23
abr
2017
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “Os Últimos Dias de Emma Blank”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Raphael Cancellier

Os Últimos Dias de Emma Blank (De laatste dagen van Emma Blank)

Alex van Warmerdam, 2009
Roteiro: Alex van Warmerdam
Holanda
Fortissimo Films

2

Nesta semana, o Pipoca Radioativa foi para um canto isolado da Holanda entre dunas e rios para conhecer os excêntricos personagens de Os Últimos Dias de Emma Blank para a Volta ao Mundo em 80 Filmes.

Emma Blank é uma mulher de meia idade que está com os seus dias contados. Seus empregados acatam tudo ao que a patroa pede, um deles, inclusive, se passa por cachorro. Eles a vestem, entregam o pincel na mão dela, que não tem nem a coragem de misturar as tintas para pintar, entre outras situações absurdas. Conforme a trama avança, descobrimos que todos são parentes da megera e estão de olho em sua herança.

A produção é bastante confusa em diversos momentos e não possui uma boa estratégia narrativa que foca no bom desenvolvimento do enredo de cada personagem e do fio condutor principal. Ela preza pela estranheza, beirando ao nonsense. No entanto, essa estilística não traz para as telas uma obra agradável e interessante, se tornando algo gratuito.

Apesar da trama frágil e mal desenvolvida, o filme possui uma direção impecável e asséptica, com excelentes quadros e planos que mostram a opulência em que Emma Blank vive e a grandiosidade da região, representando o isolamento em que aqueles personagens vivem.

Os atores também são afinados e possuem uma química primorosa, com atuações memoráveis e imprevisíveis. Eles conseguem representar o tédio por aquela situação e o ódio da patroa com seus olhares e tons certeiros nos diversos momentos da obra.

Os Últimos Dias de Emma Blank não é uma produção que deixa marcas no espectador e possui diversas lacunas que poderiam ser melhores exploradas ao longo do desenvolvimento da trama. No entanto, ao focar no estranhamento e em situações inusitadas, deixou o seu roteiro de lado, não aparando as arestas e não sendo bem direcionado.

Podemos destacar a cena do clímax como a mais interessante, porém, sua conclusão, assim como o filme em geral, foi frágil e mal aproveitada. Também não conseguimos inferir marcas do país para que tenhamos uma boa ambientação geográfica e espacial, não deixando em nossa mente traços e impressões de sua nacionalidade. Por outro lado, conhecemos uma Holanda totalmente diferente do que temos em nosso imaginário.

A nossa Volta ao Mundo em 80 Filmes desta semana vai embora da Holanda sem guardar lembranças memoráveis da produção do país.

E apertem os cintos! Semana que vem vamos para Hong Kong com o longa Dias Selvagens. Não percam!



Futuro roteirista de TV e cinema, assisto de tudo, sem preconceitos, e procuro prestar atenção na forma como a história é contada. Sou apaixonado pelo cinema brasileiro contemporâneo, mas também sou Disneymaníaco. Meus diretores preferidos são Almodóvar, Gabriel Mascaro, Tarantino, Aïnouz, Von Trier e Sofia Copolla.