23
mar
2017
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “Gelo Negro”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Raphael Cancellier

Gelo Negro (Musta jää)

Petri Kotwica, 2007
Roteiro: Petri Kotwica
Finlândia
Sandrew Metronome

4

A nossa Volta ao Mundo em 80 Filmes desta semana desembarca na fria Finlândia com o filme Gelo Negro.

A produção, que ganhou 7 prêmios em diversos festivais pelo mundo, é um trhiller dramático que conta a história de Saara, uma médica obstetra que descobre a relação extraconjugal do marido com outra mulher. Ela se aproxima da amante, sem que a outra saiba quem é, e desenvolvem uma amizade.

O roteiro possui uma excelente premissa e saídas inusitadas. Sua estrutura parte do ponto de vista de Saara, que possui motivações obsessivas a ponto de destruir a vida de Tuuli, a jovem amante de seu marido. Porém, as expectativas são quebradas no desenrolar da trama quando as duas criam um laço intenso de amizade, que chega a ser doentio. A agilidade da história e os imprevistos que são lançados por Kotwica são os principais atrativos do longa, que transita pelo drama e pelo suspense psicológico, bebendo na fonte do trhiller e fazendo com que a gente não consiga desgrudar os olhos da tela.

Em diversos momentos do roteiro, principalmente nos de excesso e extravasamento por meio dos diálogos, temos a impressão de estarmos assistindo a uma telenovela brasileira. Isso também fica impresso na montagem e na fotografia da produção.

A obra possui uma direção básica, porém, muito eficiente para o gênero proposto, com planos gerais e assépticos, além da paleta de cores frias. Dessa forma, o espectador consegue adentrar no estado de espírito de Saara, que precisa se manter racional e fria para enfrentar esta situação. Nos momentos de tensão, a câmera se desloca com movimentos bruscos e planos fechados, como se fossem nos nossos olhos atentos e nervosos.

Gelo Negro é uma obra que foca mais no desenvolvimento da narrativa do que na evolução dos personagens, criando excelentes ganchos e nós, avançando na história e ao mesmo tempo nos provocando algo como “meu Deus, que louco! Como ela vai sair dessa situação?”.

Enquanto avança, o espectador consegue criar laços de identificação com a protagonista, ficando até na torcida para que ela saia da situação bem. No entanto, a postura Tuuli e sua paixão por Leo também é compreensível. O vínculo de amizade entre Saara e Tuuli causa um incômodo que se torna até perturbador, gerando no público a expectativa para o momento do confronto entre as duas.

O filme possui uma excelente narrativa, um desenvolvimento interessante e situações palatáveis. É uma produção obrigatória para quem gosta de suspense psicológico e trama de relações pessoais.

E preparem as malas! Domingo vamos visitar a França com Um Homem que Dorme, de Bernard Queysanne.



Futuro roteirista de TV e cinema, assisto de tudo, sem preconceitos, e procuro prestar atenção na forma como a história é contada. Sou apaixonado pelo cinema brasileiro contemporâneo, mas também sou Disneymaníaco. Meus diretores preferidos são Almodóvar, Gabriel Mascaro, Tarantino, Aïnouz, Von Trier e Sofia Copolla.