28
maio
2017
Volta ao Mundo em 80 Filmes: “O Balão Branco”
Categorias: Críticas, Volta ao Mundo em 80 Filmes • Postado por: Mariana Tocci
 
O Balão Branco (Badkonake sefid)
Jafar Panahi, 1995
Roteiro: Abbas Kiarostami, Jafar Panahi
Irã
Ferdos Film, I.R.I.B. Channel 2

5

Nesta semana, vamos para o Irã, um país conhecido dos cinéfilos. O cinema iraniano é cultuado por entendedores da sétima arte e seus filmes costumam receber boas críticas. Se você jogar no Google “cinema iraniano”, encontrará diversas listas selecionando os melhores longas do país e O Balão Branco (Jafar Panahi) é presença quase que garantida em todas essas seleções.

O filme se passa poucas horas antes do Ano Novo no Irã, que é comemorado no dia 20, 21 ou 22 de março, juntamente com o equinócio da primavera no Hemisfério Norte. O Noruz, como é conhecido, é o ano novo do calendário persa.

No longa, Razieh (Aida Mohammadkhani), é uma criança que fica encantada com os peixinhos dourados do mercado de Teerã, que “dançam enquanto nadam”. A missão da menina é conseguir comprar um destes bichinhos antes que chegue o ano novo. Uma antiga tradição do Irã, dentre outras coisas, é colocar em uma mesa um peixe dourado em um pequeno aquário com água no Noruz.

A premissa simples se complica quando Razieh perde o dinheiro, dado pela mãe, para comprar um dos peixes encantadores. Apesar de parecer algo trivial, O Balão Branco torna-se angustiante! Jafar Panahi constrói uma história cotidiana e cria um clima grandioso em torno disso, fazendo o espectador torcer e sofrer enquanto o problema não se resolve. A protagonista é uma criança, assim como o coadjuvante, seu irmão Ali (Mohsen Kafili). Ambos levam o filme sem problemas, mostrando uma bela atuação desde cedo.

O Balão Branco foi lançado em 1995, sete anos depois do término da Guerra entre Irã e Iraque. Hussein (então presidente do Iraque) é mencionado e o exército iraniano está presente no filme perambulando pelas ruas de Teerã. É curioso perceber como a política do país se insere no longa de uma forma sutil, em conversas de rua que – aparentemente – não possuem importância alguma.

O Balão Branco é o primeiro longa-metragem dirigido por Panahi e o filme conquistou a Câmera de Ouro no Festival de Cannes em 1995. O diretor é uma figura polêmica em seu país. Panahi foi proibido, em 2009, de fazer filmes no Irã por 20 anos. A punição veio pois o diretor estava filmando um documentário a respeito da eleição presidencial de 2009 e então o governo iraniano acreditou que ele estava atentando contra o Estado e fazendo “propaganda contra o regime”.

Algo parecido aconteceu com a atriz Golshifteh Farahani, de A Pedra de Paciência, que foi condenada por fazer filmes hollywoodianos e aparecer publicamente sem o véu. A diferença entre eles é que Farahani foi exilada do país e Panahi não pode sair, sendo obrigado a fazer filmes de forma clandestina.

Acredito que ele queria passar uma mensagem positiva e, ao mesmo tempo, provocar a visão de mundo dos iranianos. Ao final, o que fica é uma esperança de que tudo – na medida do possível – se resolverá. Isso porque a história contada é intimista, um problema do cotidiano, mas que pode ser usada como metáfora para outras situações. O Balão Branco é um filme que merece e deve ser visto!

Depois de assistir ao longa da Volta ao Mundo desta semana, o que nos resta é conhecer ainda mais o trabalho de Panahi! O que você está esperando?

Semana que vem, vamos para a Irlanda com Loucos Pela Fama, de Alan Parker! Vem com a gente!



Apaixonada por filmes da Disney, mas assisto de tudo um pouco: musicais, filmes antigos, séries (só não me deixe sozinha assistindo um filme de terror, por favor). Sou estudante de Jornalismo e ainda acredito que a Summer, de (500) Dias Com Ela, não era uma vadia.