso foi uma dublagem no filme Como Cães e Gatos, mas ao ver a versão legendada, ele fica até melhor do que T.J.Miller (o Weasel de Deadpool).

Robson Nunes está com uma voz muito diferente, por isso foi difícil reconhecer inicialmente, mas não prejudica. Fiorella Matheis não tenho como opinar, pois não vi muitas de suas produções, me irritou nos momentos em que falava numa voz muito aguda, mas não foi infeliz como Luciano Huck em Enrolados (um exemplo que é usado até hoje quando falam de dublagens toscas).

Os momentos em que o 3D se paga são nas cenas aéreas, sobrevoando a cidade de San Fransokyo e na batalha final na sede da Krei Tech, onde os mini robôs são utilizados a todo o momento e a cada chute e soco, um monte se dispersa pelo cenário, fazendo um uso muito interessante de partículas, fazendo o fundo não ser morto.

Stan Lee como pai do Fred em Operação Big Hero. Parece uma pintura de Uma Noite no Museu que ganhou vida, foi para o futuro com a ajuda de Doc Brown e foi pra San Fransokyo, casou, virou super-herói e teve filhos. Que isso, rapaz?!

A clássica aparição de Stan Lee se dá em 2 momentos: num quadro na casa de Fred e aparencendo no quarto secreto descoberto por Fred no fim do filme, indicando que ele já foi um super-herói.

Não é a mais impactante dentre as animações da Disney, mas com certeza, é uma agradável experiência e creio que será lembrada, pois sua qualidade é absolutamente indiscutível. Vale a pena conferir. Se tiver como ver em 3D, melhor.

Os fãs desse quadrinho underground não se sentirão muito respeitados, já que a origem e vários aspectos foram mudados, mas não chegar a ser horrendo como os já citados filmes do Quarteto Fantástico ou mesmo o tenebroso Elektra, interpretada por Jennifer Garner.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.