12
maio
2017
Pipoca Clássicos: “Alien, o Oitavo Passageiro”
Categorias: Pipoca Clássicos • Postado por: Rafael Hires

Ridley Scott. Um nome que ecoou durante o fim dos anos 70 e inicio dos 80, graças a criação de uma criatura tão monumentalmente colossal, desprovida de inteligência, cujo o único objetivo era procriar e se alimentar.

Uma criatura de aparência imponente e totalmente imprevisível, mesmo estando a bordo de uma nave relativamente grande. Seu jeito é inconfundível, já que consegue com facilidade se misturar às sombras e ser quase indetectável.

Isso é Alien, o Oitavo Passageiro. A ficção cientifica dificilmente não tem alguma ligação com aventuras espaciais, seja para um curto espaço de tempo ou mesmo para milhares de século à frente de sua realidade. E nesse filme, o conceito é bastante explorado.

Num futuro relativamente distante, a nave de carga Nostromo faz uma viagem de volta para a Terra, com 20 milhões de toneladas de minério, junto com 7 tripulantes sob animação suspensa. Mas a nave recebe um chamado desconhecido de um planetoide. E então o grupo é acordado para verificar do que se trata esse sinal.

O Capitão Dallas (Tom Skeritt), seu primeiro oficial Kane (John Hurt) e a navegadora Lambert (Veronica Cartwright) vão até o local enquanto a Subtenente Ellen Ripley (Sigourney Weaver), o Oficial de Ciências Ash (Ian Holm) e os engenheiros Parker (Yaphet Kotto) e Brett (Harry Dean Stanton) ficam na nave observando a situação.

Dallas e sua equipe descobrem que o sinal veio de uma espaçonave alienígena abandonada. Lá veem uma criatura que parece ter tido suas costelas estouradas pra fora do corpo. A equipe descobre uma câmara que contém várias espécies de ovos com aliens dentro. Um deles choca e a criatura se fixa ao rosto de Kane.

Kane e a equipe retornam à nave em busca de solucionar uma maneira de retirar o parasita que se apossou do rosto de seu colega. Mas descobrem que a criatura tem um sangue composto por ácido extremamente corrosivo. Depois de um tempo, a criatura se solta e morre.

Kane retorna ao seu juízo aparentemente sem maiores sequelas. Mas durante a refeição, ele começa a passar mal e a convulsionar. Seus colegas tentam acalmá-lo, já que ele está tendo espasmos incontroláveis – o que ninguém desconfia é que o ser deixou um novo hospedeiro, que, ao nascer, se explode de dentro para fora do corpo, matando Kane instantaneamente.

Agora a equipe tem de encontrar uma criatura que está perambulando pela nave. E ainda tendo de lidar com Ash, um androide que fora designado para garantir o transporte do alienígena, sacrificando a vida de toda a tripulação.

O filme é construído de maneira muito eficiente e consegue ser tenso e sombrio como poucos filmes sobre aliens. O design, desenvolvido por H. R. Geiger (o responsável pelo visual bestial e orgânico da criatura) é um trabalho de qualidade magistral, sendo imponente ao mesmo tempo em que contém elementos vezes mecânicos.

A fotografia alterna entre o tom muito escuro, quase soturno e um claro, clinicamente impecável. Apesar de ter ambientação futurista, alguns elementos são evidentemente datados como botões com luzes piscando, monitores com aspectos dos anos 70 – um design que remete a filmes como Tron – Uma Odisseia Eletrônica. Ainda assim, não é algo que possa incomodar visualmente.

A direção de arte também é muito bem feita, havendo uma grande alternância entre cenários claustrofóbicos como os encanamentos da nave ou mesmo as salas minúsculas em que o pessoal da nave faz suas atividades corriqueiras ou mesmo o computador central e locais muito abertos como a nave abandonada e os corredores com aparência infinita.

A trilha sonora não é um grande trunfo, visto que é tocada em poucos momentos, dando preferência ao som ambiente de gritos, ventos e os ruídos da criatura, visando aumentar ainda mais a sensação de claustrofobia.

A edição é muito bem amarrada com planos longos para cenas de maior tensão e curtos para cenas que deixem o espectador na borda do assento, principalmente durante a corrida de Ripley para chegar à nave de fuga antes da autodestruição.

Em resumo, uma obra incrível, que acabou por inspirar uma geração de profissionais a criar criaturas horrendas como Nemesis em Resident Evil, Demogorgon de Stranger Things, entre outros monstros.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.