17
abr
2017
Grandes Cenas do Cinema #6: “Taxi Driver”
Categorias: Grandes Cenas do Cinema • Postado por: João Vitor Moreno

Assim como na edição passada da nossa coluna Grandes Cenas do Cinema, onde falamos sobre Sindicato de Ladrões, o escolhido desta vez também é um clássico com vários momentos icônicos: Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976).

Há pelo menos umas cinco cenas neste filme que podem ser colocadas entre os melhores momentos da rica carreira de Scorsese: não há como esquecer o “Are you talking to me?” (momento improvisado por Robert De Niro, diga-se de passagem), tanto referenciado em outros filmes, ou então a cena em que o protagonista no meio de uma discussão abruptamente faz uma pose de karatê, ou toda a sequência clímax, marcada pela violência escatológica…

Mas a escolhida de hoje será uma cena um pouco menos lembrada, mas que comprova a genialidade de seu diretor e também seu talento para sutilezas (qualidade que nem sempre é lembrada como uma de suas marcas): aquela que traz Travis (Robert De Niro) tentando, em vão, reestabelecer contato com seu interesse romântico (Cybill Shepherd), após ela ter se afastado quando ele a levou para um cinema pornô no primeiro encontro.

A primeira coisa que dá para perceber nesta grande cena é a ironia sutil e melancólica envolvendo os aparelhos telefônicos: reparem como tem três telefones na parede, dois deles conectados com cabos e um (justamente o que Travis está usando) sem cabos algum – o que de forma delicada comenta como aquela tentativa de “reconexão” está fadada ao fracasso e mostra como ele está completamente desconectado e sozinho (o que comenta não só a situação da cena como toda a situação psicológica do personagem ao longo do filme).

Mas o que mais me chama a atenção na cena e que, para mim, demonstra o controle total de Scorsese sobre o filme é o movimento de câmera que ele usa: antes mesmo de Travis ter desligado o telefone, a câmera se move lentamente, o deixando fora do quadro e nos mostrando a porta. Isso serve a dois propósitos: primeiro, é uma forma humana de “privar” o personagem da visão do espectador em um momento de embaraço, é como se desviássemos o olhar para não presenciar a vergonha dele; e segundo, é uma forma simples, mas inteligente, de antecipar o fim inevitável da conversa, mostrando que aquela tentativa de socialização não tem como dar certo, e o único caminho que o personagem pode seguir é sair pela porta, de volta às ruas.

É um momento intimista e humano de um diretor sempre associado à violência e energia pulsante. E são pequenos momentos como esse que nos fazem perceber que estamos diante de um grande cineasta.


 

Aproveite para ler também:

Grandes Cenas do Cinema #5: Sindicato de Ladrões

Pipoca Clássicos: Sindicato de Ladrões

Grandes Cenas do Cinema #4: O Rei Leão

Pipoca Clássicos: Doutor Fantástico



Gosto de todos os gêneros cinematográficos e estou sempre aberto para conhecer novos diretores. Dentre os meus preferidos estão Woody Allen, Kubrick, Hitchcock e David Fincher. Sou estudante de Música, e não consigo passar um dia sem assistir um filme.