12
mar
2017
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “Norte, o Fim da História”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Mariana Tocci
Norte, o Fim da História (Norte, hangganan ng kasaysayan)
Lav Diaz, 2013
Roteiro: Lav Diaz e Rody Vera
Filipinas
Wacky O Productions, Kayan Productions, Origin8 Media

2.5

As Filipinas são um arquipélago na Ásia formado por, aproximadamente, 7 mil ilhas. Nesta semana, na nossa Volta ao Mundo conhecemos um pouco do país por meio do filme Norte, o Fim da História, de Lav Diaz. O longa (de 4 horas e 10 minutos de duração) começa com três personagens discutindo teorias e conceitos como capitalismo e anarquismo em um café. Em outros momentos, são criticados regimes ditatoriais do país e a história das Filipinas. A política está muito presente em Norte, o Fim da História não apenas em palavras, mas nas ações dos personagens também, sendo que diversas destas se cruzam durante o longa.

O enredo nos apresenta Fabian (Sid Lucero), Eliza (Angeli Bayani) e Joaquin (Archie Alemania). O primeiro, ex-estudante de direito, comete um crime, mas quem leva a culpa é Joaquin. Eliza, a mulher do homem condenado, sofre para criar e sustentar os dois filhos. O filme é inspirado em Crime e Castigo, de Dostoiévski, sendo Fabian a versão de Diaz para Raskólnikov – apesar disto, o filipino constrói sua história de um modo livre, não ficando preso ao livro russo.

Fabian leva muito a sério as conversas políticas que tem com seus amigos, vive com uma raiva em si e depois com a culpa por seu crime. Joaquin, por outro lado, continua sendo gentil mesmo com todos os infortúnios que a vida lhe presenteia. Os opostos ficam bem claros no filme, causando sentimentos opostos no público também. Mais de uma vez durante as quatro horas, tive vontade de abraçar Joaquin e dar uns bons sermões em Fabian. Angeli Bayani demonstra muito bem a mulher sobrecarregada com diversas funções, tendo a aparência e o olhar sempre cansados. Os opostos também se apresentam na condição social dos protagonistas. Fabian, apesar de o próprio não ter muito dinheiro, tem amigos que o ajudam financeiramente, fazendo-o levar uma vida mais confortável. Em contrapartida, Joaquin e Eliza trabalham muito para ganharem pouco.

Em detalhes, o diretor nos mostra que tudo está amarrado e não ali por acaso. Eliza, em uma reflexão, se questiona se ela e o marido fizeram certo ao cuidarem eles mesmos dos filhos e não irem tentar a vida fora, como muitos outros. Fabian, em outro instante, se pergunta onde estavam seus pais enquanto ele crescia, talvez desejando que estes tivessem trabalhado menos e estado mais por perto. Esta conexão entre as duas histórias me chamou a atenção e então, depois de uma rápida pesquisa na internet descobri que em torno de 8 milhões de filipinos trabalham fora de seu país de origem. Além de palavras e ações, as diferenças tornam-se visíveis nos cenários que mostram casas humildes ao lado de mansões.

A longa duração do filme é necessária para desenvolver com detalhes todas as histórias, porém – em determinados momentos – ele se prolongou mais do que deveria. O enredo é muito interessante, mas as tomadas longas e o desenvolvimento detalhista de Diaz não funcionaram muito para mim, talvez por falta de costume com este tipo de longa. Apesar disto, Norte, o Fim da História causa um impacto e gera reflexões sobre política e, principalmente, sobre o próprio ser humano.

Na próxima semana, vamos para a Finlândia com Gelo Negro, de Petri Kotwica! Não perca!



Apaixonada por filmes da Disney, mas assisto de tudo um pouco: musicais, filmes antigos, séries (só não me deixe sozinha assistindo um filme de terror, por favor). Sou estudante de Jornalismo e ainda acredito que a Summer, de (500) Dias Com Ela, não era uma vadia.