29
abr
2017
Crítica: “Vida”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno

Vida (Life)

Daniel Espinosa
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick
Sony Pictures

3

Vida é um filme que mistura ficção científica com terror e tem uma premissa que remete diretamente ao clássico Alien, O Oitavo Passageiro: uma tripulação de uma nave espacial descobre uma nova forma de vida extraterrestre, mas que se revela hostil e praticamente indestrutível, e que se chegar à Terra pode destruir a humanidade.

Como o próprio letreiro inicial (que é praticamente idêntico ao de Alien) não deixa enganar, não se trata de uma ideia original e nem tampouco é desenvolvida de maneira marcante. Mas isso significa que o filme é ruim? Não.

A direção de Daniel Espinosa demonstra um fraco por planos em gravidade zero sem cortes (pelo menos aparentes) que obviamente são interessantes, embora em alguns momentos pequem pela gratuidade e por chamar demais a atenção para si, como ao virar a câmera de ponta cabeça sem justificativa alguma.

E além disso, há alguns conceitos estéticos isolados que funcionam muito bem: como ao mostrar a criatura tentando escapar de sua “jaula” através de uma luva, o que cria uma espécie de “mão fantasma” que é ao mesmo tempo legal esteticamente e funciona por ter um toque assustador; outro conceito interessante e apropriado é aquele que traz um personagem vomitando sangue em gravidade zero. Sem contar o visual da própria criatura, que consegue ser assustadora e ao mesmo tempo crível dentro da lógica estética do filme. E aqui o trabalho de efeitos sonoros merece créditos por criar um som particular e marcante para ela, que sugere sua textura úmida de forma orgânica e, de novo, assustadora. E por falar em som, a trilha sonora é hábil em sugerir ameaça mesmo quando não fica claro de onde esta pode estar vindo.

Por outro lado, o roteiro é quase imperdoável. Além da óbvia reaproveitação de ideias vindas de outros filmes, o excesso de diálogos expositivos é absurdo: há vários momentos em que os diálogos são quase entrevistas, com alguém perguntando algo para outra pessoa responder e poder passar a informação para o espectador (um recurso que é muitas vezes necessário, é verdade, mas quando usado em excesso apenas demonstra preguiça e deixa o filme artificial). Isso para não falar da mania irritante e injustificável de trazer personagens literalmente falando o que já estamos vendo na tela (“ele está tão maior”, ou “você está sem combustível”, e por aí vai…).

Mas apesar dos erros, o fato é que o filme acaba funcionando surpreendentemente bem ao tentar apenar seu um terror descompromissado, além disso, o desfecho da trama é bem interessante e faz com que o espectador saia da sala de cinema com uma sensação inesperada e curiosa.

E como um todo, Vida acaba sendo um filme eficiente como terror (embora nunca original) e pecando pela obviedade de sua premissa de ficção científica. É um filme mediano, mas que provavelmente irá divertir quem busca apenas um passatempo com mistura de gêneros.



Gosto de todos os gêneros cinematográficos e estou sempre aberto para conhecer novos diretores. Dentre os meus preferidos estão Woody Allen, Kubrick, Hitchcock e David Fincher. Sou estudante de Música, e não consigo passar um dia sem assistir um filme.